O Mundo está numa profunda crise, o seu fim e as suas consequências são inteiramente desconhecidas.

Emprego vai ser o principal problema das gerações futuras

Penso que há muita leviandade nacional na sua análise, discussão e comportamento. Há um colapso do sistema financeiro, uma retracção enorme no consumo e investimento, com consequências dramáticas no emprego.

Sem a retoma do consumo não é possível fazer face ao desemprego. Aliás, o emprego, vai ser o principal problema das gerações futuras. As máquinas com inteligência artificial, o robot e a nanotecnologia vão cada vez mais substituir os cidadãos.

Hoje, em Portugal, o único emprego garantido é o do Estado. Mas o Estado precisa de uma enorme reforma, sem a qual não sobreviverá à contestação das sociedades. O Estado somos todos nós e essa máquina essencial é financiada com os impostos que pagamos.

A guerra de algumas forças políticas é pela diminuição dos impostos mas em simultâneo atiram para o Estado todas as responsabilidades. Há uma demagogia perigosa, o que pode pôr em risco toda a estabilidade nacional e mundial terminando tudo em violência como aconteceu com a crise que começou em 1929 e terminou na II Guerra Mundial.

Não há remédios milagrosos e num Mundo globalizado as soluções não são nacionais. Veja-se o nosso Concelho em que a principal indústria é a das confecções e mais de 80% é para exportação. Se o consumo diminui nos outros Países esta indústria não tem onde vender a sua produção e encerrará.

Em vez de vendedores da desgraça era fundamental apelar ao entendimento global para uma estratégia que reponha a confiança.

No dia 2 de Abril há uma reunião do G-20, isto é reúnem-se os chefes de governo das 20 maiores economias que representam mais de 90% da riqueza mundial.

Era fundamental que saísse dessa reunião um compromisso solene de total transparência no sistema financeiro, e uma reestruturação da acção e funcionamento dos Estados.

Os Estados têm de se tornar credíveis perante as sociedades, impondo regras de serviço colectivo e um combate sem tréguas ao corporativismo.

Em Portugal, Salazar instituiu um Estado corporativo que dominava pela força. Hoje, esse sentimento corporativo procura impôr-se em Liberdade.

São os médicos, são os professores, os juízes, os enfermeiros etc, que muitas vezes procuram servir-se do Estado em detrimento de o servirem. Numa sociedade justa todos têm de ter as mesmas oportunidades, mas como nem todos são iguais o Estado se quiser funcionar e ser respeitado tem de avaliar os seus funcionários como qualquer empresa particular o faz.

Os que servem a causa pública com empenho devem ser premiados, os que se servem dela devem ser penalizados. Com esta crise todos sentem que o papel do Estado deve ser reforçado, mas isso só é possível e aceite pela sociedade se essa máquina for exemplar e servida pelos melhores, caso contrário as alternativas surgirão.

No ensino, alguns Países pagam ao estudante para ele estudar e escolher a melhor escola pondo em risco a escola pública.

Na saúde vários Estados pagam ao doente para ele procurar o médico em quem confia. No sistema inglês o Ministério Público tem de dar satisfações do seu trabalho ao poder político.

Os políticos são avaliados de 4 em 4 anos mas os Estados não interferem no sistema financeiro, e todos vêem que em muitos casos são centros de corrupção e de lavagem de dinheiro.

Não interferem na justiça e, hoje, todos compreendem que não funciona.

A credibilização do Estado e a confiança no sistema financeiro, económico e da justiça são decisivas para se sair da crise e construirmos uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais livre.

Deposito alguma esperança na reunião de 2 de Abril e espero que novas políticas surjam e tornem as sociedades mais transparentes, mais responsáveis e mais justas.

António Campos
Ex-Eurodeputado do PS

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