Estenose lombar afeta dez por cento da população. Autor: Dr. Paulo Pereira

Estenose lombar afeta dez por cento da população. Autor: Dr. Paulo Pereira

A coluna está sujeita a um processo natural de envelhecimento responsável pelo desgaste dos discos, artrose e hipertrofia das articulações intervertebrais e espessamento dos ligamentos. Este processo degenerativo gradual, que pode ser mais rápido ou mais lento, provoca uma diminuição do diâmetro do canal vertebral, originando a estenose lombar. Estima-se que cerca de 10 por cento da população sofra deste problema, que é muito mais frequente depois dos 60 anos de idade.

Existem dois tipos de estenose lombar: a primária, causada por alterações congénitas ou desenvolvidas na primeira infância; e a secundária, resultante de alterações degenerativas ou como consequência de uma infeção, de um traumatismo ou de uma cirurgia. Embora seja mais frequente na região lombar, a estenose pode envolver também a região cervical ou, mais raramente, dorsal.

Quando os sintomas da estenose lombar se começam a manifestar, o processo de progressão da doença não é igual para todas as pessoas, podendo este ocorrer de um modo mais rápido ou mais lento. A compressão das raízes nervosas pode provocar dor, diminuição da força nos membros superiores e inferiores, diminuição da sensibilidade e mesmo alterações no controlo dos esfíncteres da bexiga e do ânus. Quando surge uma estenose na região lombar, o doente tipicamente desenvolve uma dificuldade progressiva na marcha, com dores difusas e falta de força nos membros inferiores, que regridem quando o doente está em repouso e quando se senta. Com a progressão da estenose a marcha fica cada vez mais limitada.

O diagnóstico da doença é feito a partir dos sintomas e da avaliação clínica do doente. Os exames de imagem confirmam o diagnóstico, mais frequentemente a ressonância magnética ou a tomografia axial computadorizada (TAC). A estenose lombar pode manter-se assintomática durante muito tempo e manifestar-se apenas numa fase em que o estreitamento do canal vertebral já é significativo.

Quando os sintomas são ligeiros, o recurso a medicamentos, alterações do estilo de vida e um programa de fisioterapia podem ser suficientes para o alívio das queixas. No entanto, quando os sintomas se agravam, pode ser necessário recorrer à cirurgia para descompressão das estruturas nervosas, o que geralmente se traduz numa melhoria significativa da qualidade de vida do doente. Em algumas situações, para além da descompressão é necessária uma estabilização da coluna vertebral.

Autor: Dr. Paulo Pereira, neurocirurgião e Coordenador da campanha Olhe pelas Suas Costas.

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