A caminho de completar dois anos de actividade, a Fanfarra da Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital, com 63 elementos...

 

Fanfarra com 17 jovens em lista de espera

…viu-se obrigada a encerrar as inscrições e a abrir uma lista de espera para futuras admissões.

A admiração pelos bombeiros surge no topo das motivações, mas a entrada de novos executantes está limitada pela falta de um autocarro para deslocações.

Imagem vazia padrão“Estou aqui porque gosto dos bombeiros e admiro o seu empenho e união”. As palavras pertencem a Margarida Santos que aos 12 anos de idade integra a fanfarra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital (AHBVOH. Imbuída do espírito de camaradagem que é próprio dos soldados da paz, a jovem de Nogueira do Cravo revela-se contagiada pelo convívio que se estabelece entre os 63 elementos do grupo – as idades variam entre os 10 e os 46 anos – e confessa que o que mais a satisfaz são as saídas do grupo para actuações no exterior. Integra a fanfarra há cerca de um ano e foi a própria que propôs aos pais a sua inscrição.

Com igual dedicação também Luís Carlos é um dos executantes da fanfarra que não esconde a paixão pelo trabalho dos que integram a corporação da cidade. “Quero ser bombeiro”, assegurou o jovem de São Paio de Gramaços que, aos 15 anos, já vai dando algumas ajudas na corporação. “Fui eu que quis vir, não foram os meus pais”, deixou claro, ao mesmo tempo que explicou que na fanfarra já tocou timbalão e agora toca clarim. “Não gostei e preferi mudar de instrumento. Os meus pais é que me compraram – os bombeiros não podiam – o clarim”, contou, garantindo que espera continuar a tocar o instrumento pela vida fora.

Na preparação para o ensaio – acontece às 5ªs feiras para os mais novos e às 6ªs para a totalidade do grupo – fazem eco na parada da corporação as primeiras batidas e acordes nos instrumentos. Assim foi na passada quinta-feira onde nem o jogo de futebol que afastou Portugal do Euro 2008, fez desmobilizar os executantes. À voz do mestre João Paulo Simões, fica tudo em sentido, até porque se avizinha uma actuação em Mangualde. E o resultado tinha que ser perfeito.

“Um convívio muito aliciante” onde não falta “a disciplina”

Estava tudo a postos para o início do ensaio, no qual também querem participar mais 17 jovens. É que, por estranho que pareça, a fanfarra de Oliveira do Hospital teve que abrir uma lista de espera para futuros executantes. “Sempre que há uma actuação em Imagem vazia padrãoOliveira do Hospital é um problema, porque os pais até ficam chateados por não podermos admitir mais jovens”, contou ao Correio da Beira Serra o adjunto de comando da corporação e responsável pela fanfarra, dando conta de que há pais que se chegam a oferecer para comprar as fardas e os instrumentos para os filhos, havendo já quatro jovens nessas condições. Paulo Sousa explica o encerramento das inscrições com o facto de a corporação não ter capacidade para, em caso de actuações fora, assegurar o transporte de todos os executantes. “Seria mau termos 80 elementos e sermos obrigados a seleccionar 50 para sair. Isso era acabar com a fanfarra, porque o prémio é o convívio proporcionado pelas actuações fora”, acrescentou Paulo Sousa, contando que a direcção e comando dos bombeiros têm vindo a envidar esforços para a aquisição de um autocarro para a fanfarra. Até agora, as deslocações têm sido asseguradas com transporte da Câmara Municipal – o autocarro só tem capacidade para 53 pessoas – e viaturas da corporação. O peditório porta-a-porta e a dinamização de actividades para a angariação de fundos têm sido algumas das iniciativas postas em prática.

Convidado pelo CBS a desvendar o mistério responsável pela atracção de tantos jovens à fanfarra, o adjunto de comando não hesitou em expressar um ar de satisfação e um sorriso de orgulho por tal facto. “É um convívio muito aliciante, em que uns puxam pelos outros sempre com disciplina”, contou explicando que este grupo já era esperado há muitos anos pelo povo de Oliveira do Hospital. “Na apresentação pública da fanfarra assistiu-se ao entusiasmo total das pessoas”, referiu, sublinhando que tal aconteceu em Dezembro de 2006. Recordou também a primeira saída – para a Figueira da Foz – contando que a fanfarra foi muito elogiada. “As pessoas ficaram admiradas, porque não compreendiam como era possível a uma fanfarra tão jovem, conseguir ter feito aquela apresentação”, referiu, considerando como notável o trabalho desenvolvido pelo mestre João Paulo Simões.

Foi, de resto, com João Paulo Simões que o sonho antigo de constituição da fanfarra se tornou real. Executante da congénere de Gouveia desde 1992, o jovem de 30 anos é responsável pelo sucesso do grupo, com o qual diz ter grande satisfação em trabalhar. Ao CBS, considerou “óptima a motivação e o empenho” de cada um dos 63 elementos, por entender que “assim é meio caminho andado”. Simões não esconde o contentamento por já existir uma lista de espera de admissão ao grupo, mas prefere não dar grande importância aos elogios que a fanfarra tem vindo a receber. “Não nos podemos basear nisso. Temos que continuar como se estivéssemos agora a iniciar”, referiu.

“Desejo de há muitos anos”

Para além de se cumprir um desejo da população, cumpriu-se a vontade dos que dão a cara pela AHBVOH. “Tratava-se de um desejo de há muitos anos, muito ambicionado pelo falecido comandante Serra e direcções anteriores”, contou o actual presidente da direcção, Arménio Tavares, assegurando que o atraso na sua constituição se deveu não por falta de meios financeiros, mas sim pela dificuldade em encontrar alguém para ministrar a formação musical e operacional para os desfiles.

Ultrapassada a falta de mestre, a activação da fanfarra foi também possível com o apoio do empresário António Lopes – contribuiu com 10 mil euros – da Câmara Municipal e anónimos. Apoios que a direcção e comando dos bombeiros não se cansam de agradecer. Por agora a luta passa pela angariação de fundos para a aquisição do autocarro.

Liliana Lopes

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