De empregado da construção civil a empresário de sucesso no mundo da decoração de interiores. Em Oliveira do Hospital construiu um pequeno império...

Figuras: Sérgio Silva

…com trabalho, arte e ideias – sem elas não teria sido possível erguer a pulso, “tijolo a tijolo”, a empresa que exporta noventa por cento da produção! As marcas que moldaram o carácter do artista e o universo de todas as suas sensibilidades tiveram asas de condor longe da Pátria. Um dia voltou. Em boa hora o fez.

Há requinte e bom gosto na exposição das peças que a “Residence” produz e comercializa, daí que a cidade se orgulhe da montra luminosa onde espraia o olhar – a cidade e as pessoas, sensíveis ou não ao pormenor, nem sempre visível, porque o apreço vai, quase sempre, para o todo.

Os candeeiros de todos os estilos e feitios, deixam adivinhar como é possível utilizar a luz para criar ambiente em qualquer circunstância. Fixos no tecto, lustres ricamente trabalhados ou de simplicidade despercebida; de pé, para mesa de trabalho, simples apliques, a mostra é vasta.

Se não bastar o que está à vista, no salão de exposições da fábrica, na Zona Industrial de Oliveira do Hospital, há mais.

Sérgio Silva é o cérebro da empresa “Residence”, especializada em acessórios para o lar.

Uma equipa de quinze pessoas tem sido suficiente para satisfazer as encomendas de candeeiros que, maioritariamente, chegam da Alemanha. É para este país que “de quatro em quatro semanas segue, em transporte próprio, cerca de noventa por cento da produção” – garante o empresário. A todo o tempo é possível o aumento da exportação destes artigos porque, depois de ter participado na feira de Frankfurt, no ano passado, as portas de outros mercados, sobretudo na Rússia, abriram-se de par em par.

– “Uma vez que estamos implantados na Alemanha, não necessitamos de fazer grandes feiras para conseguir mais clientes. A produção está quase toda absorvida; se tivermos de a aumentar, necessariamente terão de ser admitidos mais operários, a quem teremos de dar formação. Nesta altura, face à crise universal, é preferível aguardar mais uns tempos, mas o futuro aponta, de facto, para uma maior abertura a outros mercados”.

A Alemanha foi o berço da empresa. Sérgio recorda sem nostalgia os primeiros tempos, difíceis certamente, onde a esperança sempre esteve presente, sobretudo quando decidiu abrir… uma carpintaria, sem nunca ter sido carpinteiro!

A aventura longe da terra onde nasceu, S. Paio de Gramaços, começou em 1979, “a 9 de Agosto” – lembra. Uma estória de sucesso…

– “Trabalhei na construção civil e depois ingressei na fábrica de confecções “Irsil”. Entrei sem profissão certa, fui aprender, cheguei a mecânico…”.

“Como tinha casado recentemente, queria melhorar a vida e pagar a casa que tinha feito, por isso decidimos emigrar e escolhemos a Alemanha. Comecei pela construção civil, mas daí a uns tempos, em Munsters, abri uma carpintaria sem perceber nada da profissão, mas as coisas correram bem, felizmente. Para poder progredir com o negócio e ter apoio bancário, montei depois uma empresa, aumentei o número de colaboradores, e fui sempre subindo, graças à qualidade dos modelos de móveis que fabricávamos. Cada peça era única, personalizada, e isso agradava aos clientes”.

“Entretanto, no mesmo espaço, começámos a fabricar candeeiros, sempre com a mesma filosofia de qualidade e inovação. Também nesta área obtivemos bastante sucesso Em definitivo, a empresa estava lançada”.

“Iluminar” com arte

Depois de anos de intenso trabalho, entre continuar na Alemanha ou regressar a Portugal, Sérgio Silva decidiu-se por retornar à Pátria e ao concelho de origem, com a intenção de, a partir daqui, dar continuidade à empresa, mantendo o mercado alemão. Em boa hora o fez.

– “Não foi fácil instalar-me no concelho, acredite. Algumas burocracias atrasaram a construção da fábrica, mas em 2000 conseguimos dar início aos trabalhos, sem quaisquer ajudas ou apoios do Estado, como acontecia, por norma, às novas empresas, criadas de raiz.”

“Depois de muitas viagens entre a Alemanha e Portugal, regressámos de vez em Setembro de 2002, começámos a produzir os nossos candeeiros, abrimos uma loja para exposição e venda no centro da cidade, e continuámos no mercado alemão, como estava previsto”.

“Naturalmente, não ficámos apenas pelos candeeiros. Importamos e comercializamos mobiliário da Itália, e apresentamos uma oferta diversificada de acessórios para o lar – das porcelanas Vista Alegre, aos cristais portugueses e outras peças decorativas de reconhecida qualidade”.

Por ora, o único estabelecimento comercial da “Residence” está em Oliveira do Hospital; houve em tempos uma sucursal no Parque das Nações, em Lisboa, com o intuito de divulgar a marca junto de potenciais clientes da classe média/alta, objectivo perfeitamente justificado.

– ”Uns diziam aos outros, o círculo foi-se alargando, e a procura continua em índices interessantes. A loja de Oliveira também funciona mais como sala de exposições junto dos potenciais clientes da cidade e dos visitantes de passagem pela cidade”.

O futuro da empresa passa pela família para que não se perca o estilo e o modo de estar nos mercados Se a crise económica abrandar o suficiente para expandir os negócios, a empresa certamente alcançará maior projecção internacional.

Entretanto, Sérgio Silva, não descura a qualidade dos produtos, há projectos para novas peças, e orgulha-se de algumas obras de relevo com a sua “marca”, como é o caso de uma peça que ornamenta a Igreja de Santa Ana.

– “Os melhores e mais caros candeeiros que fizemos, folheados a ouro e prata, peças únicas, curiosamente estão aqui na nossa região”.

Carlos Alberto

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