Ervedal da Beira vai reviver os últimos momentos de Cristo depois de recuperar uma tradição esquecida durante décadas

A localidade de Ervedal da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital, vai realizar no próximo domingo, pela terceira vez, a procissão do Senhor do Passos, uma tradição que foi recuperada depois de mais de sete décadas de esquecimento. No ano passado, o evento, promovido por uma comissão local e apadrinhada pela União Pastoral de Oliveira do Hospital, apresentou uma nova imagem da Senhora das Dores, este ano será a vez de mostrar uma nova imagem do Senhor dos Passos em tamanho real.

A procissão tem início pelas 15h00, na Igreja Matriz de Ervedal, passa pelo Largo da Cadeia e à frente do Lar da Sagrada Família terá lugar um dos momentos mais altos da solenidade, com o encontro da imagem da Senhora das Dores com o andor que transporta o Senhor dos Passos, ou seja, a representação do encontro de Jesus e Maria na Via Sacra. “Este local foi escolhido porque os idosos gostam de participar na cerimónia, mas muitos têm dificuldades de locomoção. Decidiu-se que esta seria a forma de lhes levar este momento”, explicou ao CBS o Diácono Francisco Prior Claro da União Pastoral de Oliveira do Hospital e um dos responsáveis pela recuperação desta tradição naquela localidade oliveirense. A procissão termina depois na capela da Senhora da Boa Viagem no outeiro de Santana.

“Foi uma tradição que esteve esquecida durante várias décadas, mas é uma ocasião significativa da Quaresma. Para além de ser um momento cultural, tem também a componente religiosa que marca esta quadra”, continua Francisco Prior Claro, lamentando que esta tradição se tenha eclipsado, ao ponto de aquela que se realiza em Ervedal ser praticamente a única no Distrito de Coimbra. Este clérigo acredita que, ainda assim, muitos gostam de reviver esta fase da vida de Jesus e que o evento irá contar com centenas de participantes e figurantes vestidos a rigor.

Nosso Senhor dos Passos é uma invocação de Jesus Cristo e uma devoção especial na igreja Católica a ele dirigida, que traz à memória o trajecto percorrido por Jesus Cristo desde sua condenação à morte no Pretório até ao seu sepultamento, após ter sido crucificado. A história desta devoção remonta à idade média, quando os cruzados visitavam os locais sagrados de Jerusalém por onde andou Jesus a caminho do martírio. Os cruzados quiseram depois reproduzir espiritualmente este caminho quando voltaram à Europa sob forma de dramas sacros, procissões e ciclos de meditação.

No século XVI fixaram-se 14 momentos principais deste trajecto, embora o número tenha variado de sete a trinta e nove na história do catolicismo . Estes pontos principais são chamados de estações ou os passos da Paixão de Cristo ao longo da Via Sacra. Começam com a condenação à morte de Jesus, Jesus a carregar a cruz. Um dos momentos representa a primeira queda de Jesus nesta caminhada, sendo o encontro com Maria o momento mais marcante, tal como é significativa a ajuda que Simão de Cirene dá a Jesus quando é obrigado pelos soldados romanos a carregar a Cruz de Cristo. O sexto capítulo representa Verónica a limpar o rosto de Jesus que, no momento seguinte, cai pela segunda vez, antes de encontrar as mulheres de Jerusalém. Após a terceira queda, Jesus chega ao Gólgota e é despojado de suas vestes e morre crucificado. Os dois derradeiros momentos passam pela retirada de Jesus da Cruz e do seu sepultamento.

Será esta evocação que irá acontecer em Ervedal da Beira. Um dos poucos locais que recuperou uma tradição secular representativa da Quaresma.

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  • Malaguenho

    Vamos todos, em carreirinho, lá!
    Expiemos , lá, “folcloricamente”, a nossa acção e peçamos perdão pelos nossos pecados….em vida; já que, dos da outra, ninguém sabe….
    Mesmo assim, prefiro ir a Málaga, na Andaluzia espanhola….como mandava a “Santa Inquisição”, há tantos séculos:
    – É que, naquelas “procissões”, ainda aparecem uns “cidadãos” a vergastarem-se pelos pecados cometidos ao longo …do ….santo….(e democrático) ano….
    Levemos, pois, um “chicote”!
    Não é preciso “votar”.