1. Os assuntos desportivos começam a ser escassos e sempre mais do mesmo, tornam esta coluna sem grandes motivos de interesse. Por esse facto vou...

Fora de Jogo

… nas próximas edições dar oportunidade a algumas pessoas para escreverem os seus pontos de vista sobre uma modalidade, sobre um clube ou sobre o panorama desportivo concelhio ou nacional.

2. Com a dificuldade premente do tema, vou hoje falar sobre alguns amigos meus que têm histórias interessantes do futebol daquele tempo

3. Jogava eu no Vilafranquense, numa das melhores equipas em que joguei, e era seu guarda-redes o meu grande amigo Mota. Num jogo em casa há um canto contra a nossa equipa. Eu jogava a defesa central e cabeceio mal a bola, com a intenção de a afastar mas esta vai directa para a minha baliza. A bola vai entrar no ângulo superior direito e o Mota numa estirada fabulosa, com a palma da mão atira-a por cima da barra.

4. O público aplaude e o Mota levanta-se num ápice, dirige se a mim de forma agressiva (pensei que me ia bater) e diz-me: –“vê o que estás a fazer. Os copos de ontem ainda estão a fazer efeito”. Eu sorrio e digo-lhe, de forma irónica: – já viste… senão for eu a fazer-te brilhar, o adversário também não é capaz” . O Mota acalma e sorri. Ele não sabe mas aquela foi a melhor defesa que lhe vi fazer.

5. Já na década de setenta há um jogo entre o Ervedalense e o Vilafranquense, num encontro dum Torneio de Verão, tendo o Ervedal um conjunto de jovens que despontavam para a bola. Era treinador do Ervedal o Sr. António Maia (conhecido no mundo da bola por Parente). Na nossa equipa o Fernando Rodrigues (Faz Frio de alcunha), que era um lateral esquerdo rijo e por ele era difícil de passar.

6. Mas como eu dizia nesse jogo o Fernando faz um alívio sobre a forma de balão para a frente e o treinador grita-lhe: “ Fernando não é assim, põe a bola no chão”, mas a bola continua a subir e o guarda-redes “O Mata Burras”deixa passar a bola entre as mãos e esta entra na baliza do adversário. Grita o treinador… Golo.!!!. “Boa Fernando, boa Fernando”.

7. Sem dúvida que as recordações do passado assaltam-me e nunca me esquecerei do António Maia, tantas coisas me ensinou do futebol e a quem eu reconheço muita sabedoria futebolística. Ele era o Homem forte do futebol Ervedalense, assim como o saudoso Sebastião Zena. Este podia não perceber de futebol mas fazia-nos acreditar que éramos bons jogadores. Naquele tempo foi o primeiro “psicólogo” que encontrei no futebol.

8. Depois a equipa do Vila Franca, onde tinha dois grandes directores: O Simões e o engenheiro Manuel de Almeida. Faziam tudo para que a equipa tivesse condições. Tempo fantástico. Das equipas onde eu joguei, tirando o meu Ervedal, foi a equipa onde eu melhor me sentia.

Que noites com o Nando, o Jano, o Nino, o Luís Filipe, o Tavares, o Garcia, o Gabriel, o Zé Soneira, o Nelson Galante (o melhor ponta de lança e marcou o primeiro golo oficial no campo do Ervedal) … e tantos outros. O melhor que o futebol me deu, foi muitas destas amizades que ainda perduram.

José Carlos

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