Tem sido discutido com alguma frequência os “modelos de jogo” das equipas do nosso campeonato profissional, em especial dos três grandes do nosso futebol.

Fora de Jogo: O meu “Modelo de Jogo”

Sem querer entrar directamente nessa discussão, porque o espaço destinado a esta crónica não o permite, posso dizer que por vezes se confunde um “Sistema Táctico”, ou seja um 4-3-3, 4-4-2, 4-2-4 etc, com o “modelo de jogo”, quando o sistema táctico de uma equipa é parte integrante do seu modelo de jogo.

O “Modelo de Jogo” é a base de toda a periodização táctica, não é apenas o sistema táctica usado pelo treinador, mas sim um conjunto de acções, pensamentos e princípios seguidos pela equipa, como os aspectos cognitivos, físicos, tácticos, técnicos e psicológicos, além dos princípios e sub-princípios de jogo que são aplicados na organização ofensiva, defensiva e nas transições defesa-ataque e ataque-defesa.

No início da época desportiva o treinador, deve definir o modelo de jogo da sua equipa, tendo em conta o seu sistema de jogo, a característica dos jogadores, os princípios de jogo, a organização funcional e a própria estrutura do clube. O treino deve igualmente ser orientado de forma a englobar exercicíos que seguem esse modelo de jogo.

O modelo de jogo deve ter objectivos bem definidos e bem claros para todos, para atingir as metas definidas, sofrer ajustes, e para assim haver um aperfeiçoamento gradual.

No futebol amador, dependendo sempre do “conhecimento” do treinador, do método de treino aplicado e da sua elaboração, um modelo de jogo pode significar que uma equipa que simplesmente “pontapeia” a bola prá-frente” tem o seu modelo de jogo e que uma equipa que joga em elaborada “pressão ofensiva” tem outro modelo de jogo apenas distintos no seu grau de complexidade, na sua forma de treino, construção, assimilação pelos atletas e aplicação no jogo.

Pessoalmente, tenho uma opinião muito mais simplista sobre toda esta discussão em volta dos sistemas tácticos e modelos de jogo:

1.º – Não há sistema ou modelo de jogo nenhum que resista…
– a atletas mal formados tecnicamente (atletas que não sabem executar um passe, remate, finta, cabeceamento, etc.);
– a treinadores sem formação que em vez de contribuirem para a formação contínua do atleta, contribuem para tornar erros corrigiveis em erros permanentes;
– a dirigentes que apenas vêem o dirigismo desportivo como um meio de satisfação do ego e de afirmação pessoal; – a políticos que utilizam o fenómeno desportivo para obter proveitos politicos.

2.º – Qualquer sistema ou modelo de jogo para ser implantado pressupõe que quem o fomenta tem formação adequada para o poder fomentar. Não é possivel formar com qualidade se o formador não estiver habilitado para tal (ex. a grande maioria dos escalões de formação não têm técnicos qualificados a desenvolver esse trabalho);

3.º – Para se poder desenvolver qualquer actividade desportiva, muito particularmente na formação, é imperativo haver qualidade nos meios, ou seja nas condições de trabalho e infra-estruturas.

Podem-se discutir e formentar todos os “modelos de jogo” possíveis e imaginários, mas na minha modesta opinião antes de se discutir qualquer “modelo de jogo”, o mais importante será a formação dos seus agentes desportivos.

Não é possivel haver uma formação de qualidade sem infraestruturas desportivas adequadas, sem qualidade na formação, sem técnicos qualificados e sem dirigentes e políticos conhecedores do fenómeno desportivo.

Entendo que para haver uma formação responsável, organizada, em quantidade e qualidade, tal como na construção de uma casa, onde se começa pelos alicerces, aqui deve-se começar pela formação dos seus agentes.

Dito isto, “O problema é que, no mundo do desporto, aquilo que separa um treinador com conhecimento de um otário com sorte não é perceptível aos olhos da maioria” (Prof. Dr. Gustavo Pires, Professor de Gestão do Desporto, Universidade Técnica de Lisboa).

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