Fabriconfex: Alexandrino reclama “regime de excepção” para Oliveira do Hospital

José Carlos Alexandrino deu hoje a cara pelos cerca de 170 trabalhadores da Fabriconfex que viram os seus contratos de trabalho serem suspensos. Reunido esta manhã no auditório da Caixa de Crédito com os trabalhadores, director do Centro de Emprego de Arganil e Sindicato do Sector Têxtil e do Vestuário de Coimbra, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital mostrou-se disponível para “ajudar as empresas e os trabalhadores”.

“A Câmara está a estudar um fundo de emergência para podermos dar avais às empresas, e está disponível para ajudar as pessoas com a acção social”, afirmou aos jornalistas, considerando que a situação de desemprego no concelho “é dramática”.

“O nosso desemprego é quase o dobro da média nacional e o nosso concelho não tem condições de emprego alternativo”, continuou o autarca, mostrando-se disponível para “deixar caminhos por fazer, para poder apoiar as pessoas”.

O presidente revelou-se ainda preocupado com o caso de “vários casais, com filhos para criar e que precisam de trabalhar, para que a sua vida volte ao normal”.

Informando que, ontem, esteve reunido com o governo, José Carlos Alexandrino reclamou hoje ao poder central a criação de “um regime de excepção para Oliveira do Hospital”, semelhante ao que foi criado no “Vale do Ave e em Setúbal”, porque “o concelho não tem alternativa de emprego neste momento”.

Com números que na semana passada davam conta de 1300 desempregados no concelho, José Carlos Alexandrino disse acreditar que “os têxteis de qualidade ainda têm solução”. Para o efeito, o autarca defende a criação de “uma linha de crédito e financiamento de acesso rápido e não tão burocratizada”.

“Sei de uma empresa de confecções do concelho, que está a tratar de uma linha de crédito de 300 mil Euros há seis meses e o dinheiro ainda não lhe chegou às mãos”, observou o presidente oliveirense, verificando que nestes casos “as empresas vão morrendo antes da solução”.

Trabalhadores mantêm esperança de voltar à Fabriconfex

Com uma longa vida de trabalho na empresa que, agora, lhes suspendeu os contratos de trabalho, os cerca de 170 funcionários da Fabriconfex prevêem a chegada de tempos difíceis.

Artur Brito, de 53 anos, e a esposa foram um dos cerca de 10 casais afectados pela crise que se assolou sobre a empresa de Gavinhos de Baixo. Ao fim de 38 anos de trabalho, o operário das confecções confessa que não previa este desfecho para a empresa. “Andávamos com salários em atraso, mas iam pagando”, afirmou, adiantando não ter grandes perspectivas para poder trabalhar num outro local. Resta-lhe a esperança de a Fabriconfex retomar a laboração e, o alívio de não ter filhos para criar. Tem, contudo, um empréstimo bancário para pagar.

Numa situação bem mais dramática está Cristina Santos, que trabalhava com o marido na Fabriconfex e tem um filho a frequentar o terceiro ano do curso de arquitectura em Lisboa. “Vou-me ver à rasca para o lá sustentar”, confessou aos jornalistas, lamentando-se ainda dos reduzidos montantes das bolsas de estudo. “Vêm aí tempos difíceis”, continuou, mostrando contudo a esperança de regressar à empresa onde trabalhou durante 26 anos. “Se me chamarem quero ir outra vez para lá”, referiu, lamentando a forma repentina como a administração informou os trabalhadores da decisão.

Cristina Santos não deixou porém de sublinhar que, tal como ela, os colegas da empresa percebiam que algo estava mal porque “no último mês o nosso trabalho foi todo para a prateleira”. A funcionária não deixou ainda de valorizar a atitude manifestada pelo presidente da Câmara Municipal: “estamos super contentes com este presidente da Câmara. O outro nunca deu a cara para nada”.

Apesar do infortúnio que a afectou, a cerca de um mês do Natal, Maria Luísa Brás tem a sorte de o marido trabalhar noutra empresa e de poder contar com o seu ordenado no final do mês. Sem empréstimos para saldar ao banco, a funcionária que sempre trabalhou na Fabriconfex tem a seu cargo a educação de dois filhos.

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