O sentido da responsabilidade de Celestino Sancho, aos 77 anos, continua incólume: apenas meia hora para dois dedos de conversa, porque no tempo certo voltaria aos seus discípulos, e ensinar solfejo com arte e paciência tem que se lhe diga. A Tuna de Penalva de Alva, de que faz parte, é um dos seus “mundos” – há outros, porém, para além da família, de que fala com entusiasmo…

Figuras: Casimiro Sancho

A música faz parte da vida de Casimiro Sancho desde (quase) sempre. Começou no grupo “Estrelas do Alva”, passou pela Tuna, saiu e voltou, e entre os anos 70 e 90, partilhou acordes com os amigos do “Sol Dourado” – outro grupo de que fez parte, “com muito orgulho”!

Na Tuna – sempre ela – teve a sua iniciação musical, “… mas pouca coisa – diz –sempre procurei aprender sozinho. Nesse tempo, por volta de 1937, as coisas eram diferentes de agora, havia poucos recursos”. Pelas palavras, desfilam memórias, que, forçosamente, passam pelo amanho da terra, e outras ocupações profissionais. Voltamos ao banjo que dedilha com mestria e ao carácter com que sempre se afirmou, fosse onde fosse, houvesse ou não bailarico a merecer os seus cuidados musicais ou outros

Imagem vazia padrão– “Sempre assumi os meus compromissos e não sei trabalhar de outro modo. Foi por isso que lhe disse que não podia atrasar-me, e as crianças daqui a pouco começam a chegar”.

Casimiro entende que é chegada a hora de dar o “lugar aos novos” e mais dia, menos dia, retira-se da “música” para o aconchego do lar mas, insiste “… sem nunca deixar de trabalhar, porque sem isso não era capaz de viver. Já vai sendo tempo de pensar mais em mim; a Tuna está muito bem servida de executantes e de maestro, devo dizer, portanto, pouca falta irei fazer”. O nosso “mestre” (Rui Marques) é jovem e está a fazer um excelente trabalho; daqui a uns tempos, com mais maturidade, ainda será melhor – é a pessoa certa para estar à frente deste grupo de gente nova.

Quando isso acontecer, a Tuna de Penalva fica mais “pobre” – diz um dos seus elementos – “porque o nosso Casimiro e outros como ele são a alma da instituição. Temos imensa honra em o ter como parceiro e não desejamos que saia do nosso convívio.”

Entre outros instrumentos, além do banjo, toca viola e bandolim, – “Sinto-me à vontade em qualquer desses instrumentos – diz – porque sempre me dediquei ao estudo dos mesmos, faz parte da minha maneira de ser preocupar-me com o conhecimento e nunca me dei mal com isso….” Olhar vivo, magro, passo ligeiro, não parece estar à beira dos “oitenta”. Sorri pela graça que lhe deixo.
– “Parece um jovem! Pudera, a viver neste paraíso do vale do Alva”…

– “Tenho uma alimentação rigorosa, faço os possíveis por cuidar de mim. Se não pensarmos em nós, quem o há-de fazer? No Verão sabe bem andar por aqui; nasci em Santo António do Alva mas vim para Penalva aos onze anos, portanto, também sou um pouco penalvense”.

 Um dia destes, o filho Fernando, elemento do grupo “Inops”, é bem capaz de se juntar à Tuna para a homenagem pública merecida. Um dia…

Carlos Alberto

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