Empresa de confecções HBC reabre nos primeiros dias de Janeiro com 87 trabalhadores

Cerca de dois anos depois de ter entrado em insolvência, a HBC vai voltar a laborar com 87 trabalhadores. O processo burocrático está concluído e o contrato entre as partes envolvidas já foi assinado.

Quem vai tomar conta dos destinos da empresa fundada por Armindo Monteiro, que faleceu no mês passado, é o empresário da “CBI- confecções”, Francisco Batista.

O aparecimento do nome daquele empresário de confecções, que surgiu numa altura em que a reabilitação da empresa parecia condenada – em consequência da Mendes & Morais ter desistido do negócio –, deu um novo alento aos trabalhadores, que não poupam elogios à “seriedade” empresarial do novo dono da empresa.

Tido como um parto muito difícil, o caso da HBC chegou a ser dado como resolvido, em Julho deste ano, mas – inesperadamente – a Mendes & Morais acabou por recuar na sua intenção de reabrir aquela fábrica. “Os trabalhadores também são seres humanos e, muito sinceramente, acho que a atitude da Mendes & Morais em voltar atrás não foi correcta. Devia ter havido mais transparência no processo porque o que aconteceu não foi bonito”, referiu hoje a este diário digital aquela que foi uma das peças-chave na reabilitação da HBC – a presidente do Sindicato dos Têxteis, Lanifícios e Vestuário do Centro (STLVC).

“Não tenho palavras para classificar a atitude do presidente da câmara”

Sem conseguir esconder a emoção, Fátima Carvalho disse ao correiodabeiraserra.com que a HBC “é um processo exemplar ao nível da união de esforços” em torno de um objectivo, e as suas primeiras palavras foram para o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital. “Não tenho palavras para classificar a atitude dele… ainda há pouco estive ao telefone com o Secretário de Estado da Economia, e disse-lhe que se tivéssemos muitos presidentes de câmara como ele, teríamos com certeza um país diferente”, desabafou a conhecida sindicalista.

A presidente do STLVC diz mesmo que a “abertura da HBC deve-se ao esforço” de José Carlos Alexandrino que – conforme sublinhou – “lutou até ao último minuto e foi ele que conseguiu uma saída”. Elogiando a atitude “pró-activa” do autarca de Oliveira do Hospital, que considerou dever constituir um exemplo nacional, Fátima Carvalho salientou ainda a existência de “uma unidade muito forte entre o presidente da câmara, o sindicato e o administrador de insolvência”, Rui Castro Lima.

Sindicalista compara trabalhadores da HBC aos mineiros do Chile. “Nunca baixaram os braços”…

Relativamente aos trabalhadores – muitos deles já estavam sem subsídio de desemprego –, a sindicalista comparou-os aos mineiros do Chile. “Estou muito feliz pelos trabalhadores. Apesar da angústia e do sofrimento, nunca baixaram os braços”, frisou.

Depois de ter comprado a empresa por 150 mil euros – a penhora do imóvel, na zona industrial da cidade, mantém-se à ordem da Segurança Social durante três anos –, o novo dono da HBC fica obrigado a manter os 87 postos de trabalho durante aquele período de tempo. A responsável do STLVC acredita que “o projecto vai vingar” e a expectativa é que ainda possa haver mais admissão de trabalhadores.

Relativamente ao empresário que nos primeiros dias de Janeiro vai abrir as portas da fábrica – “já está a entrevistar pessoas”, sublinhou a sindicalista – Fátima Carvalho define-o como “uma pessoa com uma lisura e uma seriedade muito grandes”.

Numa situação pouco usual, a “dama de ferro” do STLVC deixa inclusivamente uma palavra de reconhecimento aos media. “Conseguimos mobilizar toda a gente, e também estão de parabéns os jornalistas que sempre nos ajudaram a fazer eco desta situação”, sublinhou.

Um “processo sofrido e muito difícil”

Contactado por este diário digital, o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital foi parco em palavras e limitou-se a dizer que se tratou de “um processo sofrido e muito difícil”. José Carlos Alexandrino, explicou que tudo resultou de “um empenho muito grande” de Fátima Carvalho, do gestor de insolvência e, ainda, do governador civil de Coimbra, Henrique Fernandes.

“São pessoas a quem Oliveira do Hospital fica a dever um reconhecimento público”, disse o autarca, que aproveitou para manifestar confiança relativamente aos tempos que se avizinham para a indústria de confecções.

N.R: Por dificuldades técnicas, este texto não se encontra, por enquanto, escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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