À Boleia Autor: André Duarte Feiteira

Era uma vez a BLC3… Autor: André Duarte Feiteira

A  Associação BLC3 (Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior Centro) é uma associação sem fins lucrativos que tem incorporado na sua estrutura uma incubadora de ideias e empresas de base tecnológica e inovadora. Esta Associação, sediada no concelho de Oliveira do Hospital, é, desde a sua fundação até aos dias de hoje, motivo de afirmação e negação por parte dos intervenientes políticos locais. Motivos que são suficientes para contar uma história, basta recapitular alguns episódios.

Vamos então recuar ao ano de 2013. Mais precisamente ao dia 2 de Abril, dia em que a matéria sobre o subsidio mensal da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital para com a BLC3, no valor de nove mil euros, foi levada a debate. Nessa reunião, o Presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino, enalteceu a Plataforma, afirmando que “tem que se realçar o trabalho feito pela BLC3 no encaminhamento de candidaturas para plantações de pomares”. Ao qual, Mário Alves (ex-presidente da Câmara e Vereador do PSD nesse mandato), restorqui: ”Daqui a quatro ou cinco anos, farei questão de ir consigo ver como estão as pereiras e as macieiras (…) a BLC3 foi constituída para plantação de macieiras e pereiras, afinal, andamos aqui a brincar às plantas?”

Passados praticamente quatro anos, chegou o momento, é hora de ir visitar os longos pomares e os inerentes reflexos económicos. Já agora, ficámos então a saber que em Abril de 2013 o foco era procurar obter subsídios para a plantação de pomares.

Ignorando esta reunião, vamos partir para o próximo episódio: os documentos.

António Lopes, na qualidade de eleito na Assembleia Municipal, pediu que lhe fossem entregues alguns documentos para poder analisar mais pormenorizadamente a estrutura BLC3. Coisas simples. Pediu que lhe facultassem os relatórios de contas aprovados nos últimos três anos, pediu as Certidões do Registo Comercial, com todas as empresas do universo BLC, nomeadamente a BLC Evolution e a Biobasedesfuturematerrials, Lda, pediu uma descrição sucinta do projecto Centro-bio e pediu ainda mais alguns documentos que considerou relevantes para a sua análise. Apesar de ser já longa a espera de António Lopes e, apesar de ser um assunto que tenha agitado tantas marés, a verdade é que a BLC3 continua sem entregar os documentos. Posto isto, questiono: tendo a CMOH subsidiado a BLC3 durante anos, não seria normal que houvesse, ainda que esporadicamente, uma pequena fiscalização por parte do município? Ou o subsídio é a fundo perdido e não importa o que por lá se faz por lá?

Por último, o episódio que nos contam os meios de comunicação social sobre a BLC3. Eis alguns títulos: “UBI Global coloca BLC3 entre as 25 melhores incubadoras do mundo”; “BLC3 viu aprovado projecto de três milhões de Euros para criação de um “Centro Bio: Bioindústrias, Biorrefinarias eBioprodutos”; “Projeto de biorrefinaria da BLC3 declarado de “interesse Europeu”. Como se pode ler nos títulos retirados de jornais, a BLC3 está viva e recomenda-se, contudo, já redireccionou o seu foco, passando das plantações de pomares para o projecto de biorrefinaria/incubadora.

Finalizo intrigado com toda esta história. Como é que uma instituição reconhecida internacionalmente permite que se continue a fazer esta história? Não só por estar obrigada pela Lei de Acesso aos Documentos da Administração a entregar os documentos exigidos, mas, principalmente, por uma questão de transparência e respeito pelo esforço dos munícipes.

Enquanto assim não for, continuamos a história da caça às bruxas…

À Boleia Autor: André Duarte FeiteiraAutor: André Duarte Feiteira

 

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