Festa de Nossa Senhora das Necessidades deu vida a Vale do Ferro

Vale do Ferro, uma pequena aldeia do concelho de Oliveira do Hospital, local bonito e inóspito, já não é o que era noutros tempos. A povoação teve cerca de seis dezenas de habitantes. Agora conta apenas só com quatro residentes permanentes. E mais seis almas. Todas estrangeiras que recuperaram velhas habitações para utilizarem nas férias. Todos parecem ter desistido de Vale do Ferro. Todos? Não! Dois naturais da aldeia resistem ainda e sempre à ideia de abandono: Mário Ventura e António, conhecido como “Canhoto”. Foram eles que, há cinco anos, relançaram a festa anual de Vale do Ferro em honra de Nossa Senhora das Necessidades. Um êxito. Ontem realizou-se mais uma edição que juntou mais de 150 pessoas junto à capela local. Por devoção e para participarem no farto repasto.

3“Nasci em Vale do Ferro, habito no Ervedal e estive 28 anos nos Estados Unidos, mas não esqueço o meu berço e o local onde vivi até aos oito anos. Naquele tempo isto era lindo, todas as casinhas habitadas. A festa era grande, tinha banda e tudo. Agora estamos a tentar recuperar a tradição”, conta Mário Ventura que só regressou em definitivo a Portugal em Novembro, mas nos últimos anos sempre aproveitou as férias para participar na festa. “Não podia perder”, conta, lamentando as condições degradantes condições de acesso àquela terra.

O regresso do sino

É esta dupla que oferece “os comes e bebes”. Depois cada visitante dá a contribuição que entende para a Santa, fundos que depois são utilizados para recuperar e dinamizar a capela datada do século XIX. Um dos objectivos é colocar mais santos no altar. E as comemorações de ontem serviram já para recolocar o sino da capela, após a recuperação da madeira que sustenta o instrumento de bronze, numa acção conduzida por 2Herman Mertens, um dos quatro estrangeiros que vive permanentemente em Vale do Ferro, local onde tem a galeria de arte Pátio Velho. Os bancos também foram renovados.

“Estamos a trabalhar bem, não se pode deixar acabar tudo e penso que para o ano irá ainda melhorar”, conta. A própria união de Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira também promete ajudar em tudo o que seja possível. “É importante manter as tradições, nós ajudamos com alguma coisa e com a preservação do local, como seja a limpeza do espaço”, refere o autarca Carlos Maia.

“A nível religioso, os locais têm sempre um significado importante e conseguem reunir pessoas das localidades à sua volta. Mesmo abandonado, o Vale do Ferro continua a ser um ponto de referência”, conta o padre Paulo Silvestre, que tem notado um aumento de participantes de ano para ano. “A capela estava cheia e muita gente lá fora. Continua a ser um local onde as pessoas se encontram consigo próprias e com Deus. Além disso, tem também a parte do convívio que é muito interessante”, refere.

Depois da fé o repasto

Nada que seja de somenos importância como confessava um dos convivas. 4“Não faltou o bom vinho, branco e tinto, o queijo da serra, carne de porco e de vaca grelhada e os peixinhos do rio Mondego. Muito bom”, conta ao CBS, sem tirar os olhos do assador. “É importante este tipo de reencontro. Mesmo nos locais mais inóspitos a fé continua a reunir as pessoas”, remata o padre Paulo Silvestre, rematando com um ditado popular a fé é sempre a última coisa a morrer”.

Curiosamente, a festa deste ano da de Nossa Senhora das Necessidades coincidiu com uma das celebrações importantes do calendário católico. O Pentecostes que comemora, segundo a crença, a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo. Talvez um bom prenúncio para todos aqueles que pretendem revitalizar Vale do Ferro e esperam, como referia um dos naturais da aldeia, que “desça algum bom senso sobre o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, que o leve a reparar os caminhos e a servir condignamente o local de infra-estruturas de água e saneamento”.

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