Onde está a caleira? Autor: João Paulo Albuquerque

Feliz 2015. Autor: João Paulo Albuquerque.

Chegamos ao dia 31 de Dezembro, dia de São Silvestre. Terminamos um ciclo de 365 dias (e seis horas), completando mais um ano. Findou o 2014, um ano de grandes dificuldades para a maioria dos Oliveirenses, tendo muitos que procurar o seu sustento e o dos que de si dependem fora do concelho. Por cá, tivemos aumentos das tarifas da água e saneamento, agravamentos do IMI, desbaratamos valências no tribunal, perdemos médicos e enfermeiros, fechamos escolas, pioraram as estradas, desapareceram empresas, enfim foi um “ano horribilis” para os munícipes… Resta-nos esperar que o 2015 seja diferente! Que seja um ano onde as esperanças se concretizem e que os Oliveirenses alcancem dignamente a felicidade.

Felicidade, que os estudiosos contemporâneos dizem não saber definir com precisão o que realmente é…e que os mais antigos aventaram diferentes explicações.

Tales de Mileto, na Grécia Antiga, julgava feliz “quem tem o corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada”. Aristóteles afirmava que “a felicidade atinge-se pelo exercício da virtude e não pela posse desta”. Já Sócrates asseverava que a “felicidade seria o bem da alma, através da conduta justa e virtuosa. Para Santo Agostinho, “a felicidade está em continuar a desejar o que se possui.” E Voltaire avisava que “o maior problema e o único que nos deve preocupar é vivermos felizes”. Kant, mais terrenamente, diz-nos que “a felicidade está no âmbito do prazer e desejo, e não há relação com Ética”. A eterna busca da felicidade passou a ser “direito do homem”, estando consagrada na Constituição dos Estados Unidos da América, de 1787, redigida de acordo com o Iluminismo, incluindo-se entre os direitos inalienáveis do Homem. “Felicidade” essa que para Guerra Junqueiro consistia em três pontos: trabalho, paz e saúde.

E procurando também eu a minha felicidade, como munícipe, vou às doze badaladas cumprir a tradição e pedir os meus desejos para o novo ano. Em doze segundos, terei que deglutir as passas algarvias, esperando que esses desejos se tornem realidade. São simples, como podereis ver, e não passam de direitos que a Lei nos concede e que o bom senso aconselha:

1ª Passa: vou desejar saber quanto custou aos munícipes a equipa multidisciplinar formada para ajudar a resolver os problemas existentes nas águas, lixos e saneamentos.

2ª Passa: vou desejar saber quem são os corpos gerentes da BLC3 e quanto custa à CMOH esta plataforma.

3ª Passa: vou desejar saber qual o projecto arquitetónico da BLC3 para a ACIBEIRA, quem o fez, quando o fez e quanto custou.

4ª Passa: vou desejar saber porque é que a BLC3 entregou a fiscalização da obra a alguém fora do concelho directamente por 74990€, quando os serviços camarários o podiam ter feito a custo zero.

5ª Passa: vou desejar saber o resultado do relatório que a BLC3 ficou de enviar até hoje à CMOH, referente, entre outros pontos, à ajuda à equipa multidisciplinar e que para tal recebeu 60 mil euros:

6ª Passa: vou desejar saber porque é que as obras concelhias de maior valor e com ligação ao município são ganhas consecutivamente pela empresa CIP-Construções SA:

7ª Passa: vou desejar saber se a ocupação do Pavilhão na ZI da Cordinha cumpre os acordos de arrendamento que estão definidos.

8ª Passa: vou desejar saber se a Fundação Dona Maria Emília Vasconcelos Cabral é actualmente algo mais do que um mero canil.

9ª Passa: vou desejar saber se empresas de informática podem concorrer à limpeza das margens e leito dos rios do concelho, que alvará é necessário para tal?

10ª Passa: vou desejar saber quais são as diversas intervenções no Centro Educativo de Nogueira entregues à CIP-Construções, SA que nos custam 30.766,63 €, quando esta empresa efetuou a obra principal, estando ainda no prazo de garantia de 5 (cinco) anos.

11ª Passa: vou desejar saber quanto se poupou em energia eléctrica e quanto se pagou à equipa criada pela câmara e liderada por Rui Coelho para esse efeito. Para saber se o que pouparam paga o que se gasta com essa equipa.

12ª e última Passa: vou desejar saber quanto se encaixou financeiramente com o aumento das taxas e tarifas da água, lixo e saneamento.

Depois de vos dar a conhecer estes meus 12 desejos, enquanto munícipe, quero acreditar que o sonho de querer ser feliz em Oliveira do Hospital não se desvanecerá. Que 2015 seja um Ano de agradáveis surpresas.

Bom Ano a todos.

Onde está a caleira? Autor: João Paulo AlbuquerqueAutor: João Paulo Albuquerque

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  • Politicalex

    Ó João: É muita “passa”..! Então com todas estas notícias, de fim de ano, acha que os homens ainda não estão “passados”? Estão e de que maneira…Eles andavam admirados que não tinha acontecido nada em 6 meses..! A cultura que têm não lhes chega para saberem que, os resultados das “brincadeiras” costumam aparecer depois de 9.Agora vão ter um ano todo para esperar. Cá para mim, não precisam sentar-se.Acho que vão continuar a receber “prendas” ainda na época festiva…

  • Mitómano

    “Para se ser feliz é preciso ser-se um bocado parvo. Eu, por exemplo,
    sou. A felicidade é inversamente proporcional a uma série de coisas de
    boa fama, como a sabedoria, a verdade e o amor. Quando se sabe muito,
    não se pode ser muito feliz. A verdade é quase sempre triste.”

    Está explicado porque é que há tanto parvo …