O próximo convívio dos antigos alunos do colégio Brás Garcia de Mascarenhas tem data marcada: 19 de Abril. Prestes a comemorar noventa anos de vida, a 11 deste mês, o professor Albano Silva, talvez o aluno mais antigo a responder à chamada, conserva memórias pormenorizadas para regalo de quem ouve.

Figuras: Albano Silva

Imagem vazia padrãoHá, também, uma postura cavalheiresca que fascina quem tem a sorte de dois dedos de conversa numa tarde com cheiro a primavera…

Serão centenas os antigos alunos do colégio que irão participar no encontro de Abril. A comissão organizadora aposta num número: 350!
…Possivelmente, a festa vai ser de arromba!
Estou em crer que todos (os ex alunos) corroboram as palavras do Albano Silva, quando sintetiza a importância do colégio onde viveu “tempos maravilhosos”:
-“ Era uma casa extraordinária! Trabalhava-se muito, professores e alunos, e os resultados estão à vista. Na região o colégio era uma referência nacional”.
Estará (quase) tudo dito sobre o colégio Brás Garcia de Mascarenhas, mas importa realçar o destaque da revista da Escola Secundária de Oliveira do Hospital, Ipsis Verbis, anos atrás, que trouxe a público estórias e depoimentos interessantes e importantes que reforçam a expressão do professor Albano.

Em 1930, com a instrução primária despachada, o jovem Albano Rodrigues da Silva foi estudar para Coimbra. Por aí se manteve dois anos. Depois, com a abertura do colégio, o melhor era ficar por cá e continuar os estudos perto de casa.

-“Nasci em Nogueira do Cravo, o meu pai era mestre-de-obras, ele e a minha mãe queriam que eu fosse professor primário, portanto tinha mesmo de estudar. Quando o colégio abriu, o director sugeriu o meu ingresso, o meu pai achou bem, e vim… Fiquei até ao 6º ano, com a ideia de completar mais tarde o Curso Geral da Escola do Magistério Primário. Infelizmente, na altura houve uma reforma no ensino, aparecerem os “Regentes Escolares”, e eu fui praticar numa repartição pública. Mas como o recurso aos Regentes não trouxe os resultados esperados, por não terem habilitações nem conhecimentos suficientes, o Governo recuou e abriram-se, de novo, as portas do Magistério. Na altura tinha vinte anos. Então, concorri e fui frequentar o curso durante um ano (anteriormente eram dois) e consegui atingir os meus objectivos.

Uma "vida" dedicada ao ensino e à causa pública

Já como professor primário, dei aulas na Bobadela, Arazede, Espariz, até ter sido colocado em Nogueira do Cravo, onde me mantive até à aposentação. Resumindo: fui professor durante cinquenta anos!”.

Em determinada altura, era presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital o dr. Oliveira Mano que se debatia com problemas de logística e falta de pessoal. O Concelho tinha cerca de cem professores que, continuamente, recorriam à Câmara para ajudas e solução dos mais diversificados problemas. A pedido do presidente, o professor Albano da Silva, depois das aulas, ia para a Câmara com a missão de colaborar na secção para a qual tinha conhecimentos de sobra; é, pois, como voluntário e sem receber qualquer vencimento que passa a desenvolver trabalho específico em prol do ensino, numa vertente puramente administrativa.

Oliveira Mano, entretanto, foi para África e a Câmara fica sem presidente, lugar que tardou em ser preenchido. As pessoas mais influentes juntaram-se num jantar na Urgeiriça, onde surgiu a solução. –

“Ninguém queria ir para a Câmara porque havia poucas condições de trabalho e as dificuldades eram incalculáveis. Lembraram-se de convidar o dr Ferreira Dinis que, a custo, aceitou mas na condição de eu também aceitar desempenhar outras funções, mais próximas da presidência, o que fiz durante quinze anos”.

O CBS, ao anunciar o convívio dos antigos estudantes do colégio Brás Garcia de Mascarenhas, sintetizou a actividade administrativa do professor Albano Silva:
Foi vice-presidente da Câmara de Oliveira do Hospital durante o período do Estado Novo – primeiro com Ferreira Diniz e depois com Afonso Amaral –, delegado escolar durante vários anos e, após o 25 de Abril, foi eleito como vereador para a autarquia oliveirense pelo CDS – a presidência estava a cargo de António Simões Saraiva –, que hoje é liderado pela filha, Adelaide Freixinho.

Reformado de uma vida inteira dedicada ao ensino e à causa pública, o professor Albano, confessa não ter ficado com hábitos de leitura – apenas lê jornais para estar em dia com as coisas do mundo. –

“Tenho a felicidade de ter uma família maravilhosa: dois filhos extraordinários, quatro netos encantadores e seis lindos bisnetos Fico aqui por casa, mas sempre que posso vou até Nogueira do Cravo, onde me sinto sempre muito bem. Vou no meu carro, nas calmas…”.

E numa confidência:
-“Conduzo há imenso tempo e nunca tive um acidente”!

Carlos Alberto

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