A técnica não é recente, mas reconheça-se que, por vezes, o efeito estético da impressão de uma fotografia sobre tela é surpreendente. Em alguns casos, a imagem salta à vista como se de uma pintura se tratasse – depende da sensibilidade de quem fotografa os objectos para reprodução futura.

 

Figuras: “Mimi” Monteiro

Imagem vazia padrãoA textura do tecido realça, a meu ver, a fotografia, conferindo-lhe algum classicismo. Vale a pena usar algum do tempo livre e “descobrir as diferenças”…

A livraria Apolo, em Oliveira do Hospital, tem em exposição dezasseis quadros onde se descobre a arte da professora Maria Luísa Monteiro de Carvalho, carinhosamente tratada por “Mimi” na roda dos amigos, familiares, alunos e colegas.

Não se trata de uma mostra servida pelo uso de tintas e pincéis, como em alguns casos se percebe, mas, com outro grau de dificuldade, deixa para a posteridade a minúcia do pormenor (passe a redundância) das imagens colhidas com sensibilidade e técnica de mestre.

De realçar a preferência da artista por certas naturezas mortas, que adquirem “vida” ao olhar atento que fica por detrás da objectiva.

– “É a segunda exposição que faço neste espaço; a primeira, também de fotografia, teve como tema a flor e escolhi imagens “macro” para realçar pormenores. Uso esta técnica porque permite mostrar aquilo que a “olho nu” é mais difícil de contemplar”.

“Como gosto de inovar, procurei junto de uma casa da especialidade alternativas à fotografia clássica, daí este desafio que permite apresentar a fotografia de um modo diferente, impressa sobre tela”.

A próxima exposição, sem data marcada, seguramente terá imagens captadas por si, num outro contexto e estilo porque “…as coisas não são tão óbvias como parecem”, e isso requer pesquisa, e muito trabalho.

– “Uso a fotografia como um escape, é um passatempo que me dá imenso prazer.

 Não gosto muito de fotografar e colar as imagens no computador, parece “impessoal” – prefiro-as na “minha mão”, “tocar-lhes”, sentir cada pormenor com o prazer da contemplação”.

Entre sorrisos, confessa “medos” por se assumir perfeccionista, “… só por esse motivo, e nada mais” ainda não mostrou publicamente algumas das suas pinturas, com base na fotografia, embora reconheça que a (sua) inspiração possa traduzir-se de diferentes formas nas obras que, mais dia menos dia, irá expor.

“A beleza da vida encontra-se nas pequenas coisas – afirma, de forma abrangente. “Cruzamo-nos todos os dias com pormenores que nos enchem a alma e passamos, quase sempre, adiante sem prestar atenção. As minhas fotografias são o reflexo do modo de estar na vida, organizada e minuciosa, independente no pensar e agir, talvez um pouco orgulhosa, mas solidária e sincera nas amizades que felizmente vou mantendo vida fora”

“Gosto de leccionar, e reconheço que, não tendo a sorte de ser mãe, os meus alunos preenchem, de algum modo, esse vazio pelos afectos que partilhamos, com respeito. Não tenho razões de queixa nesse aspecto ”.

O retrato à la minuta, feito por si, é, também, a assunção de outras imagens onde se revê; gosta de viver em espaços abertos, em contacto com a Natureza, e não abdica dessa opção de liberdade.

 – “Moro numa casa rodeada de árvores e flores, muitas flores, que planto em dezenas de vasos, o que me ocupa imenso tempo; é um trabalho que faço, apesar de tudo, com muito gosto”.

Na quinta da família, em Oliveirinha, a casa de campo ostenta o ano de 1777 como marco de um longínquo passado com história, que os buchos centenários (arbustos ornamentais) testemunham.

Naturalmente, o tema da exposição da livraria Apolo não poderia ser outro: “A Terra, a Água e a Natureza”.

A professora Maria Luísa Monteiro de Carvalho nasceu em Oliveirinha, estudou em Oliveira do Hospital, com a arte do desenho na ideia de um futuro que queria para si. Como? Depois se veria…

A seguir a um “chumbo”, trataram de a matricular no colégio da Rainha Santa, em Coimbra, com a finalidade de, mais tarde, cursar Economia.

 Quando soube da existência de uma Escola de Artes – Instituto de Arte e Decoração – em Lisboa, que leccionava, entre outros, o curso de Decoração de Interiores, convenceu o pai a deixá-la viajar até à capital, onde permaneceu durante três anos.

Curso acabado e com alguma experiência profissional, voltou a Oliveira do Hospital e ingressou no ensino como professora de Educação Visual., que ainda exerce, embora com outra denominação. Decorria o ano de 1973.

Nos primeiros anos, dedicou-se por completo ao ensino, ao desenho e à pintura; entrementes, frequentou vários cursos técnicos extra curriculares, sem deixar de lado a fotografia, sobretudo a preto e branco, gosto que continua presente nas suas opções estéticas.

“– Sinto-me muito bem na área do ensino que escolhi. Em criança imagináva-me nesta área, era isto que desejava seguir, sem dúvida”.

“A fotografia aparece mais tarde e mais a sério através do “Clube de Fotografia”, que dirigi na Escola durante uns tempos”.

“Foi um período fantástico de aprendizagem, experiências e partilha de ideias com colegas e alunos; fizeram-se trabalhos muito interessantes, e a partir daí, se antes tinha a máquina fotográfica por perto, depois passou a ser uma espécie de adereço obrigatório”.

Por mais uns tempos, “A Terra, a Água e a Natureza” são o mote para conhecer de perto a arte da professora “Mimi” Monteiro, em exposição na livraria Apolo, em Oliveira do Hospital.

Carlos Ramos

LEIA TAMBÉM

Casas abandonadas. Autor: Renato Nunes

A partir do momento em que a minha avó materna faleceu, já lá vão 22 …

Festival “Origens” de Travanca de Lagos agendado para o próximo fim-de-semana

Os Jovens da Liga de Travanca de Lagos apresentam, de sexta-feira a domingo, mais uma …