Empresa de Oliveira do Hospital oferece possibilidade de conhecer beleza de rios e albufeiras em cima de uma prancha

Empresa de Oliveira do Hospital oferece possibilidade de conhecer beleza de rios e albufeiras em cima de uma prancha

Oliveira do Hospital conta, desde Fevereiro, com uma empresa que oferece serviços lúdicos inéditos no interior do país. Trata-se da SUP In RIVER que permite a prática de uma modalidade (Stand Up Paddle Board), que surgiu nos Estados Unidos e que se tem desenvolvido na Europa nos últimos 15 anos e, agora, também um pouco no litoral português. Uma actividade que oferece às famílias a possibilidade de percorrerem em cima de uma prancha os rios e lagoas da região de Oliveira do Hospital e zonas envolventes. “Uma forma diferente, tranquila e relaxante de visitar locais inacessíveis por outros meios”, referem os promotores desta empresa.

Apaixonado pelo surf, uma actividade à qual esteve ligado nos últimos dez anos, Rui Magalhães, 40 anos, resolveu abandonar há cerca de ano e meio Lisboa e regressar ao interior, juntamente com a esposa. Ele ligado ao surf, ela mais virada para a gestão. Chegaram com a ideia de se dedicarem à agricultura e à produção de pêra seca. Apresentaram um projecto no âmbito do PRODER. Mas o resultado tarda em sair. Sem saber o que fazer, Rui começou a olhar à sua volta e a observar que tipo de actividade podia explorar. Viu a beleza dos vales, da montanha e dos vários leitos de água. Achou que seria boa ideia reproduzir no interior de Portugal, em Oliveira do Hospital, a ideia lançada por Laird Hamilton no Havai. Uma nova modalidade baseada no surf para ocupar os apaixonados quando o mar não tinha ondas. Trata-se do “Stand Up Paddle Board” que traduzido à letra dá qualquer coisa como levanta-te e rema… no caso, por rios e lagoas. A iniciativa conquistou mesmo o terceiro lugar no concurso municipal de ideias de negócio “Empreender + Oliveira do Hospital”.

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“Olhei para todos estes recursos locais e achei que faltava algo aqui para ajudar a explorar o potencial turístico dos locais com água. Temos, entre outros, os rios Vouga, Dão, Mondego e Alva, albufeira da Aguieira ou a Lagoa Comprida na Serra da Estrela. Senti que podia fazer algo. Actualmente, os hotéis são iguais em todo o lado, a oferta logística é semelhante, o que ajuda a decidir para onde nos deslocamos para passar os tempos livres é a oferta que nos fazem. O que esta zona consagra é excelente”, conta Rui Magalhães, que avançou para a compra de 12 pranchas (custando cerca de mil euros cada uma) e respectivos apetrechos, num total de cerca de 40 mil euros e terá ainda a ajuda dos oito mil euros do concurso municipal. Mas a empresa já funciona desde o final de Fevereiro.

Um caso inédito no interior de Portugal de uma actividade que já é desenvolvida no litoral. “Quero que as pessoas de Oliveira do Hospital tenham orgulho de receber uma actividade pioneira”, explica Rui Magalhães que enumera as imensas vantagens desta actividade lúdica. Uma delas é o facto de poder incluir nos passeios gente de todas as idades, permitindo excursões agradáveis em família. “Com a prancha temos a possibilidade de ir a locais que são inacessíveis por outros meios. Contemplar a beleza natural destes locais, o silêncio no meio de um lago”, sublinha, referindo ainda que as vantagens para a saúde são inegáveis. Rui aponta o do “Stand Up Paddle Board” como um dos melhores anti-stress existentes e um desporto que permite enormes vantagens cardiovasculares. Além disso, é extremamente seguro. As pranchas são de versão insuflável, o que evita que alguém se magoe em caso de queda e quem não sabe nadar leva o respectivo colete salva-vidas.

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Os clientes que mais têm procurado a sua empresa são os estrangeiros. Os portugueses nem tanto. “Mas a empresa e esta actividade lúdica também ainda não é conhecida”, frisa. E, ao contrário daquilo que se poderia pensar, não estamos a falar numa actividade de Verão, mas sim de todo o ano. “Nos outros países é praticado mesmo com neve. Há o recurso a fatos térmicos e pode e deve ser realizado durante todo o ano”, explica, garantindo que um dos seus objectivos é atrair os surfistas e praticantes desta modalidade para o interior. “Se não têm ondas, venham ver as nossas paisagens naturais numa prancha”, brinca Rui.

O próximo passo pode ser a aquisição de uma tecnologia de “leds” que permite passeios nocturnos. “Está agora a ser utilizada nos Estados Unidos e é espectacular. Talvez venhamos a ter aqui”, conta Rui Magalhães, que ainda não perdeu as esperanças de ver a sua empresa crescer, criar postos de trabalho. “O potencial é grande”, diz. Além disso, continua a aguardar pelo projecto das peras secas.

 

 

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