Executivo critica ‘a uma só voz’ o combate ao incêndio que atingiu Rio de Mel

… e a forma “principiante” como decorreram algumas ações. Vereadores do PSD e do movimento independente “Oliveira do Hospital Sempre” entendem que na hora de combate às chamas se devem ouvir os bombeiros locais que “calcorreiam o terreno todo o ano”.

Nas primeiras horas de tranquilidade após o violento incêndio que, ao final da tarde e noite de segunda-feira, consumiu mais de 600 hectares de floresta na freguesia de S. Gião e obrigou à evacuação de populações, não se fizeram esperar as críticas ao modo como decorreu o combate às chamas oriundas do vizinho concelho de Seia ,e por isso, sob orientação do comando distrital da Guarda.

“Demorou-se muito tempo em reuniões”, considerou ontem o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, em reunião pública do executivo, quando relatava aos vereadores as horas dramáticas por que passaram bombeiros e populares.

Para José Carlos Alexandrino “os incêndios matam-se à nascença”, pelo que não deixa de responsabilizar os responsáveis pela tomada de decisões pelo tempo que demoraram em delinear estratégias de combate ao fogo que teve início às 21h10 de domingo, em Carragozela, concelho de Seia, galgou a EN17 e seguiu descontrolado até ao concelho de Oliveira do Hospital.

Do leque de críticas de Alexandrino, destaque também para a forma “principiante” como se partiu para uma decisão de contra-fogo, destinada a controlar as chamas e que acabou por, como sublinhou, agravar a situação de incêndio.

Situações que aliadas à ausência de meios aéreos no local, “obrigaram” o autarca a acionar o Plano Municipal de Emergência, como forma de “pressionar a Proteção Civil para enviar mais meios” para o combate ao incêndio que, numa primeira avaliação, estava previsto para durar cerca de cinco dias. “Foi um dia muito complicado para o concelho e para a região”, referiu Alexandrino confessando nunca ter assistido a um cenário como aquele que se instalou em Rio de Mel.

“Foi um quadro de terror”, recordou, registando que até os próprios bombeiros se mostraram fragilizados com a dureza do incêndio. “Vi o adjunto de comando, Paulo Sousa, chorar que nem uma criança”, contou, tendo a lamentar todos os prejuízos que o fogo causou às populações.

“Não ouvir esta gente é um erro crasso”

“O tempo infinito” que se perde em reuniões de comando também foi objeto de crítica por parte do vereador do PSD da Câmara Municipal que, se opôs ao facto de naquelas situações “não se ouvir, quem se deve ouvir, como os bombeiros que calcorreiam o terreno todo o ano”.

“Não ouvir esta gente é um erro crasso”, referiu Mário Alves, propondo até ao presidente da autarquia para que faça chegar ao ministro da Administração Interna as queixas acerca desta matéria, porque “é importante ouvir aqueles que todos os dias combatem incêndios”.

Mário Alves não deixou também de alertar para o incumprimento por parte dos proprietários no que respeita ao necessário perímetro de segurança entre as habitações e os espaços florestais. “Há casa situadas a cinco e seis metros de pinheiros e eucaliptos”, frisou, defendendo que seja aplicada a lei, porque só por via da aplicação da “coima” é que os proprietários se tornam cumpridores.

“O comando deveria estar nas mãos de quem conhece o terreno ainda que assessorados”, defendeu também o vereador do movimento independente “Oliveira do Hospital Sempre”, entendendo que a decisão final deve caber a “quem conhece a terra”.

Em matéria do necessário perímetro de segurança que deve existir entre as habitações e os espaços florestais, José Carlos Mendes defendeu que no próximo ano sejam as juntas de freguesia a fazer um levantamento das situações de risco e a chamar a atenção dos proprietários, com a indicação de que “ou limpam ou são multados”.

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