“Estamos a criar uma média de cinco empresas por mês”

O desemprego é a principal motivação para a criação do próprio emprego na área do artesanato.

Quando as unidades industriais teimam em fechar e, em lançar centenas de pessoas para o desemprego, o artesanato apresenta-se como uma verdadeira solução. É exactamente este cenário que se verifica na Associação de Artesãos da Serra Estrela (AASE), onde o mero gosto pelo que é artesanal, se pode transformar num verdadeiro projecto de vida.

Com uma forte aposta na formação e no apoio ao empreendedorismo, a associação localizada em Seia e dirigida por João Amaral assiste, desde o início do ano, à criação de “uma média de cinco empresas por mês”.

Criada em 1992 com o objectivo de resolver o problema do anonimato que afectava os artesãos de um modo geral, a AASE rapidamente ultrapassou esse propósito, acabando por se transformar na “maior estrutura de apoio aos artesãos”. “É a maior associação de artesãos quer em activos humanos, quer na prestação de serviços à comunidade onde se insere”, referiu João Amaral, explicando que a AASE é hoje composta por várias competências como sejam a formação, a internacionalização, a mostra permanente de produtos e a reabilitação do tecido empresarial.

Com mais de 400 associados, localizados nos 100 concelhos da NUT II, a AASE é guiada pela certeza de que “não há maus negócios”. Para João Amaral, o sucesso de cada negócio depende da pessoa que o executa, mas lembra que “os melhores negócios são aqueles que nunca ninguém viu”. “Temos que apoiar todo o tipo de negócio”, sustentou.

É este espírito empreendedor que Amaral procura incutir nas pessoas que, diariamente, acorrem à Associação com vista a pôr em marcha um projecto de vida, quando o Sol parece ter deixado de brilhar. Decidido em não compactuar com a já banalizada teoria da “maldita crise”, o responsável pela Associação lembra às pessoas que apesar de “terem perdido um patrão, não perderam competências”.

“Somos descaradamente artesãos e temos orgulho nisso”

Testemunha de inúmeros casos de sucesso, João Amaral confessa-se orgulhoso pelo crescimento que a actividade artesanal tem vindo a registar. Lembra, contudo, que o resultado agora alcançado é fruto de um longo trabalho de valorização do artesão. “Conseguimos desfazer o mito, de que o artesão era um velhinho que conseguia fazer coisas com um pau e uma navalha”, sublinhou o responsável, lembrando a importância da atribuição do cartão da AASE a cada associado. “Conseguimos dar um espírito de corpo unido às pessoas que partilhavam problemas de acesso aos mercados e de reconhecimento do seu valor”, sublinhou João Amaral acrescentando: “somos descaradamente artesãos e temos orgulho nisso”.

Embora tenha encontrado algumas resistências na hora de profissionalizar a actividade artesanal – alguns artesãos recusavam tornar-se empresários – a aposta da AASE tem-se revelado essencial no desenvolvimento económico da região. “As maiores produtoras de riqueza são as micro-empresas de estrutura familiar”, sublinha João Amaral, verificando que no caso do artesanato se tratam de “empresas indeslocalizáveis”, pelo facto de materializarem cultura. “As culturas têm terra, sítio e local”, verificou o responsável, notando que por isso, as empresas de artesanato “puxam fluxos financeiros para a região”.

No país e no mundo…

O passe para as maiores feiras nacionais e internacionais é outra mais-valia que os artesãos, de todo o país, encontram junto da AASE. Milão, Paris, Lyon, Madrid e Valadolid são apenas alguns dos locais, onde os artesãos nacionais conseguem entrar pela mão da Associação da Serra da Estrela.

Em causa está um projecto de internacionalização aprovado pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional que orgulha João Amaral e, que leva além fronteiras, o nome de Portugal em geral e, da Serra da Estrela em particular.

A nível local, a AASE é responsável, entre outras, pela organização da Mostra de Actividades Artesanais da Serra da Estrela que decorre este ano, entre 22 e 26 de Julho, em paralelo com a FIAGRIS – Feira Industrial, Comercial e Agrícola de Seia. Na ocasião, a Associação vai assistir à inauguração das novas instalações – o pavilhão onde laboraram as confecções Açucena, junto ao CACE – onde está em actividade há cerca de meio ano. Ao CBS, João Amaral destacou a importância da mudança de instalações, tendo em conta que, anteriormente, a associação funcionava num escritório que, apesar das boas condições, era manifestamente insuficiente pela falta de espaço. A transição só foi possível com o apoio da Câmara Municipal de Seia que acedeu à solicitação de troca, proposta pela equipa de João Amaral. Adaptado à realidade da AASE – os trabalhos foram custeados pela associação, com o apoio da Fundação Belmiro de Azevedo que contribuiu com materiais – o novo espaço é dotado de três salas para formação teórica, uma oficina cerâmica, 100 metros quadrados de exposição, biblioteca, sala de reuniões e área administrativa.

Pese embora os avanços registados, as ambições da AASE passam ainda por conseguir um espaço capaz de alojar micro-empresas artesanais. João Amaral já sensibilizou a Câmara Municipal para esta pretensão, cuja resposta poderá passar pela utilização do espaço e parque de máquinas de uma empresa já encerrada.

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