Estudo da UA sobre as potencialidades do medronho para a saúde pode criar uma área lucrativa de exploração agrícola em Oliveira do Hospital e áreas envolventes

Estudo da UA sobre as potencialidades do medronho para a saúde pode criar uma área lucrativa de exploração agrícola em Oliveira do Hospital e áreas envolventes

Um trabalho realizado por investigadores da Universidade de Aveiro (UA) de caracterização química detalhada do medronho, usado sobretudo em licores e aguardentes, revelou que o consumo daquele fruto tem vastos benefícios para a saúde. As propriedades descobertas pelo Departamento de Química da UA revelam que tem a capacidade de evitar os radicais livres responsáveis por doenças como o cancro, de controlar os níveis de colesterol e de melhorar a saúde da pele e dos ossos. Um conjunto de potencialidades que irá ajudar as pessoas dos concelhos, entre outros, de Oliveira do Hospital, Tábua e Seia olhar de outra forma para estes frutos, que nascem em abundância e de forma espontânea nesta zona. Pode criar uma nova área de exploração agrícola.6

A caracterização química detalhada do medronho realizada na UA “destaca a presença de ácidos gordos insaturados, nomeadamente ómega 3 e 6, fitoesteróis e triterpenóides”, compostos com importante actividade biológica.”Os ómegas 3 e 6 são ácidos gordos essenciais que têm de ser obtidos a partir da dieta, uma vez que o nosso organismo não os sintetiza”, explica Sílvia Rocha, da equipa de investigação, sublinhando que esses compostos “têm demonstrado um papel importante no controlo dos níveis de colesterol, na saúde da pele e dos ossos e uma relação inversa entre o consumo de ómega 3 e a perda de funções cognitivas, bem como uma actividade oxidante superior, uma acção anti-inflamatória, antimicrobiana e antifúngica”.Estudo da UA sobre as potencialidades do medronho para a saúde pode criar uma área lucrativa de exploração agrícola em Oliveira do Hospital e áreas envolventes

O resultado é ainda mais animador para produção local, uma vez que os resultados do estudo mostram que os medronhos provenientes da Beira Serra “apresentam uma actividade antioxidante superior” aos de outras proveniências. O objectivo agora é aproveitar este produto natural não só na produção de aguardentes e licores, mas também para consumo natural ou incluído noutros alimentos, como biscoitos, iogurtes, barras energéticas ou bombons.

5“Este tipo de estudo é importante, porque não existe o conhecimento que deveria existir deste fruto. Para nós não é uma novidade, mas vindo os resultados de uma investigação realizada por uma Universidade vai-lhe oferecer um cunho científico e outra publicidade”, explicou ao CBS Sofia Pinto, membro da Confraria do Medronho, com sede em Tábua, mostrando-se convicta que, em pouco tempo, as pessoas vão dar outra atenção a este fruto. “Aqui temos condições excelentes, desde o solo, a altitude e o clima. Eles nascem de forma espontânea e já há explorações, mas ainda sem a quantidade que devia”, frisa, admitindo que a divulgação das novas propriedades para a saúde pode ter impacto económico nesta área. “Muitas vezes temos coisas valiosas à mão que nem sabemos que existem”, remata.2

O concelho de Oliveira do Hospital, de resto, está ligado ao medronheiro. Ervedal da Beira, por exemplo, deve o seu nome aos terrenos apelidados de ervedos por estarem pejados de medronheiros. Daí que a recente confraria criada naquela localidade, embora nada tenha a ver com o medronho, baseia a sua indumentária oficial nesta árvore e neste fruto. Tábua, por seu lado, homenageia o fruto com uma confraria e a apanha do medronho é uma tradição na aldeia da Teixeira, concelho de Seia, que anualmente promove actividades de apanha deste fruto e dá a conhecer antigos alambiques e lagares que, embora já não se encontrem em funcionamento, são património indissociável desta aldeia serrana. Além disso, o Estudo da UA sobre as potencialidades do medronho para a saúde pode criar uma área lucrativa de exploração agrícola em Oliveira do Hospital e áreas envolventesfruto do medronheiro, a par do mel e da prática agrícola, constitui há muito um dos meios de subsistência das populações locais. Um sustento colocado em causa, em 2005, por um incêndio de consumiu grande parte das árvores existentes. Valeu a acção de reflorestação promovida nos anos subsequentes que permitiu restaurar a capacidade produtiva florestal, tendo sido plantados medronheiros em 32,82 hectares, entre outras árvores autóctones. Esta acção permitiu reactivar a produção da aguardente de medronho da serra da Estrela. Agora a procura de medronhos pode aumentar e a sua exploração também.

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