Estação de Tratamento de Alvôco das Várzeas agita as águas na assembleia municipal

“Ninguém no seu perfeito juízo concorda com a localização daquela ETAR”, sentenciou o deputado municipal do “Movimento de Eleitores Independentes Oliveira do Hospital Sempre”.

Numa intervenção muito crítica, José Vasco de Campos enalteceu a “postura dialogante” das principais entidades intervenientes no processo – câmara municipal, Águas do Zêzere e Coa e junta de freguesia -, mas observou que a localização daquela infraestrutura “colide com todas as regras de ordenamento do território e de preservação da paisagem”.

Numa alusão ao facto de a ETAR estar a ser construída a escassos metros do rio Alvôco – numa zona de grande beleza paisagística -, Vasco de Campos mostrou-se também preocupado com os “odores” e disse que “não há nenhuma ETAR que cheire bem”.

Desafiando o presidente da câmara a fazer “todos os esforços para que a ETAR seja construída noutro local”, aquele deputado independente tentou ainda imputar o ónus do desfecho do processo a José Carlos Alexandrino. “O senhor presidente da câmara tem nas mão a possibilidade de mudar a ETAR. Se não o fizer ficará para sempre com essa responsabilidade”, afirmou.

Face a estas declarações, o deputado municipal do PS, Rodrigues Gonçalves, também se viu obrigado a intervir com o reparo de que “esta questão da implementação das ETAR´s é definida por técnicos” e chegou mesmo a considerar a alocução daquele membro da assembleia como uma “intervenção dramática”.

“Já não estamos no tempo das ditaduras em que um homem é que decide”, disse o deputado socialista, sublinhando que o processo deverá ter uma decisão “apoiada nos pareceres técnicos”.

Em estreia naquele palco político, o presidente da junta de freguesia de Alvôco das Várzeas sublinhou o facto de aquela estação de tratamento de águas residuais – “reclamada há mais de 15 anos”, conforme sublinhou – ter sido aprovada em 2006, sendo que – frisou – “em 2009 foi posta uma placa de informação” no local da obra e, na altura, “ninguém disse nada”.

Agostinho Marques recordou ainda que a assembleia de freguesia local já se pronunciou – numa votação por unanimidade – favoravelmente à manutenção da ETAR no mesmo local. “As pessoas que vivem em Alvôco não querem estar mais 15 anos à espera da ETAR”, referiu.

“Não fiquei no meu gabinete…”

“Lamento que este assunto não tivesse sido despoletado mais cedo. Tinha sido um problema de fácil solução”, argumentou entretanto o presidente da câmara, referindo que, nesta fase do campeonato, com os trabalhos em curso, é a “proprietária da obra” – a AdZC – que terá a palavra final.

“Não fiquei no meu gabinete… fui a Alvôco reunir com as pessoas e foi decidido suspender os trabalhos”, frisou ainda o autarca eleito pelo PS.

Realçando que está pronto para “discutir novamente com a população” mal estejam prontas as soluções que estão a ser equacionadas pela AdZC, José Carlos Alexandrino sustentou no entanto que também não se pode “alhear” da posição já assumida pelos órgãos autárquicos da freguesia, mas manifestou o desejo de conseguir que neste processo “haja alguma base de consenso”.

Advertindo que a deslocalização daquele equipamento, onde já foram gastos cerca de 100 mil euros, implicaria também a construção de uma estação elevatória, Alexandrino desafiou as “partes” a esperaram pelo trabalho final da AdZC, e terminou com um reparo: “esta obra não tem a assinatura do José Carlos Alexandrino. Quer fique ou mude de sítio”.

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