“O Planeamento é a organização da esperança".

Há pouco mais de 10 anos, assisti na Universidade a uma conferência sob a temática: “Como convocar os agentes do desenvolvimento regional?”.

Geografia económica

Recordo que no debate, foram abordados diversos factores susceptíveis de favorecer ou inibir o desenvolvimento do interior. Um dos factores que mais sobressaiu nas intervenções, foi a importância das pessoas. De todas as pessoas, que interagem numa comunidade local.

De acordo com os oradores impunha-se que cada região do interior do país, pugnasse por políticas assentes em objectivos, e a permanente avaliação de resultados. Tudo isto tendo em linha de conta quatro factores de primeira grandeza: Atrair pessoas para trabalhar no interior. Mobilizar os actores locais. Defender uma democracia de proximidade. Construir boas estradas que permitiriam às pessoas circular de região para região.

De então para cá, é verdade que temos à escala regional e local bons exemplos. Mas não descuremos o facto de estes factores associados, redundaram entre nós, também num relativo fracasso. E hoje cada vez mais, somos obrigados a chegar à conclusão, de que não é seguramente nas políticas de fixação artificial de pessoas e das empresas, vulgarmente chamados de subsídios e incentivos, que se supera uma realidade marcada pela apatia e ausência do mais pequeno elemento digno de interesse.

A criatividade deve por isso ser vista na medida do possível, como componente indispensável da chamada economia criativa. Mas onde encontramos nós, como munícipes, informação detalhada sobre desenvolvimento local? Um sítio que nos explique de forma objectiva a estratégia dos próximos 5-10 anos a nível regional e local? É-nos possível obter informação sobre projectos de desenvolvimento numa escala regional?

Falo obviamente do acesso a um instrumento de planeamento no qual seja possível perceber, a titulo meramente hipotético, que por exemplo, no Vale do Alva privilegia-se o aproveitamento dos recursos naturais associados à produção de energias alternativas, e que a norte do Concelho dar-se-á mais ênfase ao aproveitamento turístico nas áreas protegidas. Não sei se é possível obter estas respostas, mas podemos e devemos pretender respostas, devidamente contextualizadas em suporte de informação geográfica.

As cidades criativas – conceito criado pelo norte-americano Richard Florida – implicam um trabalho continuado, que não é possível concretizar sem empresas criativas. É neste cenário que a missão dos autarcas do interior do país pressupõe um grau de exigência acrescido. Independentemente das competências de gestão autárquica, necessitamos urgentemente de políticos que entendam que o baixo nível dos três T: tecnologia, talento e tolerância – que levam à atracção de capital criativo, é gerado por um poder autista, com intervenções quanto muito tecnocratas, que liga pouco a estreitar uma relação de proximidade entre cidade e região, a partir da qual emana a força agregadora e estruturante, isto é, o concelho entendido como um todo, em que o vector cidade/campo é necessariamente bidireccional e ambas as forças são recíprocas e com a mesma intensidade.

Por isso pergunto. Terão os decisores Político/Públicos o direito de marcar ad eternum um território de modo autista?

Em ambas realidades locais (cidade/campo) o tipo de evolução tem como principal elemento crítico a “mudança”. Se no primeiro caso é bem explícita, a progressiva desindustrialização da sede do Concelho, no segundo os níveis insuficientes de diversificação da estrutura produtiva nas freguesias, sugerem que a capacidade do concelho em captar novos investimentos industriais, apenas pode ganhar expressão num quadro de valorização explícita dos factores de competitividade emergentes, eles próprios atravessados por importantes atitudes e práticas de mudança.

Além do que, apenas o cenário de uma contínua afirmação do turismo e do lazer, com mudança dos modelos de consumo associados, permite esperar o reforço das actividades associadas ao consumo final, bem como a afirmação de capacidades de geração de outras actividades específicas. Espero que seja este o modo de actuação local no futuro, uma vez, que tudo indica que a cidade vai sendo uma amálgama de circunstâncias, onde proliferam regra geral obras de cosmética, sem que tal indicie uma ideia global de cidade, um projecto a longo ou a médio prazo que sirva a população de hoje e de amanhã, que a sirva ao invés dela se servir.

Lusitana Fonseca
Candidata à CPS do PSD

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