Figuras: Liliana Seixas

Por ora, tem um Spitz anão, uma égua baptizada com o nome de “foca”, cria periquitos com ciência de “mestre”, e ainda tem lá por casa mandarins, que lhe dão cuidados, e outros animais de maior porte.

Respigo de uma mão cheia de poemas esta “Fogueira”:

São estrelas a cintilar
São pirilampos a voar
São danças de serpentes
São pétalas de ouro espalhadas
São cavernas iluminadas
São ramos de sol enfurecidos
São estalos de embalar
São cortinas amarelas
São lanças que brincam com o vento
São laranjas polidas
São desertos ressequidos sem areia
São montanhas sem ninguém
São desenhos abstractos
São carícias sem amor
São pancadas sem doer
São cometas sem galáxia
São quedas sem destino
São vidas… que deixam de viver.

A Lili (para os amigos, e é assim que fica, em letra de forma…) está por inteiro neste “retrato” à la minuta que faz de si, ainda que o não assuma. O seu mundo está presente nas frases curtas, embora noutras leituras se adivinhe que o gosto pela vida percorre outros caminhos, digamos… mais reais e cosmopolitas, como é o caso da Moda:

– “Gosto de Moda, como todas as mulheres, mas fui mais longe: a convite de uma empresa de Oliveira do Hospital fiz o curso de estilismo da “CENATEX” (uma das maiores empresas nacionais privadas na área da formação profissional); curiosamente, neste momento estou a trabalhar numa loja de roupa, mas ainda não sei se vou enveredar por aí, mas é uma opção, entre outras, como desenhar e fabricar roupa para animais, que já produzo como passatempo”.

Das “outras opções” pode escolher… talvez um emprego na área jurídica:

– “Talvez, porque tenho um curso de serviços jurídicos, com estágio no Tribunal concelhio…”. Pelo que ficou dito, em relação ao gosto pelos animais, certamente vai aplicar os conhecimentos já adquiridos numa área específica:

– “Estive na “ANCOSE” (Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela) onde tirei um curso de empresária agrícola; como o campo e tudo o que lhe está associado me fascina, pensei seguir Agronomia, mas acabei por me inscrever na ESTGOH em Administração e Finanças, embora continue com o sonho, que espero concretizar, de me dedicar à produção animal, talvez como criadora de cães…”.

“Saber mais, sempre mais”, é o lema da Lili, daí esta procura incessante pelo conhecimento científico, pondo de lado o empirismo como única aprendizagem das matérias a que se dedica com paixão.

“Retrato” à la minuta em letra de forma

“Considero-me uma mulher apaixonada – diz a Lili – pelas coisas e pelas pessoas, e é assim que estou de bem comigo. Envolvo-me com paixão nas actividades que me ocupam, sejam elas quais forem; para me sentir feliz tenho de fazer sempre mais do que uma coisa e isso é gratificante para o meu equilíbrio emocional.

“Por exemplo, o prazer que me dá montar a cavalo é indescritível; ir a galope pelos campos é uma sensação de liberdade única, e como por norma o faço na companhia de pessoas amigas, a doutora Aldina e o doutor Adriano, o gosto ainda é maior. Gosto de ser multifacetada”.

Assina os seus poemas com o pseudónimo de Twiggy Marley numa homenagem à actriz e modelo, mas pode ser reconhecida na prosa ou na pintura por “RX” ou “Púrpura “ – apenas e só porque se transcende na busca do belo, até nos heterónimos que, na verdade, representam a própria consciência, felizmente nada sofrida como erradamente se pode deduzir pela leitura de parte da sua obra poética.

Não tarda, haverá sessão pública para que se conheça esta jovem autora de inegável talento.

Liliana Catarina Gonçalves Seixas nasceu em Oliveira do Hospital num 25 de Abril de um ano qualquer, distante do tempo da Revolução que celebrizou a data. Multifacetada, como referiu, tem a disponibilidade intelectual à mercê de um futuro recheado de sonhos e ideias em sintonia com a mãe Natureza.

A poesia com que escreve ou pinta as suas emoções permite citar Dostoievski:

– “A beleza salvará o mundo”.

Carlos Alberto

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