Quarta-feira, Março 29, 2017
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Em “futebolês” falemos… Autor: João Dinis, Jano

Em “futebolês” falemos… Autor: João Dinis, Jano

A Selecção Nacional de Futebol acaba de sagrar-se campeã europeia em atribulado torneio europeu disputado em França.

Honra aos heróis… como nos tempos dos césares romanos se celebravam os gladiadores que se esquartejavam em combates nas arenas…para glória desses césares e para gáudio da turbe que acorria ao espectáculo do circo romano. Daí, ter ficado célebre o dito do “para manter as multidões ´anestesiadas´ dêem-lhes pão e circo”…

Enfim, eu cá estou satisfeito com a globalidade da vitória da Selecção Nacional de Futebol…sobretudo porque isso permite aos nossos emigrantes em França olharem de frente para muitos franceses – chauvinistas e socialmente racistas – e rirem-se na cara deles. “Nós somos ´fraquitos´ – nós somos de ´là bas´- mas nós é que somos campeões. Nós vencemos a vossa Selecção Francesa!», poderão atirar-lhes e continuarem a rir-se deles…

Mas como apreciador do “futebol-espectáculo” também tenho razões de queixa desta situação. A nossa Selecção – em resultado das concepções conservadoras do treinador-seleccionador (cujo nome próprio vou omitir) – adoptou a “retranca” defensiva como sua opção táctica permanente. Ou seja, o treinador da Selecção pensou sempre, primeiro, em não sofrer golos e só quase 90 minutos depois do início de vários jogos é que começou a pensar em marcar golos (ou penaltis)… Uma “retranca” que, erigida a táctica dominante, prejudica o espectáculo e afasta público dos estádios de futebol. Dir-se-á, agora, “pois, pois, mas ganhámos o Europeu!”…

E ganhámos mas não foi o futebol-espectáculo que o ganhou. Foram os nossos jogadores…apesar e para além das tácticas “retranqueiras” do treinador. Direi que alguns dos nosso jogadores se transcenderam e jogaram-lutaram como artistas e operários dessa arte-profissão, violenta, que é o futebol de alta competição. Falo do Rui Patrício, o melhor guarda-redes do torneio – de Pepe, o melhor central – de Nani, o mais concentrado e esforçado – de Fonte, o “estreante” mais forte – de Ronaldo, o mais influente e mais desafortunado – talvez de João Mário, um estilista. Até tenho pena, mas acho que Quaresma se “desmoralizou” e Renato tem inegável talento mas também ainda tem muito tempo até saber jogar futebol. Os outros têm seus méritos – valemos e impusemo-nos pela vontade de grupo – mas, em última análise, os outros “apenas” apanharam a boleia do chuto mais feliz da vida do Ederzito…

Reconheço que, na final, o treinador esteve bem ao meter o ponta-de-lança Ederzito naquele momento concreto do jogo. Mas a questão primeira é a de sabermos por que especial razão é que não o deveria ter metido? Quer dizer, de facto “só” havia aquela opção válida para se tentar ganhar o jogo antes dos penaltis “do costume”…  E subsiste ainda uma outra questão: será que Eder, o homem do “golo”, tinha ido a jogo caso Ronaldo não tivesse sido lesionado?…

Espero, sinceramente, que esta vitória da “retranca” – e das fezadas e rezas do treinador – não venha a ter demasiados seguidores enquanto treinadores de equipas de futebol de alta competição…

E há “injustiças” que o futebol tece… Digo isto e penso nas Selecções do tempo do Eusébio…do Jordão e do Alves… do Chalana e do Oliveira… do Figo… que nunca venceram um Europeu ou um Mundial… E penso nas concepções “retranqueiras” deste seleccionador-treinador que acaba de ser campeão europeu… E não posso deixar de pensar naquele Europeu de 2004, em Portugal, com as concepções – e as maluqueiras das “rezas” – do treinador da época um tal (alcunha) “sargentão” brasileiro… Sim, são outras tantas injustiças que o futebol tece!

Futebol acima de Fado e de Fátima…

Agora, já tenho “vómitos” ao ver e ouvir tanta manipulação, tanta alienação, em torno do Futebol-Jogo e deste resultado em especial.

Já não consigo ouvir aqueles locutores da Rádio e da TV a berrarem desalmadamente, a dizerem dislates dos mais inconcebíveis, enquanto “relatam” jogos e golos…

Até o Presidente da República pregou uma pretensiosa “seca” patrioteira, a pretexto da recepção que organizou aos Campeões Europeus de Futebol, em Belém, para os condecorar. Ele teoriza bem durante as suas “erupções de patrioteirismo”, mas não vem à liça, como Presidente da República, lutar, por exemplo, pelo fim do “Tratado Orçamental “ e de outras violências que nos estrangulam a vida, a soberania e a independência nacionais…

Sim, ele e outros que tais têm colocado o Futebol acima do Fado e até de Fátima, dentro do velho e rançoso triunvirato dos tês “F” – Futebol – Fado – Fátima – com que nos tentam alienar e, note-se, eu sou um admirador de Futebol. Sim, eu acredito na beleza e na emoção do futebol-espectáculo ! Outros que acreditem no Fado…em Fátima…mas sem atingirmos estes níveis brutais de alienação, que também acaba por ser lucrativo negócio par alguns (para as SAD, para os “empresários”, para as marcas de grandes empresas e seus publicitários…etc)!… Sim, o melhor do Futebol (ainda) são os Futebolistas… que transpiram e levam cacetadas…nos joelhos…para dessa forma serem “anulados”… Sim, por maus motivos – a lesão do Ronaldo – lembrar-me-ei sempre de vós, Didier e Payet – e aqui meto mesmo os nomes destes dois (maus) “artistas”!

Pois, e o Futebol também tem que ser “apenas” um jogo… e uma final nunca pode ser… a batalha de Aljubarrota…

janoentrev1Autor: João Dinis, Jano

  • António Lopes

    Tens toda a razão, João Diniz: E, pelas mesmas razões nunca percebi tanto jogo de veteranos, tanta festança e tanto passeio de “reumático”, ainda por cima sempre com um “municipal subsídio”…! Esta coisa da bola e da festança até parece desígnío, para não dizer doença. Ainda se ao menos jogassem alguma coisa..! Ando a ler uns livros sobre o Gama e a “descoberta do caminho marítimo para a Índia”.Ao ler a relato de como e quantos morreram, debaixo e cortados às tiras, pelo chicote, com as gengivas podres do escorbuto e não ver nenhum destes “desgraçados” que deram Novos Mundos ao Mundo, comendadores, ou sequer com o nome escrito, nem que fosse neste livro,não deixo de me interrogar, como seria o dia de hoje se o tal (negro) no dizer de muitos “preto” não tivesse marcado um golo num campeonato de Europeus, pressupostos “brancos”..! Dá-me cá um gozo. Como me dá, o nosso “craque” ser bisneto de uma negra de S.Vicente de Cabo Verde.A “nobre gesta” de que falava Camões, é mais um grupo de “capados”para ir lá apanhar uma bebedeira e dizer que “foi buscar o caneco”. Já Teófilo Braga dizia para o Machado dos Santos: “Sabe, o senhor é como um bom sapateiro que depois da obra feita a entrega ao Dono.Mas, o Senhor, merece ter o seu nome na esquina de uma rua”..! Nada de mais. Afinal, Soares é filho de padre.Sampaio filho de judia. Guterres neto da criada. Nada a opor.A sociedade é que criticava.Por mim, desde que não se misturem comigo…. Mas, mais atrás, D.Teresa era bastarda do rei de Leão. D.Joáo I filho da 3ª escolha de D.Pedro I(Teresa Lourenço),. A quarta dinastia começou com D. Afonso, primeiro Duque de Bragança,bastardo do bastardo D.João I. E, como se não bastasse, casou com a filha de Nuno Álvares Pereira cujo pai, Álvaro Pereira, prior da Ordem do Hospital, fez voto de castidade mas, não obstante, contados e conhecidos, teve trinta e três filhos. Mas, como um mal nunca vem só, esse Álvaro Pereira, pai do Nuno Alvares , com voto de castidade e trinta e três filhos, foi gerado, em Toledo, por D. Diogo Pereira, que veio a ser Arcebispo de Braga. Nenhum dos primogénitos da 4ª dinastia foi rei.Até se diz poe causa deste “pecado original”..!Desiste , pois, que a “doença” é profunda e antiga..! Em bom Português temos sido, e somos, governados por uma cambada de FDP. Também por estas bandas…Estás a reclamar de quê..? Estuda história que nada te surpreende.A mim o que me chateia, é ver repetir, sempre, os mesmos erros.”Arre porra”, que é demais..! E mais grave. é qie o pider autárquico anda na mão de professores, ou, pelo menos, de pessoas pagas como tal…! E mais não digo.., que só tenho a 4ª classe..!

    • Afonsino

      Grande narrativa…
      Apenas uma nota:
      – Em futebol, ou noutro desporto qualquer, o envolvimento dos veteranos é, por demasiado evidente, salutar…
      É por isso que se pratica desporto de veteranos – apesar das “intempéries”!

      • António Lopes

        O problema não é o envolvimento de veteranos, séniores ou juniores.O problema é quando tudo passa do lógico e do normal. É a mistura do que não se devia misturar, é alavancar no e com o futebol o que não se devia investir ou alavancar. O problema é quando o futebol leva o que devia ser para remédios, é quando o futebol serve para promover o que não deve etc. etc. Temos três relvados mas não temos muito quem lá jogue. Queixa-mo-nos de falta de esgotos,de estradas, de tribunal etc etc.O problema são as prioridades, o que é que serve o quê e quem, e por aí adiante.O futebol desporto e espectáculo,.pois com certeza. Pessoalmente já gastei nele muito mais do que devia.Ouço defender o futebol a muita gente que nunca lá meteu nada e muitas vezes já de lá tirou muito…É essa a minha questão.

        • Afonsino

          Convenhamos:
          1. O desporto é só para os ricos;
          2. Sem ricos, não há desporto;
          3. Os homens, e mulheres, a partir dos 30 anos – os mercadores de escravos conheciam essas regras – deixam de ter valor desportivo;
          4. Melhor conhecem estas regras, actualmente, os mercadores de escravos a que chamam de “representantes” de jogador de futebol: desde os 18 até aos 30 é mercadoria, logo, seja brasileiro, ou português…ou ….pode ser negócio lucrativo;
          5. A minha mãe e o meu pai, também os meus avós, nunca praticaram outro “desporto” que não fosse o da (complicada!) sobrevivência….
          6. Assim é, também, extrapolada a nossa condição, a de “desportista”:- a sobrevivência, hoje, é muito mais complicada.
          7- Antes, vendiam-se e compravam-se pessoas: hoje, compram-se e vendem-se países….
          8- Um país que tenha o maior número de veteranos a praticar desporto será, sempre, o país mais avançado…
          Por isso, sr Lopes, aproveite, também, a “modernidade” e veja lá se, em vez de andar a fazer apostas em “cavalos”, a envolver-se nelas e, depois, ser “apeado da sela”, começa a fazer umas corridas com as pernas que a sua mãe lhe deu…ou apareça, por aí, num destes magníficos tapetes de relvado sintético, a jogar um jogo de qualquer coisa…de veteranos.

          • António Lopes

            Nunca tive tempo para praticar e agora,começa o reumático e também me falta um rótula.Aparecer até apareço.Estou cá.Para a bola é que estou com estas limitações.Mas, como digo não tenho nada contra.a não ser os tais excessos e contradições E pelo que escreve, parece,não estamos longe na análise. Para im já só mesmo de séniores, que no caso tem que ser dito duas vezes para não confundir com os séniores,mais de 18…

  • João Dinis, Jano

    Mantenhamo-nos em “futebolês” falando…
    Sim, o Futebol é o maior espectáculo à escala planetária ! E, isto, apesar da China só agora estar a acordar para a prática interna deste Desporto-Espectáculo-Indústria…
    O Futebol também já é um enormíssimo negócio… Não raras vezes, o “lucro” (de alguns) acaba por ser o “árbitro” de muitos jogos… E os “milhões” que os melhores jogadores auferem também é o mais forte dos “doping´s”… Enfim, são os “frutos da época” em cada época futebolística.
    E “todavia a Terra move-se”…quero dizer e, todavia, o Futebol-Espectáculo é rei !
    E quem “ousa” detestar Futebol…é “anormal”… Deus Nosso Senhor lhes perdoe e faça descer sobre as suas cabeças a chama que os ilumine… (Ora, aí estou eu a exagerar…).
    Regressemos a esta nossa terra e ao Europeu da nossa vitória…
    Disse e repito que o seleccionador-treinador nacional é um “retranqueiro” do piorio (preocupa-se muito mais em não sofrer golos do que em marcá-los) e, assim, tem concepções anti-futebol-espectáculo.
    Ó meus Caros: a rede das balizas é o “véu da noiva” (virgem…) que treme todo “húmido” quando é tocado pela bola, no golo…o golo é o sexo consumado…é o momento de todos os “clímaxes” do futebolista e do espectador e torça este por qualquer das equipas em presença…o golo é a “pornografia” do futebol. Viv´ó Golo !!!
    Na final, o melhor antídoto contra o Sissoko teria sida o Danilo…
    Analisemos “compridos” momentos da final Portugal-França… Em quais desses “momentos” esteve Portugal em maiores riscos de sofrer golos e ser “despachado”? Pois foi quando um tal Moussa Sissoko – centro-campista de França que joga em Inglaterra – entrava como uma “locomotiva” pela nossa Selecção adentro, em correrias pelo meio, por vezes tabelando com o artista Griezman. Esse Sissoko entrava quase a direito e até parecia que os nossos jogadores se afastavam e abriam alas para ele passar… Felizmente, lá atrás, tínhamos o Rui Patrício (que torneio espectacular ele fez !), tínhamos o Pepe e o Fonte, onde o Sissoko acabava por “bater” mas até lá era um calafrio…
    Mas então, o “nosso” treinador não conhecia o Sissoko ? Não viu e reviu os jogos da selecção Francesa ? Pois parece que não… Vejamos nós:
    — Como primeiro grande embate face àquela imensa força em movimento do Sissoko, já próximo à nossa grande-área, aparecia o “estilista” do William Carvalho que, ainda por cima, “trabalha a gasóleo” ou seja, só tem uma e a mesma “velocidade”. Mas, no banco, ficou o “atleta” do Danilo com outro “cabedal” e com outras qualidades para “bater” contra o Sissoko, qualidades específicas que o William não tem (apesar de ser bom jogador). Também aparecia o “penteadinho” do Adrien feito uma “ventoinha” de tanto girar atrás da bola e dos Franceses… O jovem Renato, que é raçudo, também bateu duas ou três vezes no Sissoko e sofreu “ricochete”… Além do mais, o Renato foi mudado meia dúzia de vezes de posição, o que não o ajudou nada nesta final ( e não só na final).
    — Ou seja, o “nosso” treinador não previu o impacto (literalmente…) do Sissoko no jogo ! Como primeira medida de “prevenção” deveria ter feito alinhar o Danilo desde o início em vez do William (ou do Adrien) e, note-se, eu cá não sou “empresário” de nenhum destes…
    — Pois, repetir-se-á:- “Tá bem, tá bem, mas fomos campeões europeus!”. Pois e eu também já disse e repito:- sim, fomos e somos campeões…apesar e para além do “nosso” treinador e das suas concepções “retranqueiras”…
    — Enfim, tenho estado a falar na parte do “evitar” os golos do adversário o que também pode parecer “retranca” da minha parte. Já falei do ataque. Disse que o “nosso” treinador “só” podia ter acertado ao fazer entrar o Ederzito naquele momento do jogo. Naquele momento, por exemplo, teria sido um erro o ter feito entrar o Danilo…para defender a ida aos penaltis…
    Ainda bem que neste jogo (e noutros) “Deus foi Português”…ou “a Nossa Senhora de Fátima intercedeu com mais eficácia que a Nossa Senhora de Lourdes”… E, aqui só para nós, ainda bem que o tal Didier Deschamps substituiu o Moussa Sissoko…

    Viv´ó Futebol-Espectáculo !
    Viva Portugal livre e soberano !

    João Dinis, Jano

    • Eusebístico

      Viv´ó golo, em orgasmo simbólico, na baliza do adversário…ou não?
      Por certo, convirá, (ainda) é o “obectivo” do futebol…
      Por que, NA PRÓPRIA BALIZA, enfim…será o oposto, convenhamos, também, o desorgasmo catastrófico – e viva a Língua Portuguesa!
      Depois deste europeu, qual “epopeia”, com décadas de História, deixemos os seguintes recados – aos dirigentes dessa coisa a que se atribuiu o excelso nome de federação… e arredores…ao Novo Banco e à cambada de mamadores da situação que venderão, sempre, o produto que o negócio quer ver mais rentável…e às televisões, rádios, jornais,, aos “paineleiros” dos programas de televisão, que nada percebem de bola, e não dizem que não – retiro o João Alves, enfim, também não tinha nada que andar por aquelas bandas:
      1- Que a esmagadora maioria dos jogadores desta selecção
      são, como há centenas de anos, portugueses emigrados, que foram vendidos e comprados e, até, alguns regressam, apenas um, em jatos particulares; magnífica condição, que não é, de todo, a condição dos outros Portugueses espalhados pelo mundo;
      2- Que a esmagadora maioria destes jogadores ,nesta selecção Portuguesa, é da condição de de emigrante…muito bem pago . (Uns mais do que os outros!)
      3- Que o sr Engenheiro, que de parvo nada tem, se dedicou esta vitória , no final, a Jesus Cristo, e à sua mãe – e não a deus! Até nisso se enganou. Dada a emoção do momento, ou à deficiente leitura da bíblia? – mais honesto teria sido, como quem diz, mais “Terra-a-terra”, porque é de futebol que se trata, que tivesse agradecido a S. Pepe, a S. Jorge Patrício, aos jogadores, aquela vitória !
      4- Infelizmente, e definitivamente, a nossa condição de Português é a de emigrante, hoje, até no seu próprio país, ou a representá-lo:
      – O sr Engenheiro, até, no final, na entrevista que deu, oficial, antes de se levantar e dizer coisas em Português, PREFERIU MANIFESTAR-SE EM GREGO, EM VOZ DIRECTA E SEM TRADUÇÃO – que ele próprio fez! –
      e dizer que os gregos….sem ele, “não são nada”!- e trazia 8 jogos de castigo; Cristo, fez 13.
      Deixe-se, por isso, também, sr João Dinis, de esteticismos…e narcisismos…
      Pelo menos no futebol…
      Pelas responsabilidades que tem, num país que se quer democrático, coloque lá o futebol onde deve ser colocado.
      Um país que valoriza mais o futebol – ou já se esqueceu das origens deste desporto? – do que a condição dos seus cidadãos é, há muito, um país do 3º mundo!
      E nós, em Portugal, temos essa condição, desta vez, em pleno:
      – Somos um país com a cabeça na (copa da) europa e a carteira num qualquer país do 4º mundo.

      • joao dinis jano

        Et Voilà.

        E todavia ela move-se… E todavia o Futebol é rei.

        Paciência. E por mais ciência que se queira “inventar” assim é . Falar de futebol é falar sobre o primeiro grande espectáculo de massas do planeta! Dissertações sobre “o resto” são variações sobre este mesmo tema…

        Como ignorar este fenómeno de massas e sua influência sobre as vidas de milhões de seres humanos e dos melhores que há inclusivamente ?

        Tomem nota: há um espectacular filósofo sobre este espectáculo – o Jorge Valdano, campeão do mundo em selecções de futebol pela Argentina – que, em função dos seus escritos “estilísticos” sobre futebol já merece um Prémio Nobel da Literatura ! E temos dos maiores cientistas em várias ciências que trabalham no futebol. Ou seja, não há só vígaros e mercenários…

        A própria luta a travar contra os aspectos da alienação política e ideológica, alienação que se aproveita do fenómeno futebol, essa (nossa) luta é das mais difíceis de travar e, por isso, também é das mais exaltantes.

        Para se discutir a sério sobre futebol, é também preciso ser-se sério. Daí, o futebol também ter uma escola de ética e de vida, para além da física, da dinâmica, da medicina, e etc.

        Pode amar-se o futebol…como se ama a música ! Sentir 80 mil pessoas, de todas as condições, a vibrar num estádio de futebol, produz sensações que a 5ª Sinfonia do Beethoven não atinge e ouvir e sentir a 5ª já nos leva para outra dimensão. E agora?!…

        E Hitler “adorava” a música de Wagner, sabiam ? E que culpa teve Wagner disso ? “Apenas” a culpa de ser um músico genial.

        Dito de outra forma, quem vos disse que ser-se comunista é ser-se cego ou alienado…pela política…pregou-vos a maior das pêtas !

        Viv´ó Golo !

        Viva Portugal livre e soberano !

        João Dinis, Jano

        • Eusebístico

          Jorge Valdano é argentino.
          Jorge Valdano é escritor? De quê?
          De democracias? Da infindável – e Nobel – literatura sobre a libertação da américa latina?
          Jorge Valdano, se bem verte em futebol, é porque conhece os segredos da “velha” europa…e dum futebol…que já foi…
          Se me não engano, Jorge Valdano foi jogador de futebol.
          Se me não engano, ouvi, em documentátio realizado sobre a selecção argentina de futebol, dito por Jorge Valdano, que ,em 1986, o pior era “assistir”, como espectador, ao “espectáculo ” dado por Maradona: involuntariamente, todos os jogadores da selecção argentina “eram convidados” a assistir…e não participar…no jogo.
          Ganharam, creio, em 1986, na final,à Alemanha…depois da “mão de deus” e do melhor golo observado de Maradona…contra a Inglaterra…
          (Substimamos, creio eu, Jorge Best, que nunca escreveu textos sobre futebol….mas que, de longe, à excepção de Pelé, Eusébio e Maradona, deixou, no futebol, uma das melhores marcas…
          Se me não engano, Valdano, era jogador de futebol…
          MAS NÃO É ESCRITOR…
          DE COISA NENHUMA.
          Prefiro Gabriel Garcia Marques, o mestre do “catorze” Vinicius, e tantos outros.
          Beethoven?
          Wagner?
          À pala de quê?
          O sr João Dinis parece o Durão, o Barroso:
          – Tantas vezes ouviu – os segredos da GS e da UE – Beethoven, e as entradas e saídas das suas sinfonias , que resolveu dedicar-se a conselhos…e a “chairman”.
          Se Mozart estivesse no tabuleiro, sr João Dinis, o sr haveria de ver…
          Hitler?
          À pala de quê?
          Wagner?
          Nem imagina o que os judeus pensam sobre isso…
          Com razão.
          Deixe lá o Valdano.
          Mourinho, o José, creio eu, também, quando chegou ao Real Madrid, fez questão de o “deslocar”.
          Sr João Dinis: futebol e democracia?
          Tenha juízo!
          Cumprimentos.

  • joão dinis, jano

    Sempre futebolando…

    Reitero o essencial daquilo que disse, antes, nos bons e maus momentos do torneio do Europeu-Selecções da nossa vitória.

    A vitória (quase) tudo apaga. O “destreina-retranqueiro” – acaba de renovar contrato como seleccionador nacional. Vamos continuar na retranca…Veremos se vamos ganhar mais alguma final.

    Vejamos mais um sinal claro da minha razão… E eu não quero ter razão sózinho, acreditem !

    No “onze” idealizado pela própria UEFA, temos 4 jogadores da nossa Selecção. Um deles é Cristiano Ronaldo que este ano vai ganhar o primeiro lugar da Bola de Ouro…a não ser que o Griezemann se intrometa o que, se até acontecer, não será “escândalo”. Afinal, o Griezemann jogou duas finais – Champions e Europeu – esta época e foi o melhor marcador e foi considerado o melhor jogador do Europeu… Pois, mas o Cristiano ganhou essas duas finais “contra” o Griezemann… Já o “ET” do Messi deu maus sinais para os “mercados” com aquela coisa da declaração acerca do seu abandono da Selecção Argentina…

    Mas eu ia a dizer que temos 4 jogadores no onze ideal do Europeu. Sim, um deles é o Ronaldo e os outros três são- Rui Patrício – Pepe – Raphael Guerreiro — portanto, um guarda-redes e dois defesas ! Lá está, brilhámos mais na defesa. Porquê ? Porque será que uma selecção campeã afinal brilha mais na defesa ?!… Retranca;retranca; meus Caros.

    O Cristiano foi o mais influente jogador – dentro e fora do campo. E o “destreina-retranqueiro” teve que o aturar, teve que o deixar “mandar”. Imaginemos o que teria acontecido se em vez do “destreina-retranqueiro” lá estivesse o Mourinho, naquela final contra a França, por exemplo ?!

    Mas vamos com calma. Reveja-se aquele golo do Ronaldo de calcanhar…foi suave…elegante…inteligente…belo…bailado…golo! E aquele outro golo de cabeça, lá do alto? Completo…atlético…estilista…forte…controlado…enérgico…golo ! Pois, dos seis golos mais bonitos, mais “futebol-espectáculo”, deste Europeu, dois desses seis golos são do Ronaldo… Ou seja, o Ronaldo é uma máquina de fazer golos (embora tenha deixado de demarcar uns dois mais e de forma como não costuma falhar…). Enfim, se fôssemos nós, também teríamos “aturado” o Ronaldo…

    Sim, mas o Rui Patrício defendeu mais golos “feitos” do que aqueles que realmente sofreu ! Viv´ó Rui Patrício !

    João Dinis, Jano

    • Eusebístico

      “Mestre” João Dinis, Jano.
      Longe de nós, nos tempos que correm, colocar o futebol FORA da democracia.
      Apesar dos escândalos todos, da base ao topo – entenda-se, desde o desnutrido garoto africano, ou sul americano, ou asiático, ou português (porque não?) – até aos que à FIFA competem , digamos, daqueles que são da sua responsabilidade, com a UEFA e as outras desfederações todas…até, com monsieur Platini à cabeça…e os outros.
      Verdadeiro negócio de escravos…contemporâneo, e altamente rentável…
      Democracia? Como quem diz: todos, mas mesmo todos, esses garotos, ou garotas, estarão, hoje, como crianças, futuros cidadãos, à escala do planeta, nas mesmas condições?
      Mesmo assim, damos de avanço essa ” varinha mágica” que transforma um “descalço”, “desnutrido”, “órfão de tudo”, cidadão de aldeia, vila, ou bairro de cidade – que , por não ter outros problemas para resolver que não seja o da ocupação do tempo,e crescimento, sem escola, formação social, graças à televisão, mas com presente, sem passado ou futuro, que o não tem, ou teria, que os seus antecessores também não o tiveram, e não teríamos os melhores artistas da bola. Sem futuro?…- em cidadão do mundo. A velha ascensão da escala social…
      Não é verdade, nesta escala de ascensão social, que os melhores, assim, sejam reconhecidos como tal. Milhões, ficaram ao lado.
      O sr, como tantos de nós, quando começou a estudar a História, terá aceite, sem contestar, que o Vaticano era um “estado dentro de um estado”.
      Hoje, dizemos que o “Futebol”, como o conhecemos, é “um estado dentro de muitos estados”, nações.
      Ou seja: os ditâmes da máfia que gira à volta dessa coisa a que o sr chama de futebol sobepôem-se às próprias leis que os estados, nações, durante centenas de anos, construiram em prol da democracia – a França, exemplarmente, apresenta, neste momento, verdadeiras selecções africanas a competir em torneios da europa…
      Nós, portugueses, eventualmente, não lhes ficamos atrás: os melhores artistas de futebol , hoje, são “multicolores”…mas emigrados.
      Apesar da sua – mais que válida! – aversão a Fernando Santos, parece que o sistema o consagrou, como seleccionador, por mais 4 anos…
      E agora?
      Foi o Novo Banco?
      Foi o presidente da República Portuguesa?
      Foi o povo português?
      Não sei.
      Nem me interessa.
      Sei que, neste país, mais tarde ou mais cedo, o futebol, como se conhece, terá que ser colocado no seu verdadeiro lugar.
      Como, de resto, tudo.
      Confesso que ainda me lembro, orgulho vago, da 1ª vez que vi a bandeira nacional subir ao topo de uma competição olímpica, ainda por cima, na maratona: Carlos Lopes; depois, alguns anos passados, na mesma disciplina, mas no feminino, com Rosa Mota.
      Ou seja: desporto e democracia? Sempre.
      Futebol e domocracia? – remeto-me à brasileira expressão que ensina que é “entregar o ouro ao bandido” – e os brasileiros já não metem, futebolisticamente, medo a ninguém. Apesar.
      Cumprimentos.