“Em Oliveira do Hospital temos um nível de desemprego muito superior à média nacional”

Depois de ainda na semana passada, a administração da Fabriconfex ter optado pelo caminho da insolvência, lançando 180 trabalhadores para o desemprego, José Carlos Alexandrino fez hoje uso da sua intervenção na inauguração do novo Centro de Actividades Ocupacionais da ARCIAL para expressar a sua preocupação relativamente ao “drama” do desemprego.

“Em Oliveira do Hospital temos um nível de desemprego muito superior à média nacional”, alertou o autarca, apelando à “atenção dos responsáveis políticos regionais e nacionais”.

Preocupado com “a economia do concelho e da região”, Alexandrino informou que a Câmara Municipal está “do lado das soluções” e apelou à colaboração dos ministérios do Trabalho e Solidariedade Social e da Economia na resolução dos problemas que afectam o concelho.

“Queremos um concelho coeso socialmente, onde não haja exclusão, nem pobreza”, continuou o edil, posicionando-se em defesa de uma “economia competitiva”.

Com um discurso endurecido, José Carlos Alexandrino alertou ainda para “injustiça que está a ser feita à nossa região”, onde existem “empresas exportadoras que geram riqueza e emprego para o concelho e região Centro do país”.

“As estradas que temos hoje são do tempo da monarquia, com alcatrão por cima”

Entre os responsáveis pelo aumento do desemprego, o autarca localizou a falta de acessibilidades condignas. “Continuaremos a reivindicar a justiça de termos direito aos Itinerários Complementares que nos foram prometidos”, assegurou, lembrando que “esta região está visivelmente encravada em termos de acessos”.

Aos convidados que, hoje, participaram na inauguração do CAO da ARCIAL, Alexandrino explicou que as estradas que usaram para chegar a Oliveira do Hospital “são do tempo da monarquia, mas com alcatrão por cima”.



Crítico em relação aos “disparates” proferidos por “alguns técnicos” de Lisboa, o presidente da Câmara esclarece que aquilo que a região reivindica “não são auto-estradas”, mas sim “estradas dignas desse nome”.

A liderar um processo no qual cerca de 30 autarcas da região solicitaram uma audiência, com carácter de urgência, ao ministro das Obras Públicas, Alexandrino voltou hoje a defender a “união” como forma de “reivindicar aquilo a que a região tem direito”.

Não deixou, contudo, de dirigir uma palavra de apreço ao ex-eurodeputado António Campos que – como disse – “é um homem que sente isto com inconformismo e injustiça”.

Ainda na área do emprego, Alexandrino tornou pública a reunião que vai ter sexta-feira no ministério da Economia, onde espera resolver o problema de desemprego de 120 pessoas. “É o problema da HBC”, afirmou, na esperança de que a Segurança Social “esteja do lado da solução e não do problema”. Segundo adiantou, a reunião vai ainda contar com a presença do investidor interessado naquela unidade industrial, que está inactiva desde meados de 2009.

O caso da HBC vai, também amanhã, estar em destaque no âmbito do plenário que terá lugar nas instalações da empresa pelas 14h30. A informação foi confirmada, há instantes, pela presidente do Sindicato dos Têxteis e Vestuário do Centro que se recusou, contudo, a adiantar mais informações sobre aquele plenário.

Sublinhe-se que comparativamente a Janeiro de 2009 (735 desempregados), a taxa de desemprego no concelho de Oliveira do Hospital assistiu, em Janeiro deste ano (779), a um aumento de perto de seis por cento. O cenário agrava-se quando se estabelece uma comparação com o último mês de 2009 (709), já que o aumento do desemprego é de cerca de 10 por cento. Entre as estatísticas do desemprego, não constam contudo os 160 trabalhadores da HBC, os 30 da NVA que continuam com os contratos suspensos, nem os 180 da Fabriconfex que só na semana passada foram informados da insolvência da unidade de confecções. O mesmo acontece com o grupo de desempregados que frequenta os cursos de formação dinamizados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional.

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