Empresa concessionária à espera de autorização da Câmara Municipal

… praticamente concluído, a empresa concessionária continua à espera do aval da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital para a entrada em funcionamento.

Estava previsto o arranque para a primeira quinzena de Junho, mas até agora a água fornecida pelo sistema multimunicipal da Águas do Zêzere e Côa só chega às localidades de Póvoa das Quartas, Lagos, Lageosa e Meruge. É que por enquanto, a Câmara Municipal e a AdZC ainda não se entenderam relativamente à data para a activação do sistema que garante água de qualidade e em quantidade para toda a população. De momento, apenas a freguesia de Lagares da Beira se vê impossibilitada de ver correr água captada na barragem de Nª Sr.ª do Desterro, devido a uma lacuna que a AdZC pretende resolver até ao final do ano, e que se traduz na necessidade de instalação de um equipamento de pressão no reservatório de Travanca de Lagos.

Quanto às restantes localidades, a empresa concessionária garantiu ao Correio da Beira Serra já ter proposto ao município oliveirense as respectivas ligações. “Assim que seja obtida autorização para tal, a entrada em funcionamento decorrerá no prazo de duas semanas”, garante a administração da AdZC, deitando por terra as sucessivas justificações apresentadas pelo presidente do município de Oliveira do Hospital quando interpelado sobre o atraso verificado.

Ainda numa das últimas reuniões do executivo camarário, Mário Alves evocou o problema de Lagares da Beira para justificar o atraso das ligações, levantando ainda a questão do valor das rendas a pagar pela AdZC ao município. “O valor tem que ser avaliado e escalpelizado”, chegou a sustentar Mário Alves, denunciado até que outros municípios – Castelo Branco, como exemplificou – receberam “compensações” para aderir ao sistema. “Se eu não utilizar este argumento para tentar ganhar alguma coisa, então não ganhamos nada”, acabou por referir o autarca, que também já por diversas vezes fez eco contra os “ordenados milionários” auferidos pelos administradores da AdZC, em reacção à subida dos preços da água que se vão tornar numa realidade em Oliveira do Hospital.

Investimentos que “revolucionaram”

Sem querer alimentar as declarações proferidas por Mário Alves em reunião com os deputados municipais, o conselho de administração da empresa concessionária do abastecimento de água recusou-se a comentá-las, preferindo centrar-se na requalificação dos sistemas de abastecimento de água e tratamento de águas residuais. “Estes investimentos revolucionaram a situação de abastecimento e de saneamento no concelho, sendo evidente que, este aumento do custo seja repercutido no consumidor final”, adiantou o conselho de administração a este jornal, salvaguardando porém que o preço da água em baixa é determinado pela Câmara, já que a AdZC não comercializa os seus serviços directamente às populações.

A indicação de que o preço da água tenderia a subir não é de agora. Isto mesmo foi salvaguardado em Dezembro de 2004 por ocasião da assinatura do protocolo de adesão do município aos serviços da AdZC. Mas foi precisamente há cerca de um ano que começaram a soar os sinais de alarme pela voz do próprio presidente do município que chegou a considerar que “os custos propostos são extremamente elevados para aquilo que são as possibilidades económicas das gentes do concelho de Oliveira do Hospital”. Recorde-se que em face de uma proposta de aumento que oscila entre 33 e 46 por cento relativamente ao preço da água inicialmente previsto, Mário Alves usou da ironia para referir que “qualquer dia”, a solução poderá passar por “pedir para pagar a água e o tratamento de efluentes”.

Com uma previsão de conclusão do sistema multimunicipal que aponta para o ano de 2010, a AdZC garante que até ao momento é visível uma taxa de atendimento de mais de 90 por cento no que respeita ao abastecimento de água e de mais de 70 por cento em matéria de saneamento de águas residuais, num investimento total de 200 milhões de euros. Representando sete por cento do investimento total do sistema, o município de Oliveira do Hospital absorve uma fatia de 14 milhões de Euros.

De sublinhar que, desde o início do Verão passado que está em funcionamento a ETAR de Oliveira do Hospital, estando prevista a conclusão da ETAR de Vila Pouca da Beira para meados de 2009. Em curso está ainda a construção de outras seis estruturas semelhantes em Lagares da Beira, Santa Ovaia, Seixo da Beira, Alvôco das Várzeas, Bobadela e Sobreda. Para o próximo ano está previsto o início dos trabalhos da empreitada que abrange a construção das ETAR de Andorinha, Fiais da Beira, São Sebastião da Feira, São Gião, Travanca de Lagos e Lageosa. Em maior ou menor grau, a totalidade dos municípios que integram a AdZC – Aguiar da Beira, Almeida, Belmonte, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Fundão, Gouveia, Guarda, Pinhel, Penamacor, Manteigas, Mêda, Oliveira do Hospital, Sabugal e Seia – já estão a ser operados pelo sistema multimunicipal.

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