Falta de limpeza florestal preocupa deputados de Oliveira do Hospital

 

Numa altura em que avizinhava um fim-de-semana marcado por temperaturas que poderiam chegar aos 40 graus, os incêndios florestais serviram de mote à abertura da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital que se realizou ao final da tarde da última sexta-feira.

O presidente da Junta de Freguesia de São Gião foi o primeiro a dar conta da sua preocupação relativamente ao risco de ocorrência de fogos florestais e naquele órgão autárquico apelou à Câmara Municipal para que proceda à necessária limpeza de caminhos. “O que me preocupa são as matas e o tempo que se aproxima”, referiu Manuel Garcia.

A posição foi, rapidamente, partilhada pelo deputado eleito pelo movimento “Oliveira do Hospital Sempre” que considerou prioritária a notificação dos proprietários de habitações localizadas em áreas florestais. “ 95 por cento do território de Oliveira do Hospital é privado e tem situações gravíssimas espalhadas pelo concelho com mato e silvas a entrar pelas casas a dentro”, denunciou José Vasco Campos que alertou para a existência de “legislação que obriga a limpeza à volta de 50 metros”.

Na opinião do deputado independente, a Câmara Municipal deve ter “uma atitude pedagógica e notificar para limpeza, no espaço de 15 a 30 dias”. “Deve fazer mais e de forma insistente”, sustentou o engenheiro florestal que disse ter conhecimento de casos desta natureza “mesmo às portas da cidade”. “As florestas não são jardins”, avisou.

A dirigir uma associação florestal com provas dadas no combate a incêndios florestais, José Vasco Campos lembra que a falta de limpeza em volta das casas condiciona a função dos sapadores que ao invés de se dedicarem à extinção das chamas, têm antes que se preocupar em proteger as casas.

“Isto é complicado”, admitiu, revelando-se igualmente preocupado com o número elevado de parcelas florestais que, por pertencerem a proprietários desconhecidos, se encontra ao abandono e sem sinais aparentes de limpeza.

Neste domínio, e em particular no caso de proprietários ausentes, Campos considerou que o melhor caminho a seguir é o da doação das parcelas a entidades que se responsabilizem pela necessária limpeza. “A Caule vai receber propriedades e algumas IPSS já receberam para gerir as propriedades das pessoas que estão fora”, explicou, considerando que “o problema da pequena propriedade é gravíssimo”.

José Vasco Campos não se escusou, igualmente, a reagir à declaração entretanto proferida pelo deputado da CDU, João Dinis, na opinião de quem “o nemátodo e as ZIF estão a patinar”. “AS ZIF andam em função dos apoios que têm”, respondeu o responsável pela associação pioneira na constituição da primeira ZIF em território nacional. Campos referiu-se, em concreto, aos atrasos no arranque do PRODER e à inexistência de “bases burocráticas” que permitissem o arranque dos trabalhos. “As medidas estruturantes vão acontecer a partir de 15 de setembro”, referiu, lembrando que Oliveira do Hospital é pioneiro no levantamento cadastral por causa das ZIF. “O cadastro é fundamental para por as ZIF a funcionar”, lembrou.

A preocupação em torno dos incêndios florestais manifestada por Garcia e Campos acabou, contudo, por merecer a crítica do socialista Carlos Inácio que apelidou os deputados de “profetas que vêm falar dos incêndios”. “Falar das coisas quando elas acontecem não é o mais adequado”, considerou o deputado, que apontou o dedo ao mau planeamento.

O social-democrata Manuel Garcia negou estar a exercer a missão de profeta e esclareceu que apenas alertou a autarquia para a questão. Já o independente José Vasco Campos considerou que “nunca é tarde para falar neste assunto”, porque “o mato, as silvas e os pinheiros crescem todos os dias”.

“Eu durmo descansado”

Comprometendo-se a tomar conta da situação, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital não deixou de lamentar os cortes que estão a recair sobre os dispositivos de bombeiros, mas revelou-se confiante no trabalho de articulação que existe a nível concelhio. “Eu durmo descansado”, referiu José Carlos Alexandrino, apelando contudo à “consciência cívica” da população, porque há incêndios de “mão criminosa” e outros que decorrem de “práticas negligentes”.

O autarca garantiu que está a ser feito o trabalho pedagógico de notificação da população, que não chega a coima. “Este ano, já fizemos umas 50 contra-ordenações de ordem preventiva ao nível da limpeza dos 50 metros”, referiu o presidente, que também alertou para a dificuldade de notificar proprietários desconhecidos. “O cadastro vai ajudar, porque há terrenos que não têm dono”, considerou Alexandrino, garantindo que a Câmara Municipal “tem cumprido a sua missão”.

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