João Nuno

GD Alvôco Várzeas, um clube que não desanimou com goleada na final da Taça INATEL

O Grupo Desportivo Alvôco  Várzeas tinha ambição de conquistar pela primeira vez na sua história a Taça Distrital do INATEL. Chegou à final de ontem com grandes esperanças, partilhadas por vários de vários adeptos e mesmo pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, que fizeram questão de acompanhar a equipa ao Estádio Municipal de Condeixa. O sonho, porém, começou a desmoronar-se quando estavam decorridos apenas 15 minutos, altura em que o GDR Chã, de livre indirecto, abriu o marcador. Ao intervalo, a formação de Alvôco  perdia por dois golos. E o placar final registava uma penosa goleada. Quatro golos sem resposta. Mas só o facto de chegar à final foi motivo de festa e ofereceu ânimo para o futuro.

11249222_384611358409622_5107147940322893131_nO resultado é considerado pelos homens de Alvôco exagerado. Conseguido, dizem, por mérito do adversário, mas também pelas próprias contingências destas coisas do futebol. O técnico João Nuno lembra que as coisas, por exemplo, não correram bem no segundo golo ao guarda-redes que até se tem distinguido pelas boas defesas. Depois, quando o técnico apostou tudo, o GDR Chã aproveitou o contra-ataque para aumentar a vantagem. “O futebol é assim. Mas não merecíamos uma derrota destas”, explica o técnico que viu adeptos no estádio “provenientes de vários pontos do país”. “Um deles até veio de Marrocos”, confessa com algum orgulho.

Ao contrário daquilo que se poderia esperar, a derrota não desanimou os responsáveis do clube. João 11183449_830702880347993_4833767482876646156_nNuno fala já no futuro e valoriza o que foi feito esta temporada. “Esta equipa fez história. Desde que o clube existe nunca tinha chegado a uma final. É um marco, apesar da derrota”, confessou ao CBS, assegurando que já está a pensar mais além. Não na conquista da próxima Taça, mas sim da prova máxima que é o Campeonato. “Temos de conseguir mais três ou quatro reforços e na próxima temporada tentar o que este ano ganhou o GD Bobadelense”, confessa, dando a ideia que este desaire só reforçou a sua confiança no futuro. “O nosso objectivo é esse”, sentencia.

João Nuno não é, de resto, homem para desanimar. Até a sua carreira é peculiar. O percurso como “craque da bola”, pelo flanco direito da defesa, acabou de forma abrupta quando estava em preparação a temporada de 2012/2013. Uma malfadada fractura num braço e uma operação ditou o fim da sua carreira, aos 30 anos. Mas em Alvôco nada se perde, tudo se transforma. Sem possibilidades de contar com o seu contributo como futebolista, o clube resolveu rapidamente o problema. Com solução improvável: o técnico da altura, Diogo Rodrigues, passou a calçar as chuteiras e a braçadeira de treinador transitou para João Nuno. Problema resolvido.

1467487_563817363703214_36564377_n“E já cá estou há três épocas”, refere, enfatizando que tudo por amor à terra e ao gosto pelo futebol. Os únicos motivos que parecem mover estes rapazes. Ali não há verbas nem para pagar a gasolina aos atletas. Por isso, o pelado de Alvôco só vê os jogadores nos dias dos desafios, ao contrário de muitos dos seus adversários em que os trabalhos de preparação entram pela noite dentro. “Como aqui não há dinheiro, nem sequer treinamos. Mas damos conta do recado, com amor à camisola. Somos totalmente amadores, literalmente, e com muito orgulho. Todos estes rapazes e os adeptos estão de parabéns”, remata.

Mas como prepara os jogos? Nestas coisas as dificuldades aguçam o engenho. E João Nuno tem uma estratégia. “A equipa é escolhida segundo o rendimento dos jogadores na partida anterior”, explica o jovem técnico. Depois faz uso do seu conhecimento dos opositores e das capacidades dos seus rapazes. “Sei como os adversários jogam e coloco as minhas peças de forma a anular os seus pontos fortes, tirando, ao mesmo tempo, partido das potencialidades dos meus atletas para determinadas funções”. Daí que, na pré-temporada, João Nuno não abra mão de realizar quatro ou cinco jogos para tomar conhecimento das potencialidades dos novos reforços. Um clube amador é assim.

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