GNR lança operação para travar onda de mortes com tractores agrícolas

GNR lança operação para travar onda de mortes com tractores agrícolas

A Guarda Nacional Republicana está preocupada com o elevado número de acidentes que têm ocorrido com tractores agrícolas, que só entre Janeiro de 2013 a Julho deste ano causaram 115 vítimas mortais e 83 feridos. Estes números vão levar aquela força policial, até ao dia 19, a conduzir um conjunto de acções de sensibilização dirigidas a utilizadores daquelas máquinas, com o objectivo de aconselhar para o cumprimento das regras de segurança. A operação é designada de Santo António, numa alusão ao arco que protege o condutor do tractor.

Os militares dos Comandos Territoriais, com especial empenhamento das Secções de Programas Especiais, vão realizar acções de sensibilização, através de contactos pessoais e acções em sala, numa tentativa de reduzir aquele tipo de sinistralidade. Nos sectores agrícola e florestal, ocorrem inúmeros acidentes, sendo, segundo a GNR, o capotamento a principal causa de morte dos condutores. “A falta de manutenção do veículo, a falta de uma estrutura de protecção (o denominado arco de Santo António), a fadiga provocada por excesso de horas de trabalho, a condução sob o efeito de álcool e o excesso de carga”, é uma das explicações mais plausíveis para o elevado número de acidentes explica a GNR.

O risco de morte nestas máquinas é também muito superior quando comparada com condutores de outros veículos. Os dados do Comando-Geral da GNR referem que a maioria dos acidentes acontece em terrenos agrícolas privados, local onde se verifica também a grande maioria das vítimas mortais. Leiria (16), Guarda (13), Viseu (12) e Santarém (nove) são os distritos onde se verificaram mais acidentes em terrenos agrícolas em 2013, com a Guarda a registar nove mortos, seguido de Viseu e Coimbra, distritos que registaram, cada um, oito mortes. No primeiro semestre deste ano, Bragança (nove), Viseu (oito) e Santarém (sete) são os distritos com mais acidentes em terrenos agrícolas. Bragança lidera igualmente a lista das vítimas mortais, com cinco já registadas.

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) diz que há cada vez mais mecanismos de segurança nos tractores, porque são obrigatórios por parte das autoridades nacionais, mas sobretudo por serem obrigatórios em termos da transposição da legislação comunitária. João Machado sublinhando que há cada vez mais formação profissional nesta área. “Há uns anos este era um problema recorrente que nos chegava em termos de preocupação dos agricultores e deixou de ser um problema. Deixou de haver um reporte à CAP de acidentes graves e com mortes. Claro que existem, mas já não na dimensão que havia anteriormente”, concluiu.

 

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