Feliz de quem procura a sorte no sonho e consegue atingir o desígnio a que se propõe. A intuição precisa de vontade, disponibilidade e insistência. Junte-se uma pitada de sorte, conhecimentos académicos e talento, muito talento - o cocktail fica pronto a servir no mercado de trabalho. “O sonho comanda a vida” – todas as vidas.

Figuras: Mariana Nunes

Miguel Torga vai mais longe: “O que é bonito neste mundo, e anima, é ver que na vindíma de cada sonho fica a cepa a sonhar outra aventura…”

Imagem vazia padrãoAs aspirações de uma jovem profissional de teatro não têm limites. Entende-se porquê: os caminhos a percorrer até ao estatuto profissional desejado têm escolhos, o mercado nacional é exíguo e certos ideais nem sempre são possíveis de concretizar – nada que a artista não saiba antes do “tiro da partida”: viver da arte não é uma maratona, há sucessivas etapas a vencer. Sonhar é preciso!

No caso da Mariana Nunes (natural de Alvoco das Várzeas), depois da licenciatura, a sorte de “… trabalhar naquilo que sempre quis” tem um significado especial:

– “Ter enveredado por uma carreira artística é a concretização de um sonho, de facto, que me permite ser interventiva na sociedade, através da arte de representar, porque entendo que a arte é um dos veículos para comunicar e educar as massas. Nunca me pautei pela ambição da fama, mas gostaria de ocupar o meu espaço cívico de forma útil e reconhecido: a arte tem de ser acessível a todos, não pode ser elitista, embora reconheça que o grau cultural das pessoas condiciona a ideia abrangente que perfilho”.

A licenciatura em teatro e educação na Escola Superior de Educação de Coimbra proporcionou-lhe conhecimentos que vão para além do exercício de representar.

– “O curso permite-nos abarcar várias áreas do teatro, da iluminação à sonorização, da cenografia à representação. A profissionalização, neste caso, passa por um todo onde o ensino está incluído; durante o estágio, no terceiro ano, por exemplo, estive a dar aulas de expressão dramática numa escola.

Antes de ingressar no curso, estava dividida entre História das Artes e o Teatro, mas foi o TEUC que me aproximou do mundo que me fascinava; conheci pessoas que me convenceram a optar, o que não quer dizer que mais tarde não volte à hipótese que durante certo tempo coloquei a mim mesma…”

No TEUC (Teatro dos Estudantes Universitários de Coimbra) o seu nome constou do elenco de “As mulheres de Lorca”, de Frederico Garcia Lorca, a partir das obras “Bodas de Sangue”, “Yerma” e “A Casa de Bernarda Alba”, “…e isso foi uma experiência enriquecedora”.

"A arte tem de ser acessível a todos, não pode ser elitista"

A partir de então, Mariana Nunes ultrapassou com perseverança as barreiras que foram surgindo. Ainda no estágio fez parte da equipa de actores da peça infantil “Enq, o Gnomo”, de Marcos de Abreu, com encenação do galardoado director brasileiro Marco António Rodrigues.

Mais tarde, passou a colaborar com a Companhia de Teatro de Coimbra Teatrão, actividade que ainda mantém .

De parceria com Adriana Campos aceitou o desafio da Culturgest: “PANOS – palcos novos palavras novas”.

– “A ideia era levar o teatro às escolas, com a intervenção dos grupos escolares ou de teatro juvenil. Coube-nos dirigir o projecto, o que fizemos com assinalável êxito, diga-se de passagem…”.

Outra experiência gratificante na carreira de actriz foi a peça “Quem matou Romeu e Julieta”, adaptação de Marcantónio del Carlo, que esteve em cena durante algum tempo no renovado teatro Messias, na Mealhada, envolvendo alunos das escolas – as verdadeiras “estrelas da companhia”, como foi referido na ocasião.

Naturalmente, o papel de Julieta coube à Mariana.

Do seu currículo faz parte a participação na peça “O Círculo de Giz Caucasiano”, de Bertolt Brecht, com encenação de Marco António Rodrigues, ainda no “Teatrão” de Coimbra, cidade que faz sua no percurso de todos os sonhos legítimos.

Por ora, além do ensino e da representação, desenvolve outras actividades na área do audiovisual; produzidos pela ZED FILMES, participou em alguns vídeo-clips, como foi o caso do tema promocional do grupo SQUEEZE THEEZE PLEEZE, “Sometimes a little some time”, que pode ser visto no sítio do YouTube (http://youtube.com/watch?v=0XXLBlvEcc0), ou ainda no tema “Lions eyes louder”, da banda JIGSAW, (http://youtube.com/watch?v=Rik8SIKIjag).

Quando lhe pergunto se gostaria de entrar numa novela, diz:

– “Nunca tive grande interesse, apesar de ter alguns convites, mas de facto não está nos meus planos curriculares e artísticos fazer novela, embora tudo dependa do projecto que me for apresentado. Um bom actor tem de fazer de tudo, comédia, drama, no teatro, no cinema ou na televisão, não se podem ter essas frescuras estanques e limitarmo-nos a um género e estilo – tudo depende, acima de tudo, como disse, dos projectos e da disponibilidade do momento.

Como oliveirense, não se imagina a fazer o que quer que seja no concelho, pelo menos enquanto existir a política cultural actual que, diz, pura e simplesmente “…não existe”!

E deixa no ar algumas questões que, a seu tempo, serão dissecadas ao pormenor.
Fica prometido…

Carlos Alberto

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