No passado mês de Setembro, os habitantes da freguesia de Aldeia das Dez, foram surpreendidos com, pelo menos, três assaltos que os deixaram, no mínimo, incomodados. Da capela do Monte do Colcurinho, os amigos do alheio levaram as esmolas, mas do cemitério de Vale de Maceira e de uma das fontes do Goulinho, as pedras ornamentais é que aguçaram o apetite dos assaltantes.

Furto de pedras de cantaria e esmolas na freguesia de Aldeia das Dez

Os assaltos reportam-se já ao passado mês de Setembro, mas até ao momento, ainda não há quaisquer novidades relativamente à autoria dos furtos. A queixa do roubo das pedras do cemitério de Vale de Maceira e da fonte do Goulinho foi apresentada junto da GNR de Oliveira do Hospital, pelo presidente da Junta de Freguesia de Aldeia das Dez e a do assalto ao cofre da Capela de Nossa Senhora das Necessidades, no Monte do Colcurinho, foi formalizada pelo presidente da Irmandade de Nossa Senhora das Preces, Cristiano Mendes. Ao Correio da Beira Serra, ambos se mostraram receosos quanto ao possível arquivamento dos processos e, estão em crer que, os assaltos não foram perpetrados pelos mesmos autores.

Imagem vazia padrão"As pedras roubadas são trabalhadas e, o objectivo é vendê-las ou aplicá-las em moradias. Já as esmolas são procuradas por quem tem necessidades de dinheiro", considerou António Dinis, sublinhando que "já não é a primeira vez que se verifica este tipo de situações envolvendo locais públicos e, até em carros e máquinas de obras". Manifestou, ainda, receio por toda a riqueza que faz parte do Santuário de Nossa Senhora das Preces, bem como de outros espaços religiosos da sede de freguesia e localidades limítrofes. Razão pela qual, como disse, "já houve necessidade de se tomar medidas" e que passam, necessariamente, por manter fechadas as portas das capelas e das igrejas. "Não se podem correr riscos", sublinhou, lamentando que, por isso, quer de dia, quer de noite, as portas da igreja de Aldeia das Dez estejam sempre fechadas. "Já não confiamos", insistiu, frisando contudo que "em termos de Arte Sacra, os espaços religiosos da freguesia, ainda, não tenham sido contemplados, com a visita dos amigos do alheio". Mas, denuncia o facto de "praticamente todas as capelas que integram o Santuário de Nossa Senhora das Preces já terem sofrido actos de vandalismo".

As mesmas preocupações são partilhadas por Cristiano Mendes que, ao CBS adiantou que "a Irmandade não tem dinheiro para instalar um sistema de segurança no Santuário". Confirmou o assalto ao cofre da capela do Monte do Colcurinho – de onde se presume que tenham sido furtados cerca de 200 euros – bem como o arrombamento da porta, agora fechada com um cadeado lá colocado. Este mesmo cenário foi comprovado pelo CBS numa visita ao local, onde, ainda havia sinais de arrombamento. Pese embora o furto das esmolas, Cristiano Mendes mostrou-se tranquilo por o espaço e as imagens religiosas não terem sofrido actos de vandalismo.

Isolamento propicia a prática de assaltos
Imagem vazia padrãoA distância a que a freguesia de Aldeia das Dez se encontra da sede do concelho e, o facto de aí predominarem pedras em cantaria e um considerável património religioso propicia à prática de assaltos. A conclusão é do Sargento-mor Martins, do Destacamento Territorial da GNR da Lousã que acompanha os casos.

"As pedras em cantaria estão à descrição de quem passa e são fáceis de roubar", explicou, considerando que se tratam de "um chamariz" para os assaltantes. Mas, se no que respeita ao roubo do cofre da Capela de Nossa Senhora das Necessidades, a GNR tem um potencial grupo de assaltantes já referenciado no Tribunal de Arganil, o mesmo já não se passa com o assalto das pedras da fonte do Goulinho e do cemitério de Vale de Maceira.

"Não temos nenhum ponto de partida. É como que procurar uma gota no oceano", confessou o Sargento-mor Martins, estimando que a "esta hora as pedras possam estar em qualquer ponto do país ou, até, no estrangeiro". Contudo, o responsável não exclui a possibilidade de se chegar ao autor ou autores dos furtos, mas considera que "com a ocorrência de um caso futuro, poder-se-á lá chegar mais facilmente". "Até ao momento, não temos mais dados", revelou.

O facto de em Oliveira do Hospital existir um património considerável de ornamentações em pedra, por ser um concelho com tradição na arte de trabalhar a pedra é apontado pelo Sargento Mor Martins como um "chamariz", por se tratar de "um património que está um pouco à mão de semear".

"Não é um furto comum, mas Oliveira do Hospital é o concelho que tem registado mais ocorrências do género", referiu, explicando que Arganil, por exemplo, não tem tradição ao nível de casas brasonadas e de entradas com pedras trabalhadas. "Oliveira do Hospital é um concelho mais rico", considerou.

Quanto à relação existente entre o assalto ao Cofre da Capela de Nossa Senhora das Necessidades e o furto das pedras, o Sargento-mor Martins disse acreditar que "os autores não tenham sido os mesmos".

Liliana Lopes

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