Antes do 25 de Abril não havia direito a férias como tal... Não havia “subsídio de férias” como tal. Agora, já nem sequer há direito a salário. Sim, também aqui no nosso Concelho, há muitos trabalhadores com salários em atraso quanto mais com “subsídio de férias”...

Férias? “Só” para retemperar forças…

São algumas das más consequências das políticas de direita – políticas de retrocesso civilizacional – aplicadas por estes “modernaços” do PS, do PSD e do CDS/PP que, à vez à vez, se aboletaram nas cadeiras do poder desde há 30 anos a esta parte.

Logo a seguir, na escala, não há direito ao trabalho como questão essencial à dignidade das Portuguesas e dos Portugueses. O novo “código laboral”, para além de outras malfeitorias, ao impor a mobilidade do local de trabalho e a flexibilidade quase completa dos horários de trabalho – deixando isso praticamente ao livre arbítrio do patronato -– acaba por retirar aos trabalhadores o efectivo direito ao repouso, ao lazer e à tranquilidade da vida organizada em família. Os trabalhadores passam a ser um “joguete” sujeito aos interesses do patrão que, ainda por cima, às tantas acaba por não lhes pagar os salários…

Dir-se-á que muitos são os patrões em sérias dificuldades para “aguentarem” as suas empresas, o que também é verdade dada a situação económica do País. Sim, também os pequenos e médios empresários são vítimas das políticas de direita onde apenas os grandes “tubarões” singram exactamente porque “comem” os mais pequenos. Também aqui nada de novo pois até o Padre António Vieira já assim pregava há mais de 400 anos atrás.

Depois, o “sistema” fomenta o desemprego como se este fosse uma fatalidade e, ainda por cima, uma fatalidade também ela “modernaça”. Há desemprego estrutural hoje, tal como existiu antes, porque isso corresponde (e correspondeu) aos interesses do grande patronato. Com mais de 500 mil desempregados no País, há quem trabalhe de graça, ou pela comida, ou por salários de miséria e até há quem pague para trabalhar e não são assim tão poucos…

Por ironia, embora de duvidoso gosto dada a natureza das coisas, diremos que o único direito que os escravos tinham era o direito ao trabalho. Mas era trabalho escravo, sem quaisquer direitos. Hoje, nem trabalho sem nem trabalho com…direitos. Num certo sentido, muitos trabalhadores estão hoje em piores condições do que se esteve no tempo da escravatura. Aí, pelo menos, pelo menos, os escravos tinham de ser alimentados pelos seus proprietários quando não morriam cedo e os seus “senhores” tinham prejuízo com isso, coisa que não lhes interessava muito.

Hoje, há milhares de trabalhadores que trabalham e, depois, o seu trabalho nem sequer lhes é pago ou seja, ficam sem recursos económicos para se alimentar… Esta é outra das “modernidades” trazidas para a nossa vida por estes “artistas” que se apoderaram do poder político (e económico). À volta de tudo isto, em Portugal, o custo de vida está, comparativamente, dos mais caros em toda a União Europeia. Em Portugal, neste nosso querido País, há centenas de milhar de Portuguesas e de Portugueses que não vivem, antes sobrevivem num acto quotidiano de sacrifício e de coragem também.

Em contrapartida, recebem doses brutais de propaganda oficial e de ideologia oficiosa. O “sistema” e os seus mandantes – os grandes capitalistas -– sabem bem que enquanto o “escravo”, manipulado política e ideologicamente como acontece, estiver convencido que é livre e que escolhe e que fica satisfeito com isso, enquanto assim for, não há o perigo desse “escravo” se revoltar e de querer mandar este “sistema” pela sarjeta da história abaixo…

É pois neste muito difícil contexto que há quem lute por um futuro melhor. Sim, que este “sistema” liquida-nos o futuro à nascença. Férias? Quem puder que as tenha. Da nossa parte, “só” para retemperar forças…

* Autarca da CDU – Oliveira do Hospital

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