ESTGOH: Nova tentativa de encerramento deixa Oliveira do Hospital em estado de alerta

 

Depois um conjunto de vários episódios que colocou sempre em causa a continuidade da escola no concelho oliveirense, a comissão que foi formada para estudar a reorganização do Instituto Politécnico de Coimbra acaba de avançar com uma proposta que volta a deixar o concelho em estado de alerta.

Em causa está a atribuição de zero vagas para as quatro licenciaturas da ESTGOH já para o próximo ano letivo e ainda a extinção da escola enquanto unidade orgânica do Instituto Politécnico de Coimbra e a sua passagem à condição de pólo afeto à Escola Superior de Tecnologia da Saúde.

Da proposta faz ainda parte a atribuição de cursos da área da saúde para a escola localizada no concelho, mas que carecem ainda de acreditação, não se prevendo, por isso, o momento em que os cursos entrarão em vigor e terão vagas atribuídas.

“Este estudo não foi feito para reorganizar o IPC, mas sim para tentar fechar a nossa escola”, reagiu há instantes o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que disse ainda nunca ter depositado qualquer confiança na comissão criada para estudar a reorganização do IPC, porque dela fazem parte as mesmas pessoas que “sempre quizeram matar” a Escola de Oliveira do Hospital.

Perante um cenário que comprova aquilo que o próprio previu aquando da formação da referida comissão, José Carlos Alexandrino admite estar em face de “uma novela que tem um realizador, que se chama Rui Antunes e é presidente do IPC e que não lhe quer pôr um fim”.

Mas, do mesmo modo que o realizador não desiste, também o presidente da Câmara Municipal garante não desarmar e tudo fazer para contrariar a vontade dos que, a todo o custo, querem colocar um fim à escola oliveirense.

“Não aceitaremos a extinção da unidade orgânica da escola em troca de um pólo”, continuou, assegurando que só aceitará em caso de todas as unidades orgânicas serem extintas com vista à reorganização total do IPC.

Para além de denunciar a perseguição que Antunes insiste em fazer à ESTGOH, Alexandrino denuncia também a “afronta” que o presidente do IPC faz ao próprio secretário de Estado do Ensino Superior.

O presidente da Câmara explica que o IPC não respeitou as orientações do Governo que se prepara para avançar com uma proposta de reorganização do ensino superior e se antecipou no caso da ESTGOH.

Em face de uma proposta, onde Alexandrino identifica “dualidade de critérios” no tratamento das unidades orgânicas e onde o argumento da “duplicação de cursos” só penaliza a ESTGOH, localizada a 80 quilómetros de Coimbra, e não as restantes unidades orgânicas que se situam próximas entre si, o autarca não tem dúvidas da “tentativa encapotada de fecho da escola”.

“Nós não aceitamos”, avisa o autarca que se mostra recetivo a uma reformulação da oferta formativa da ESTGOH, mas que não compreende o motivo pelo qual a proposta da Comissão remete para mais tarde a reformulação de cursos em outras escolas afetas ao IPC e, dita para o imediato a atribuição de zero vagas para os cursos da ESTGOH e a passagem da escola a pólo de outra Unidade Orgânica.

O autarca que na última Assembleia Municipal apelou ao presidente do IPC para encarar o caso da ESTGOH com “seriedade” diz já não haver condições de resolver o problema que afeta a escola a outro nível, que não seja o “político”.

“É hora de o senhor secretário de Estado vir dizer claramente se é ou não contra o fecho e se concorda com forma como o IPC está a tratar a escola”, afirma o presidente da Câmara, clarificando que o orçamento da ESTGOH representa quatro por cento do orçamento do IPC.

Neste processo de luta pela continuidade da ESTGOH no concelho – “é a escola do IPC que melhor responde à missão de desenvolvimento regional do ensino politécnico”, defende – José Carlos Alexandrino louva a postura mantida até aqui pelo presidente e vice-presente do agrupamento dos institutos politécnicos do país. “São contra a extinção de qualquer escola no interior”, refere.

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