O tempo de vida que levo a falar e a escrever português vai longo; mesmo assim, na escola primária fui a tempo de aprender que a palavra farmácia, por exemplo, se escreve como se lê e não com «ph» – pharmácia – como muito antigamente!

Escrever claro

Algumas reformas linguísticas, entretanto, aconteceram com naturalidade – nada comparável ao que está para vir a breve trecho, depois de ratificado pelas partes interessadas o acordo ortográfico luso-brasileiro.

Li que vai existir uma adaptação vagarosa ao novo modo de escrever algumas palavras em português, o que é perfeitamente natural e normal; por aí ficamos todos descansados, sobretudo a gente nova, incluindo o Quico com dois anos, meu neto, e todas as crianças desta geração: têm uma vida inteira pela frente para aprender a escrever o “novo” português. Um intelectual, dos que opinam com sabedoria coisas importantes para a História registar, disse e eu ouvi, que qualquer dia a língua portuguesa, tal qual é falada e escrita agora, fica restringida a um pequeno espaço físico rectangular, como se fosse um gueto europeu onde vivemos nós, os portugueses. O resto do mundo lusófono, simplesmente escreveria “brasileiro” – um exagero do senhor importante…

É reconhecido que a Pátria de Camões, Pessoa e tantos outros portugueses eruditos, cedeu bastante no acordo; não será, porém, pelo facto de desaparecer o acento circunflexo nas paroxítonas terminadas em «o» duplo («vôo» e «enjôo»), usado na ortografia do Brasil, ou escrever «úmido» em vez de húmido, que o português escrito deixa de ser a língua materna de mais de dez milhões de portugueses pelo nascimento ou adopção – «adoção», a partir de agora!

Afiançar que só os mais “antigos” continuarão a escrever em português “arcaico”(?) é, repito, um exagero.

Faço questão de, aos poucos, criar hábitos de escrita consonante com o novo acordo e não considero que passarei a escrever em “brasileiro”!

De resto, como sabemos, sempre dançámos ao som do que vem de fora – até na língua pátria – é disso que se trata – com todos os estrangeirismos adicionados ao longo da História.

Se os países africanos onde reinámos durante séculos ainda estivessem sob jurisdição portuguesa, alguns vocábulos locais poderiam ser acrescentadas, pela frequência da sua utilização, e nem por isso se diria que a língua passava a ser angolana ou moçambicana. …

Era giríssimo escrever em português de Portugal que determinada wansatai (mulher) ainda tombazana (rapariga) é maningue chunguila (muito bonita) – dialectos moçambicanos que em tempos passados se misturavam com a nossa língua, falada e escrita.. Esta semana vai ser posto à venda um novo dicionário da Língua Portuguesa, que inclui as alterações do acordo luso-brasileiro. Estou curioso…

Entretanto, ambanine (adeus), chega de bula-bula (conversa fiada):
– “A minha Pátria é a língua portuguesa” (Fernando Pessoa) – com ou sem estrangeirismos!

Carlos Alberto
(Vilaça)

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