José Carlos Alexandrino contra transferência de competência para os municípios

Enigma de 381 mil euros marcou a Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital

A Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital ficou marcada por uma intervenção do eleito António Lopes que questionou uma alegada falta de 381 mil euros nos documentos de informação sobre a situação financeira do município entre as contas apresentadas em Janeiro e as que foram levadas a esta reunião. O presidente da autarquia não conseguiu explicar os números. O deputado do CDS-PP Luís Lagos ainda avançou a possibilidade daquela diferença se dever a verbas do PRODER, o que foi negado de imediato por um funcionário da autarquia que José Carlos Alexandrino chamou para tentar resolver o impasse, mas que também não conseguiu dar uma explicação concludente. José Carlos Alexandrino prometeu, então, que os devidos esclarecimentos serão prestados na próxima AM, onde fará questão que esteja um responsável pelas finanças do município.

“Sou presidente, não sou contabilista. Tenho inteira confiança nos meus serviços. Na próxima assembleia estará aqui um responsável pelas finanças para esclarecer todas as dúvidas”, referiu José Carlos Alexandrino, sobre a dúvida apresentada por António Lopes que tinha por base o facto de no dia 31 de Janeiro o documento apresentar 1.054.997 euros de disponibilidades, em Fevereiro e Março, a Câmara ter conseguido uma receita positiva de 72.868, 33 euros, mas a disponibilidade reflectida ser apenas de 746.833,94 no final de Março. José Carlos Alexandrino, porém, fez questão de dizer que nunca foi condenado por desvios ou corrupção.

António Lopes respondeu que nunca colocou em causa a honestidade de ninguém, apenas acusa a estrutura autárquica de incompetência. “O senhor presidente da Câmara leva para a desconfiança, aquilo que eu chamo de incompetência. Lá sabe porque reage assim. O que disse é que há incompetência e muita. Se o senhor presidente não me sabe explicar esta diferença, como é que vou aprovar as contas?, questionou António Lopes, frisando que não se podem apresentar números sem ter como os explicar num município que gere milhões de euros. “É possível que aqui haja um erro. Mas isto não é a tasca da esquina”, sublinhou.

O eleito do CDS-PP, explicando que é lamentável que tenha de ser um eleito da oposição a tentar explicar, avançou a hipótese daquela diferença ter a ver com eventuais verbas de programas comunitários. “Esse montante não terá a ver com a verba do PRODER. É que as verbas são parecidas. É lamentável que seja um deputado do CDS a tentar explicar isto, mas o PS não é bom em contas”, atirou em tom de gozo Luís Lagos. Esta possibilidade, contudo, foi afastada por Francisco Rodrigues que José Carlos Alexandrino chamou para tentar fazer luz sobre o problema.

O eleito António Lopes voltou a frisar que estava ali para falar de números e não de questões pessoais. “Não me dá gozo nenhum ver aqui tantos números que não batem certo. Se estivesse ali sentado [na presidência da AM] os números não andavam assim”, disse, insistindo que não o preocupa o facto de o tentarem denegrir do ponto de vista pessoal. “Quanto mais mal dizem de mim aqui, melhor me sinto. É sinal que estou a cumprir aquilo para que os oliveirenses me elegeram”, atirou, pedindo aos eleitos da Assembleia Municipal que exerçam as funções para as quais “receberam o voto do povo”. “Então qual é nosso papel aqui? Então nenhum número bate certo e nós ficamos calados?”, questionou.

As contas da água é outro dos temas em que António Lopes continua a interrogar o executivo municipal, acusando a equipa liderada por José Carlos Alexandrino de ser incapaz de fornecer um número exacto sobre o défice. E também neste aspecto, diz, gostaria de ver uma atitude mais fiscalizadora por parte dos restantes eleitos, principalmente os presidentes de junta, dado acreditar que a autarquia está a cobrar aos munícipes 300 mil euros a mais que aquilo que deveria.

“Os senhores da Assembleia a Municipal pensam que estão aqui na desportiva e que não têm responsabilidades. Mas têm e vão assumi-las. Mandei todos os documentos da água a todos os eleitos, são documentos da Câmara, e o senhor presidente disse lá que a que a água custou 1.787.000 euros, mas as facturas indicam menos 238 mil e as contas da Equipa Multidisciplinar menos 481 mil. Enfim, foram buscar mais 300 mil ao bolso dos munícipes e ninguém está preocupado? Senhores presidentes de junta, as pessoas nas vossas freguesias estão a gemer com mais 300 mil euros e os senhores ficam aí impávidos e serenos? Vão daqui com a consciência tranquila? Estão a fazer vosso trabalho? Afinal qual é nossa missão aqui? Não é fiscalizar a Câmara? Andamos a brincar com coisas sérias?”, disparou, o que levou um ou outro eleito a acusar o anterior presidente da AM de os estar a chamar incompetentes. Lopes respondeu que “uma boa oposição faz um bom governo”, lembrando que no anterior mandato havia três vereadores experientes que faziam “a diferença ao exercer o direito à oposição como devia ser”.

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  • A verdade

    Enigma de 381 mil? E os outros enigmas que já existem à varias assembleias atrás?
    Esta assembleia gravada dava um filme cómico para os de fora e trágico para os oliveirenses.
    Acho que tanto a equipa municipal como a assembleia não mais reúnem condições para prosseguir, a sentença que se espera vai ser uma bênção para todos, até para os incompetentes que lideram.

  • Pois É

    Pois é… o homem descobre-lhes as incompetências, depois não gostam dele…Deve ter sido violento ter lá a metido uns ainda mais incompetentes…”Depois de mim virá quem me fará bom”..! Em boa verdade desde que o Mário Alves saiu da “Kembra” aquilo não se parece com nada…Não há lá quem saiba juntar dois números…Aquele pessoal é mais para festas e concursos de Páscoa e Natal…Tem que ser um membro da AM que vive “detrás de serra” a abrir os olhinhos a esta gente. O Nosso presidente é mais para olhar “para os grandes engenheiros que fazem grandes obras e escrevem livros”…Vai lá perder tempo com mixoroquices…

  • Politicalex

    É chamar o Almirante Karl Donitz: Esse é que foi o pai da “Enigma”

  • Fotogenia

    Só o arzinho com que eles estão, nesta foto, diz tudo..! Estão mesmo com ar de dever cumprido..!

  • JPCRUZ

    É o k dá neste mandato temos prof´s a gerir os destinos da autárquica e depois pior que isso é que não tem um chefe contas como deve ser para fazer os relatórios de contas.
    Parece que no mandato anterior as coisas corriam melhor porque o Paulo rocha é que limava as contas agora o sem O Paulo rocha chegamos ao descalabro .
    Eu aconselho o Senhor Presidente da Câmara a contratar pelo menos um bom professor de matemática para ver se as contas começam a abater certo.

    • Assurancetourix Das Beiras

      Caro Cruz,

      Há professores e professores… O meu caro não tem cuidado com as generalizações, depois sujeita-se a ser confrontado com elas.

      • JPCRUZ

        Senhor Assunancetourix das Beiras se o chapéu lhe serviu na cabeã o probelma é seu, agora que esta é triste realidade á isso é…

        • Assurancetourix Das Beiras

          Não serve, até porque não sou gestor dos “destinos da autarquia”. Que é gerida por professores, é verdade. Que a má gestão, a falta de transparência e a tendência para o favorecimento se deva ao facto de serem professores, não posso concordar. Há por esse país fora gente com carácter e sentido cívico, de todas as áreas políticas e diversas formações e ocupações. Estranho como um jovem assumidamente comunista aceita o exercício do poder pelo “povo”, pelo “proletariado” e critica toda uma classe profissional, generalizando a incompetência de alguns.

          Cumprimentos.

  • drone

    Pois é, mas as contas já vêm – e bem – “viciadas” desde o 1º mandato .Mesmo com aquele que foi comprado e se vendeu .
    quem foram os protagonistas ?
    Todos os que agora andam às turras e andaram sempre em festas e restaurantes, provas de vinhos, queijos e porquinhos

    • António Lopes

      Se essa conversa é comigo, explique-se: Pelos vistos sabe mais que eu..! Sendo que, sempre afirmei que, o PS, no primeiro mandato estava em minoria.Sempre disse que, a AM, fazia os serviços mínimos. A cada um as suas responsabilidades.Pelas minhas, estou disponível a prestar contas quando e onde os Munícipes quiserem..! E, acho muito bem que mas peçam..! A mim , e a todos…