Fantasma do desemprego paira sobre a Jammo

… localizada na zona industrial de Oliveira do Hospital, reuniram-se esta manhã à porta da empresa, depois de terem sido confrontados com a antecipação das férias que só deveriam começar amanhã. Os trabalhadores queixam-se da ausência da administração e apelam ao diálogo dos responsáveis pela empresa até 29 de Dezembro, data para a qual já está marcada nova reunião em frente à empresa.

“As pessoas estão a chegar a uma situação de carência”, afirmou ao correiodabeiraserra.com Fátima Carvalho do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis do Centro que tem vindo a acompanhar o percurso da empresa há já vários meses. Inclusivamente, como explicou, até foi feita no mês passado uma reunião no Governo Civil de Coimbra com o empresário que “se mostrou interessado em encontrar soluções”. Passado um mês, as soluções continuam sem existir e a agravar a situação está “a indiferença” da administração da empresa que – segundo a dirigente sindical – não tem aparecido, nem dialogado com os trabalhadores.

De acordo com Fátima Carvalho, a administração terá incentivado os trabalhadores a concluírem a última encomenda para a Zara – principal cliente da empresa que no Verão passado fechou a unidade que mantinha em laboração no vizinho concelho de Seia – com o argumento de que o pagamento dos salários seria regularizado depois disso. “Agora os trabalhadores acham que o dinheiro da Zara já chegou, mas que não foi usado para pagar os salários”, referiu a este diário digital, lamentando a situação a que estão votados os trabalhadores, sendo que nalguns casos se tratam de casais e famílias com graves dificuldades económicas. “São tudo pessoas que recebem apenas o ordenado mínimo”, lembrou a sindicalista, notando que os trabalhadores “estão a viver momentos de grande amargura”.

“Temos ali uma situação que deveria preocupar todas as forças vivas do concelho”, sustentou Fátima Carvalho, lembrando que estes trabalhadores não têm qualquer possibilidade, neste momento, de aceder a qualquer tipo de subsídio. Sublinha os contactos desencadeados junto do Governo Civil e Centro Distrital da Segurança Social e lamenta a inexistência de um mecanismo que assegure qualquer ajuda para os trabalhadores que se encontram em situação precária. “No distrito, temos 10 empresas nestas condições, num total de mil trabalhadores, embora a Jammo seja a que está em piores condições”, referiu a responsável, destacando o facto de todos os trabalhadores serem contribuintes activos. “No século XXI deveria ser impensável uma situação destas”, desabafou, referindo que o próprio ministro Vieira da Silva já foi alertado para a necessidade de se equacionarem mecanismos que possam ser usados para ajudar os trabalhadores que se encontram nestas condições.

A este diário digital, Fátima Carvalho lamentou que o Natal vá ser “muito triste” para os funcionários da Jammo. Não deixou ainda de denunciar o caso de uma funcionária com contrato a prazo que expira a 28 de Fevereiro de 2009 e que recebeu uma carta da administração a dizer que o contrato não iria ser renovado e que se encontra suspenso até àquela data.

“Que tipo de seres humanos são estes que fazem mal uns aos outros?”questionou.
Apesar das várias tentativas, o correiodabeiraserra.com não conseguiu estabelecer contacto com a administração da empresa.

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