Entrada na CIM da região de Coimbra não é consensual em Oliveira do Hospital

 

… é uma forma de o concelho “ter voz e presença em Coimbra”.

A dar cumprimento a uma imposição de Bruxelas, a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Centro prepara-se para propor à Assembleia da República a adesão de Oliveira do Hospital à Comunidade Intermunicipal (CIM) da região de Coimbra. Contudo, a adesão do concelho oliveirense à nova entidade político-administrativa, que se afigura como a mais populosa da região centro – reúne 19 municípios do Baixo Mondego e Pinhal Interior Norte, num total de 460 mil habitantes – está longe de ser consensual.

Do agrado do presidente da Câmara Municipal, a medida não convence eleitos do próprio partido, PS, que não vislumbram qualquer vantagem na entrada do município na CIM da região de Coimbra. “Vamos ser comidos pelo litoral, porque em Coimbra estão-se a borrifar para a região de turismo da Serra da Estrela e para o queijo. Eles querem é praia e têm outros interesses que não são os nossos”, afirmou o socialista Carlos Maia, avisando que o próximo Quadro Comunitário vai privilegiar os investimentos nas “zonas fronteiriças”.

Para o socialista, o caminho a seguir por Oliveira do Hospital deve ser o de aproximação à Serra da Estrela. “É de toda a conveniência”, entende Carlos Maia defendendo a integração na NUT da Guarda, Seia, Gouveia, Fornos, Celorico e Covilhã, pelo facto de manterem “interesses comuns”.

Do mesmo modo, Maia chama a atenção para o facto de se tratar de “uma região mais desfavorecida”, e que acredita que irá beneficiar de “políticas de coesão e de investimentos”. Na prática, do que o socialista receia é que Oliveira do Hospital saia prejudicado por integrar uma CIM da qual faz parte Coimbra que “tem rendimentos per capita superiores aos municípios à sua volta”. “O litoral e Coimbra têm levado tudo e não nos têm dado nada”, avisa o eleito, desafiando a Assembleia a lutar contra aquela intenção.

“Acho que nos devemos manter na Serra”, disse João Dinis, eleito pela CDU, também apoiado pelo social-democrata João Esteves, na certeza de que o “próximo Quadro Comunitário vai contemplar as regiões mais desprotegidas”. “O concelho tem interesse em estar numa zona mais desfavorecida, porque poderá beneficiar”, referiu, defendo a adesão de Oliveira do Hospital à região das Beiras e Serra da Estrela.

Uma opinião que não convence o social democrata Rui Abrantes que não deixou de criticar a discussão daquela matéria em Assembleia Municipal, quando afinal não cabe àquele órgão tomar uma decisão. “É um não assunto”, chegou a considerar.

“Não nos podemos desvalorizar”

À semelhança do que já tinha deixado expresso em reunião do executivo municipal, o presidente da Câmara Municipal defendeu a adesão de Oliveira do Hospital à CIM da região de Coimbra. “Não nos podemos desvalorizar, temos que ter voz e presença em Coimbra”, referiu José Carlos Alexandrino, contando, porém, não ter sido esta a sua primeira opção. “A minha estratégia de NUT era aglutinar Arganil, Tábua, Góis, Pampilhosa, Seia, Gouveia, Celorico e Fornos, mas um município não quis e, impediu a continuidade geográfica e, isso matou-nos”, contou o autarca que, dentro das possibilidades existentes considera a CIM da Região de Coimbra como a melhor solução para Oliveira do Hospital.

Por outro lado, o autarca não deixa de considerar desafiadora a resistência que outros municípios manifestaram à entrada de Oliveira do Hospital na CIM da região de Coimbra. Quanto ao turismo, Alexandrino lembra que “já não há Turismo da Serra da Estrela e que Oliveira do Hospital está ligado ao Turismo do Centro”.

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