. Li há dias no diário “As Beiras” uma notícia que me prendeu a atenção. Segundo o jornalista autor do texto, a nova ETAR de Seia – recentemente inaugurada pela empresa “Águas do Zêzere e Côa” – já estaria a provocar “maus cheiros” e a incomodar os cidadãos.

Estilos

Instados pelo jornal em questão a esclarecerem o problema, a empresa responsável prometeu “averiguar” e o presidente da Câmara de Seia disse não ter conhecimento da situação, mas garantiu: – “Vou pôr-me em campo”. Ambas as respostas são politicamente correctas e compete agora ao jornalista ir averiguando se de facto os responsáveis se puseram ou não em campo para resolver a questão, já que muitas vezes palavras leva-as o vento. Na sociedade mediatizada em que hoje vivemos, os jornalistas detêm muita informação e são por vezes conhecedores de situações que escapam – voluntária ou involuntariamente – aos titulares dos cargos políticos. A classe política, quando a crítica é justa, tem de perceber que o jornalista faz o diagnóstico e, como tal, também espera pela cura. É isso que os seus leitores exigem, em nome de uma sociedade verdadeiramente apostada no desenvolvimento e é essa uma das mais nobres funções do jornalista.

2. Chama-se a isto – entre muitas outras coisas – cultura política, cultura democrática, cidadania e, fundamentalmente, saber estar.

3. Ao abrir hoje a página 18 do Correio da Beira Serra, dou de caras com a declaração de um outro autarca: o de Oliveira do Hospital, de seu nome Mário Alves. Reza assim: “o Correio da Beira Serra já fez duas alusões ao assunto, mas só à terceira é que nós – (nós, a Câmara Municipal) – fazemos o serviço”. Em causa estava uma discussão sobre um “reles” facto que, na verdade, foi noticiado duas vezes por este jornal e que estava relacionado com duas placas toponímicas da Rua Engº. António Campos, que se encontravam derrubadas há mais de um ano no meio de um silvado. A notícia do Correio da Beira Serra era pedagógica e tinha uma mensagem – “Ponham as placas no sítio”! –, mas a resposta foi, no mínimo, uma atoarda: “… só à terceira (notícia) é que nós fazemos o serviço”. O curioso é que antes da terceira notícia, a Câmara resolveu logo o problema: carregou as placas toponímicas, mas deixou a rua sem o nome a que a própria decidiu há uns tempos – mal ou bem –, atribuir a um oliveirense que se destacou na vida política nacional. São formas de estar…

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