Fora de Jogo (João Manuel Jorge)

… do desporto no nosso concelho.

Como não poderia deixar de ser, debruçar-me-ei sobre o futsal em particular, não deixando no entanto de dar umas pinceladas no desporto em geral, nomeadamente na formação.

Quanto ao futsal em si, vejo com muito agrado não só o crescendo que tem tido esta modalidade do nosso concelho, aproximandonos dos grandes centros cosmopolitas, como a qualidade que tem vindo a demonstrar ao longo dos anos, com sinais evidentes através de conquistas, quer em jogos jogados, como em títulos alcançados. Mais ainda, quando existe uma grande preocupação na formação. Longe vão os tempos em que o futsal era o parente pobre do futebol, onde jogavam jogadores de futebol em final de carreira, ou os menos habilitados para o desporto rei. Hoje é com regozijo que vemos atletas muito jovens a abraçar a modalidade, enriquecendo-a com a sua vontade de aprender e competir, acrescentando mais valias à modalidade em si, e ao concelho.

Na frente da corrida estão clubes como o Ervedalense e a Escola João Veloso, ambas já com títulos conquistados, ombreando com os chamados “grandes” já com tradições e pergaminhos alcançados durante décadas. A formação como atleta visa essencialmente o culto da mente num corpo são, livre de vícios menos bons, que são hoje uma tentação para qualquer jovem. O culto do exercício físico hoje mais que nunca não só enobrece quem o pratica, como é uma peça essencial no combate ao sedentarismo muitas vezes provocado pelo progresso que invade os lares de todo o mundo onde o computador e a Internet têm um papel preponderante e muitas das vezes nocivo quando usado de forma desmesurada. Hoje é mais fácil depararmo-nos com um jovem agarrado ao computador nos Chats, como o MSN, nos jogos, nos downloads, etc. , que num qualquer pátio ou viela a fazer exercício físico, contribuindo em muito para o aumento da obesidade na nossa sociedade. A acrescentar a tudo isto há que juntar a excessiva carga horária que os miúdos hoje têm na escola dos nossos dias, limitando os jovens na procura da criatividade, quase sempre presente nos jogos e brincadeiras nos tempos livres do meu tempo. Hoje as crianças não têm tempo para o serem verdadeiramente, muito por culpa do nosso egoísmo enquanto adultos, ao encontrar alternativas e soluções para os prender de modo a que nos deixem tranquilos enquanto cumprimos ou não o nosso papel numa sociedade cada vez mais robotizada e menos humanizada. É por isso que vejo com grande consternação muitas das vezes os pais castigarem os seus filhos com a proibição da prática desportiva fazendo-os pagar por insucessos noutras áreas, como a Escola, quando deveriam ser essas áreas a preocuparem-se com esse insucesso, ao invés de endossarem as culpas para terceiros, encapotando assim as suas fraquezas, incompetências, e inadaptação aos sinais dos tempos.

Vale neste mar cinzento e revolto de uma geração presa e manietada pelas regras impostas por uma sociedade muito virada para dentro de si própria os resistentes que continuam a acreditar que há vida para além do trabalho, dos problemas económicos, políticos, e sociais. São os jovens que ainda sorriem, gritam, e brincam através daquilo que o desporto lhes proporciona, não deixando no entanto de cumprir regras e obrigações, tanto para consigo próprios, como para com os colegas e a comunidade. Aprendem a lutar por objectivos, a gerir o seu tempo, a serem persistentes, audazes, confiantes, respeitadores, sabendo vencer, aceitando as derrotas como uma lição a tirar na busca do sucesso. Aprendem no fundo, a brincar, a serem os homens de amanhã, confiantes, destemidos e vencedores.

Voltando ao futsal, é de realçar o papel preponderante que clubes como a Escola João Veloso, Ervedalense, Liga de Melhoramentos de Nogueira do Cravo, e FC de Oliveira do Hospital, têm tido na divulgação e incremento da modalidade. Este último com principal destaque ao assumir a presença de uma equipa feminina na competição do distrito, não deixando cair uma tradição que vem de trás e que nos pautava por possuirmos equipas femininas altamente competitivas e de renome. Neste particular e porque sou desde sempre um acérrimo defensor do deporto feminino, rompendo com tradições e estigmas sociais, é-me muito grato ver o esforço e dedicação evidenciados pelo Futebol Clube de Oliveira do Hospital neste campo.

Como nota final gostaria de deixar a mensagem de que não podem haver vitórias a custo de qualquer preço. É preciso sermos dignos nas vitórias com humildade e reconhecimento do valor dos nossos adversários, respeitando-os acima de tudo, aceitando as suas fraquezas e qualidades.

Espero assim ter contribuído para uma reflexão sobre o tema, lançando o desafio a todos, para que não fiquem… “ fora de Jogo”!

João Manuel Jorge

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