Faltaram jovens no debate sobre a “Participação Cívica dos Jovens”

… vice-presidente da Comissão Política Concelhia do CDS-PP, Luís Lagos quando se discutia a fraca participação dos jovens, também visível no debate onde intervinha e se analisava a “Participação Cívica dos Jovens”.

Não fosse a reduzida presença de jovens – apenas três – e a iniciativa promovida por João Abílio Almeida e André Pereira, alunos da Escola Secundária de Oliveira do Hospital eleitos para representar a escola na sessão distrital do Parlamento Jovem, teria sido um verdadeiro sucesso. Sublinhe-se que aos primeiros minutos já os jovens recebiam rasgados elogios por parte dos oradores convidados, quer pela pertinência do assunto em análise, quer pelos sinais de boa preparação demonstrados pelos estudantes.

Palavras como o medo e falta de confiança foram, por várias vezes, proferidas pelo ex-eurodeputado António Campos para classificar a actual juventude, no seio da qual identifica grandes diferenças com a da sua geração.

“A minha geração não vivia o medo, vivia acima de tudo a esperança”, referiu um dos principais rostos do Partido Socialista, verificando que a geração dos jovens organizadores do debate “está pressionada pela informação negativa”. Responsabilizou os meios de comunicação de social pelo clima de medo e, desafiou os jovens estudantes a retomarem o modelo das tertúlias e dinamizarem o gosto pela leitura.

Perfilhando da constatação de Campos – “estamos num período em que todos têm medo do que vai acontecer”, referiu – o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital colocou-se em defesa da “política do exemplo”, porque “tudo é fruto da educação”.

Consciente de que está na presença de uma sociedade de informação, Mário Alves considerou a educação “fundamental” para que as pessoas possam fazer “uma análise crítica do que é veiculado na Comunicação Social”.

“A favor da renovação dos cargos políticos”

No debate onde também esteve em análise a participação dos jovens na vida política, António Campos mostrou-se defensor da renovação dos cargos políticos “sem hostilizar os outros”. “Estou de acordo de que o rejuvenescimento é fundamental”, notou, apontando como grande renovação a recuperação das mulheres nos vários quadrantes da sociedade.

Foi, de resto, sobre este aspecto que incidiu boa parte das intervenções com o vice-presidente do CDS-PP local a desafiar as várias estruturas partidárias a integrarem mais jovens nas listas autárquicas. “Está na hora!”, desafiou Luís Lagos, ao mesmo tempo que constatou que a “participação dos jovens definha porque não há jovens”. “É importante começar a envolver os jovens da nossa terra, ainda em idade de liceu, na vida social, política e cívica do concelho”, sustentou o também jovem rosto político do concelho.

A aplicação do repto lançado por Lagos é que, no entender de Mário Alves, parece não ter grande exequibilidade. “A participação dos jovens na política depende da sua disponibilidade para isso”, referiu o presidente da Câmara, notando que o mesmo se passa com as mulheres.

“É uma questão cultural e de mentalidade”, frisou, manifestando-se depois contra o argumento apresentado por uma jovem do público, de que os jovens não se envolvem na política, porque a mesma está desacreditada. Na opinião de Alves, “se os jovens querem mudar alguma coisa, têm que se incluir”.

“A cultura deve ser feita dia após dia”

A participação dos jovens na vida cultural foi outra das vertentes em análise no debate. Na opinião de Luís Antero, presidente da OHs. XXI – Associação Cultural e Multimédia de Oliveira do Hospital “o que é feito, é bem feito e extremamente positivo”, mas para captar o interesse dos jovens “a cultura deve ser feita dia após dia”.

“Penso que devemos fazer mais”, considerou Antero, em jeito de resposta à “apatia” identificada por Mário Alves na comunidade jovem relativamente às actividades culturais promovidas no município.

“Os índices de ocupação da Casa da Cultura são devastadores, pela negativa, ao nível do cinema e do teatro”, adiantou o autarca oliveirense, apontando responsabilidades à Internet. “Vamos começar a substituir o relacionamento presencial, pelo virtual. Isto é um grave problema nas sociedades, na participação cívica, na vida política e solidariedade social”, notou.

Mário Alves rejeitou ainda a observação feita por Luís lagos de que os filmes que passam na Casa da Cultura, já passaram há um mês atrás nas salas de cinema de Coimbra ou Lisboa e, referiu que a fraca participação dos jovens não se esgota nas actividades da Câmara Municipal.

“O Luís Antero não pode negar que as actividades da OHs. XXI têm sofrido um definhamento em termos de participação”, referiu, para depois questionar: “quantos jovens estão aqui da escola?”. “Esta é a grande questão”, sustentou.

Sobre esta matéria, António Campos convidou Alves a conhecer o caso de Beja onde existe “uma actividade cultural fantástica, depois de se ter criado um espaço cultural fantástico”. Sugeriu ainda o alargamento da actual Casa da Cultura ao antigo colégio Brás Garcia de Mascarenhas, proporcionando um “bom espaço” e conseguindo “mobilizar os jovens para a cultura”.

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