Empresário oliveirense desiludiu trabalhadores da Qimonda

“O que nos foi apresentado, foi um enumerar de ideias um pouco vagas. Este projecto precisa de ser estruturado, precisa de ter mais dados, de ser suportado melhor financeira e tecnicamente”, frisou, ontem aos jornalistas, Jorge Sousa, o porta-voz da Comissão Instaladora de Trabalhadores, à saída da reunião, admitindo a “desilusão”, perante a falta de uma proposta mais concreta para a compra da unidade de Vila do Conde.

O Empresário de Oliveira do Hospital, João Paulo Tomás, que se diz representante de um consórcio de quatro empresas alemãs interessadas na Qimonda de Vila do Conde, equacionou a reformulação da proposta que já foi alvo de críticas por parte da Agência Portuguesa para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

Para além da AICEP ter considerado que o empresário oliveirense está a criar “falsas expectativas” junto dos trabalhadores, também por parte da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e do Núcleo de Desenvolvimento Empresarial do Interior e Beiras (NDEIB) surgem alguns alertas.

Segundo informação veiculada pela agência Lusa, Paulo Tomás apresentou, em 2006, junto da autarquia oliveirense o projecto de um consórcio luso-alemão para produzir componentes para a indústria aeronáutica que, afirmava, iria criar mais de mil postos de trabalho.

O empresário pedia a concessão de uma grande área para a construção da unidade e o apoio da autarquia, disse fonte da Câmara Municipal, explicando que depois de vários contactos informais, a autarquia percebeu que “tudo não passava de uma aventura sem qualquer sustentação”. Paulo Tomás justificou agora o desinteresse com o argumento de que os sócios alemães preferiram apostar noutra localização.

Também Fernando Tavares Pereira, presidente do NDEIB dá conta de que vários associados se arrependeram de fazer negócios com o empresário. “Não é uma pessoa que tenha trazido qualquer contributo positivo para a região”, referiu Tavares Pereira à agência Lusa.

Confrontado com esta observação, João paulo Tomás recusou-se a discutir a “opinião dessas pessoas”, considerando que “cada um tem a sua opinião”.

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