Figuras: Raquel Marques

… a mais uma Arquitecta, porque sempre o quis ser, desde menina. Apesar de nunca se ter desviado do percurso de estudante aplicada, em linha recta, por vezes fez pausas, questionando-se a si própria: serei capaz?

Raquel Marques é uma jovem simpática, de sorriso bailarino no rosto, por isso ninguém lhe adivinha os sacrifícios que ultrapassou até agora, no limiar do terceiro ano do curso da arquitectura na EUAC (Escola Universitária das Artes de Coimbra, continuadora da ARCA). A pintura e a fotografia, por outro lado, ocupam-lhe os tempos livres, e o aparente uso automatizado da máquina fotográfica não é mais do que um excelente exercício para outros voos. É disso que “fala” a exposição que actualmente pode ser apreciada na Livraria Apolo.

Natural de Vila Nova de Oliveirinha, Raquel Marques frequentou a Escola Secundária de Oliveira do Hospital até ao 9º ano. Depois, decidiu ir para Coimbra e frequentar a José Falcão com o intuito de, mais tarde, ingressar na ARCA, como aconteceu:

– “Saí de Oliveira porque na escola, na altura não havia “Artes” e eu tinha o sonho de cursar Arquitectura. Tinha média de quinze, decidi ir para a ARCA que, como se sabe é uma escola particular. Às vezes pensa-se que neste tipo de escolas, onde se paga e bem, a vida dos alunos é facilitada quando chega a altura de avaliar a nossa prestação, mas não é verdade; aqui dificultam-nos imenso a vida e ninguém pode deixar-se “adormecer no estudo”.

Arquitectura (s) de sonhos e realidades

Um “pequeno percalço” no 1º ano, mas no seguinte não deixou os créditos por mãos alheias e até agora nunca “chumbou”, o que lhe tem garantido uma bolsa de estudo, “… que não chega para cobrir as despesas”:

– “As minhas maiores dificuldades têm sido de carácter económico, faço alguns sacrifícios, o que valoriza – penso eu – o meu desempenho e o esforço da minha mãe que trabalha imenso para que não me falte o indispensável. Depois do curso tenho mais dois anos de mestrado, sei que não vai ser fácil, gostava de fazer o programa “Erasmus”, depois se vê…”.

As questões financeiras podem deitar por terra todos os sonhos, como os da Raquel que, se pudesse, faria o Erasmus em Madrid ou Milão “porque me fascinam estas duas cidades, sobretudo Milão pela sua monumentalidade, mas Madrid está mais perto de casa…”. A fotografia talvez possa atenuar as despesas se “aparecerem pessoas interessadas na compra de algumas…”, embora não seja essa a finalidade da exposição.

– “Se pudesse gostaria de tirar um curso de fotografia, um passatempo que me fascina imenso… Não digo que iria fazer disso meio de vida, mas nunca se sabe”.

Coimbra tem sempre encanto, não é só na hora da despedida – como se canta na “Balada da Despedida” – que a noção desse fascínio fica desperta, por isso é perfeitamente normal a paixão que a Raquel tem pela cidade. Enquanto Estudante, a vida académica já teve melhores dias, “… agora já não a sinto com a mesma intensidade, como acontece, julgo, com a maioria dos estudantes. Sou adepta do Sporting, mas a Académica é a Académica, fica-nos no “sangue” para toda a vida; Coimbra, de facto tem características únicas, até neste aspecto com que nos identificamos, sejamos ou não desportistas”.

Aos hábitos e costumes da cidade, da EUAC e dos estudantes, a Raquel disse… nada, embora tivesse deixado breve crítica:

– “Coimbra é fantástica, como referi, mas na minha escola existe bastante individualismo e não é fácil fazer amigos autênticos, ao contrário de outros ambientes estudantis. “Talvez seja uma característica da própria Escola, não sei, mas como ando lá para estudar e tirar o meu curso e nada mais, não me incomodo muito com esse “pormenor”.

O futuro “está ao virar da esquina” e a futura arquitecta, além de traçar projectos no estirador, desenha-os na sua imaginação. Que fazer depois?

– “…Ir para um gabinete de Arquitectos, talvez, em Coimbra ou outro sítio, perto da família; não ponho de parte a hipótese de ir trabalhar para outro país, é tudo uma questão de oportunidade, mas ainda tenho de percorrer um enorme caminho até chegar a esse tempo de decisões – caminho que, como disse, não é nada fácil. Se conseguir o Erasmus, talvez os horizontes possam surgir com outras “cores”, pelo menos tenha essa esperança…”.

Diz-se que a Fé “move montanhas”. Quando assim é, “nenhum Kilimanjaro” pode impedir o gosto de ter a luz no pensamento, subir mais alto e ir mais além, como canta Manuel Freire: “Não há machado que corte a raiz ao pensamento…”!

Carlos Alberto

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