Ex- vereador do PS mandou arrombar “Casa de Meninas” do Senhor das Almas

Acompanhado por um advogado, um solicitador de execução, dois agentes da GNR e três serralheiros, o ex-vereador do PS, Albano Ribeiro de Almeida, voltou a entrar na casa que alugou em finais de 2007 – a Casa do Brasileiro, em Senhor das Almas –, e onde funcionava um negócio ligado à prostituição.

A expectativa era grande e, ao certo, ninguém sabia como é que estaria o interior do imóvel, porque se encontrava encerrado, por ordem judicial, desde o dia 6 de Maio, na sequência de uma operação policial que culminou com a detenção dos exploradores do negócio.

“Isto é uma autêntica fortaleza que aqui está”, ia frisando Ribeiro de Almeida, ao passo que dava instruções aos serralheiros no sentido de irem arrombando algumas portas.

Muitas das janelas viradas para o exterior exibem gradeamentos em ferro de fazer inveja a algumas cadeias do país. Várias portas estavam chumbadas e só com a ajuda dos serralheiros foi possível penetrar no local.

“Elas só saíam daqui quando eles autorizavam, porque estava tudo trancado a sete chaves”, insinuou o caseiro que toma conta daquela propriedade, localizada em Senhor das Almas.

Mal se abriu a primeira janela, os olhares concentraram-se num quarto com a cama desfeita e onde, aparentemente, alguém terá sido apanhado “com as calças na mão”, em virtude de uma operação relâmpago levada a cabo pela GNR da Lousã. O suposto cliente nem terá tido tempo de vestir as calças ou sequer calçar os sapatos. Fugiu a sete pés…

Com vários quartos no piso superior ao bar onde se davam os primeiros passos do negócio – um bar que ainda conserva uma garrafeira de luxo e vários ícones associados à prostituição –, o primeiro andar do imóvel encontra-se dotado com diversas câmaras de vigilância dissimuladas. Supostamente, todos os passos eram vigiados pelos donos do negócio, que observavam as imagens – em tempo real – no escritório da “empresa”.

Quando alguém quisesse entrar em contacto com a gerência, teria forçosamente que tocar a uma campainha e falar por um intercomunicador.

Estupefacto com o que ia vendo estava Ribeiro de Almeida. O antigo vereador socialista pensou que tinha alugado o imóvel para a instalação de uma residencial com bar e churrasqueira, mas deu de caras com uma casa de prostituição. No interior ainda está tudo impecável. Desde o bar, com balcão almofadado e estofos em pele, à zona de diversão, onde se encontra uma pista de dança com o tradicional varão metálico.

A denúncia deste caso, que ganhou maior amplitude pelo facto de o proprietário do imóvel ser vereador do PS na Câmara de Oliveira do Hospital, foi feita em primeira mão nas páginas do Correio da Beira Serra em Novembro de 2007. Depois de confrontado com a situação por este jornal, Ribeiro de Almeida ainda demorou a admitir o que já todos sabiam. “Eu aluguei aquilo para uma residencial e para um bar e ainda um restaurante com churrasqueira. Portanto, se eu aluguei aquilo para esse fim e o edifício está a ter outra utilização, vou ter que averiguar porque o meu estatuto não me pode permitir isso”, afirmou na altura aquele vereador. Sublinhe-se que em causa estava um contrato de arrendamento por 10 anos que o ex-vereador socialista fez com três inquilinos: dois homens e uma mulher.

A alegada prática de lenocínio que se suspeitava existir no edifício cor-de-rosa de arquitectura tipicamente brasileira, levou entretanto a GNR a montar uma operação policial no local, que resultou na detenção dos três inquilinos. Na Casa do Brasileiro, foi apreendida uma grande quantidade de preservativos, seis walkie-talkies, dois terminais ATM, oito telemóveis , 200 euros em numerário e, ainda, uma pistola 6.35 e 12 munições. Apreendidos foram também três automóveis, um dos quais um Mercedes topo de gama.

Presentes ao Juiz do Tribunal de Oliveira do Hospital, os arrendatários de Ribeiro de Almeida continuam a aguardar em liberdade pelo julgamento, estando no entanto sujeitos a apresentações periódicas no posto da GNR da sua área de residência.

Henrique Barreto

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