Funcionária de ATL negou versão das queixosas e disse ter “dívida de gratidão” para com a Câmara Municipal

Notificada pelo tribunal, a funcionária do ATL de Oliveira do Hospital compareceu esta manhã à terceira sessão do julgamento em que o presidente da Câmara é acusado de dois crimes de difamação, para contradizer as declarações proferidas pela assistente Ana Isabel Campos aquando da primeira sessão do processo.

“Houve uma declaração do presidente que se referiu, em geral, às funcionárias que não faziam, nem queriam fazer”, começou por referir Rosa Rodrigues, negando ter havido por parte de Mário Alves na reunião de 10 de Setembro de 2007 qualquer alusão directa às duas funcionárias do ATL, agora assistentes no processo.

Rosa Rodrigues foi ainda mais longe ao negar ter sido ela a informar Ana Isabel Campos – não compareceu na reunião – do teor das declarações de Mário Alves à data. “ Não sei como é que ela tomou conhecimento…se não foi mencionado o nome dela, como é que eu lhe poderia ter dado essa informação”, sustentou Rosa Rodrigues, dizendo ainda não se recordar de a queixosa se ter deslocado ao ATL no dia seguinte à reunião para buscar um dossiê pessoal.

Rosa Rodrigues tem “dívida de gratidão” para com a Câmara Municipal

O facto de a funcionária não ter sido arrolada testemunha no processo foi também chamado à sessão de hoje, com Rosa Rodrigues a explicar que não se quis envolver no processo por sugestão da advogada que a acompanhava num processo judicial com a Câmara Municipal.

Este foi de resto um dos assuntos que marcou a terceira sessão do julgamento, com o advogado das queixosas a ver indeferido o requerimento de junção aos autos, da sentença que resultou daquele processo e em que Rosa Rodrigues foi condenada.

É que, segundo Nuno Freixinho, a CMOH “renunciou ao pedido de indemnização civel a que tinha direito no montante de 21.366,33€”, para além de ter também transferido a funcionária de serviço”.

Considerado irrelevante, o documento acabou por não ficar apenso aos autos. Contudo, Rosa Rodrigues não deixou de referir que tem “de certa forma, uma dívida de gratidão para com a Câmara Municipal” por ter renunciado ao pedido de indemnização.

Nuno Freixinho viu, no entanto, aceite o pedido de acareação entre Rosa Rodrigues e Ana Isabel Campos. Quando estava em causa o apuramento da verdade sobre a forma como a queixosa teve conhecimento das alegadas declarações de Mário Alves, ambas insistiram com as respectivas versões.

“Eu sei que estou a dizer a verdade. A Rosa está a mentir”, disse Ana Isabel, depois de a colega de profissão ter insistido com a versão de que não lhe transmitiu nada. “Eu não falei nada com esta senhora”, referiu Rosa Rodrigues, marcando ainda a sessão com a informação de que depois da primeira sessão recebeu um telefonema de Ana Isabel a pedir “desculpa” por ter citado o seu nome. O pedido de desculpa foi confirmado pela queixosa, que o justificou com a argumentação de que tinha que ser verdadeira por estar sob juramento.

Defesa requereu junção de DVD da VI Festa da Castanha

Realizada apenas no período da manhã, a terceira sessão do julgamento de Mário Alves ficou também marcada pela audição das cinco testemunhas de Maria do Rosário Campos.

Mas, enquanto Nuno Freixinho puxava por declarações que enalteciam as capacidades humanas e profissionais da queixosa e destacavam as sequelas causadas pelas alegadas declarações do arguido, o advogado de defesa, Armando Pinto Correia, confrontou as testemunhas com a alegada participação de Maria do Rosário na Festa da Castanha realizada em 2007.

Depois de Francisco Martins – vereador da Educação entre 1998 e 2001 – ter destacado as qualidades de Maria do Rosário no desempenho das suas funções no ATL da cidade, e ter comprovado a forma como as alegadas declarações de Alves afectaram a queixosa, acabou por ser Ana Teresa Costa a confirmar a participação de Maria do Rosário na festa da Castanha de 2007.

“Ela fez demonstração de licores na Festa da Castanha…estava com o marido…e também a vi na Feira do Porco e do Enchido de Meruge”, afirmou a testemunha. Mãe de dois filhos que, há já alguns anos, frequentaram o ATL da cidade, Ana Teresa Costa confirmou o profissionalismo de Maria do Rosário, considerando-a como “boa pessoa, honesta e muito trabalhadora”.

Sem conseguir que as restantes testemunhas confirmassem a participação de Maria do Rosário no certame realizado no mês seguinte à referida reunião, Armando Pinto Correia obteve, porém, reacções de estranheza.

“ Não sei dizer se ela ia às feiras sociais …eu ficaria admirada se ela tivesse participado em feiras”, chegou a referir a vizinha Maria João Martins. Reacção semelhante foi manifestada por Raquel Cardoso que, apesar de se apresentar em tribunal como namorada do filho da queixosa, disse desconhecer se Maria do Rosário tinha participado nos eventos.

“Acho normal que ela tivesse ido passear na feira…não acharia norma que ela tivesse ido participar”, referiu a testemunha que, tal como Margarida Santos não se poupou a elogiar as capacidades da queixosa e em sublinhar as consequências negativas causadas pelas alegadas declarações de Mário Alves.

Numa altura em que a juíza dava como interrompida a sessão e remetia novo encontro para as 10h00 de 10 de Novembro, Armando Pinto Correia surpreendeu com o requerimento de junção de documentação e um DVD da VI Festa da Castanha, aos autos.

Apesar de a delegada do Ministério Público se revelar concordante com a junção, a decisão final só será conhecida na próxima sessão, já que a acusação disse necessitar de mais tempo para analisar a documentação apresentada pela defesa.

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