“Góis é uma concentração onde toda a família pode conviver”

“Góis é uma concentração onde toda a família pode conviver e este ano superámos a barreira dos 12 mil inscritos”

Rui Paulo Conceição, de 46 anos, foi um dos fundadores do Góis Moto Clube, uma colectividade que na semana passada realizou a sua XXI Concentração Mototurística. O evento foi um êxito, tendo superado a barreira dos 12 mil participantes. Com um orçamento de 300 mil euros, a iniciativa é já uma referência a nível nacional, levando o nome de Góis a todo o país e mesmo ao estrangeiro. Rui Paulo tem ainda um orgulho particular em frisar que esta é uma concentração destinada à família.

CBS – Como correu esta XXI edição da Concentração Mototurística de Góis? Superou as expectativas?

Rui Paulo – Correu muito bem. Dentro daquilo que esperávamos. O número de inscrições aumentou em relação ao ano passado, superando a barreira dos 12 mil, e já no ano passado tinha aumentado em relação ao ano anterior, o que é sinal de que estamos a realizar um bom trabalho. Não houve incidentes. Foi tudo muito tranquilo. Curiosamente, apesar do aumento de visitantes, este ano houve uma diminuição das vendas. Fruto da crise. Mas, mesmo com um preço de entrada simbólico (20 euros por três dias), as receitas são suficientes para cobrir as despesas.

Qual foi o investimento necessário para colocar este evento em pé?

Nós temos um orçamento a rondar os 300 mil euros. Para pagar às bandas e suportar toda a logística que rodeia uma organização deste género. Temos uma parceria com a Câmara Municipal que não nos dá qualquer apoio monetário, mas participa em termos de apoio logístico. O que já não é pouco. Como contrapartida fazemos uma forte promoção da nossa terra.

Organizar este evento deve envolver muita gente…

Para levar isto para a frente temos inicialmente um trabalho de organização que começa quase quando termina o evento anterior. Depois, durante o mês que antecede a concentração, trabalham aqui, a tempo inteiro, entre 20 a 30 pessoas. O necessário para montar todas as infra-estruturas. Nos dias do evento contamos com três centenas de colaboradores. Envolve, de facto, muita gente.

A concentração já leva XXI edições. É quase já como que uma tradição…

Temos aumentado de ano para ano. Já nos estamos a bater taco a taco com a concentração de Faro. O nosso êxito vê-se quando encontramos jovens que vieram à primeira concentração ainda na barriga das mães. Ainda só temos o estatuto de concentração nacional. Vamos se para o ano a Federação nos atribui o estatuto internacional. Se isso acontecer, o evento será divulgado lá fora o que atrairá mais estrangeiros. Estamos a trabalhar nesse sentido. Mesmo assim, este ano tivemos muitos espanhóis, porque lá fizemos alguma divulgação, mas estiveram também alguns ingleses e franceses. Gente um pouco de toda a Europa. Esses números, porém, subiriam exponencialmente se existisse divulgação internacional por parte da Federação.

A concentração de Góis é diferente. Tem mesmo o nome de Concentração Mototurística…

Este é um local muito apelativo. Temos o rio, praias fluviais… O necessário para uma família passar uns dias tranquilos. As pessoas são atraídas, não só pelas motos ou pelas bandas, mas por toda a envolvência. Daí que esta seja uma concentração de motociclistas onde pretendemos que toda a família possa conviver. Não precisamos de ter cá streep tease e coisas desse género. Não estou a dizer que sejamos melhores ou piores, apenas que somos diferentes. Há dezenas de casais que vêm com os filhos ainda pequenos. Temos a participação de muitas crianças. Se calhar, a outro tipo de concentração não iriam.

Esta é uma iniciativa com imenso impacto no concelho e que leva o nome da vila a todo o país…

Dificilmente poderia ser melhor. Colocamos sempre o nome de Góis à frente. Não é por acaso que se chama Góis Moto Clube e não Moto Clube Góis. Para nós o nome da terra está sempre à frente e queremos levá-lo o mais longe que nos seja possível.

O que é ser motard?

Não gosto dessa definição de motard. Prefiro motociclista. Temos participantes com motos extremamente potentes e outros que têm uma simples motorizada. Enfim, ser motociclista significa confraternização e respeito. É isso que nos define.

A acção de solidariedade para com os bombeiros correu bem?

Sim. Todos os anos procuramos ajudar uma instituição da terra e pelos bombeiros temos um carinho especial. Têm sido nossos parceiros em várias iniciativas. Não estou certo de quanto foi angariado, mas acredito que tenham sido mais de cinco mil euros. O que não é mau, atendendo a que cada pessoa dava apenas aquilo que entendia. Foi dinheiro doado directamente para eles, não teve nada a ver com o nosso orçamento.

A próxima edição será nos mesmos moldes?

Para já, estamos ainda a pensar em dois eventos que vamos realizar antes do Jantar de Fim de Ano. Temos uma prova de todo o terreno e o Troféu Nacional de Moto Rali. Depois depende do estatuto que a Federação Motocicilismo Portugal nos atribuir. Esperemos que seja de concentração internacional. Seja como for o espírito do evento permanecerá igual enquanto eu por cá estiver.

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