“Gostaríamos que o senhor presidente se juntasse a todos aqueles que estão a tentar encontrar uma solução”

“Não é altura para dividir, é para unir. Gostaríamos que o senhor presidente se juntasse a todos aqueles que estão a tentar encontrar uma solução”, afirmou há instantes ao correiodabeiraserra.com Fátima Carvalho, do Sindicato dos Têxteis e Confecções de Coimbra, desafiando Mário Alves a encontrar “uma solução de alternativa de emprego para os trabalhadores”.

À saída do plenário realizado, esta tarde na empresa, entre os cerca de 160 trabalhadores e o Sindicato, a responsável manifestou-se contra as recentes declarações do presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital quando, em Assembleia Municipal, questionou o motivo pelo qual o Governador Civil não conseguiu impedir o encerramento da HBC Confecções.

“O senhor governador civil, desde há seis meses a esta parte, não se tem poupado a esforços para juntar o IAPMEI, Segurança Social e a administração da empresa, no sentido de se encontrar uma solução”, sustentou Fátima Carvalho, informando que na reunião realizada esta manhã no Governo Civil ficou decidida a realização de reuniões periódicas, entre todas as partes, para que se encontre uma solução.

“Acho que é também altura de o senhor presidente se disponibilizar para estas reuniões”, referiu a responsável em jeito de desafio, na certeza de que “ainda é possível encontrar um investidor para a empresa”.

A mensagem é de luta porque trabalhadores e sindicato garantem não desistir. “Desenganem-se porque os trabalhadores ainda não rescindiram os contratos, suspenderam, porque ainda lutam pela continuidade da empresa”, sustentou a sindicalista.

Aos jornalistas, Fátima Carvalho frisou que o problema que conduziu à actual situação da empresa foi a falta de um gestor e a quebra de encomendas. Explicou ainda que esteve acordado um plano de divida para fazer face ao passivo que a HBC Confecções mantinha para com as Finanças e a Segurança Social, mas que acabou por ser impraticável, a partir do momento, em que “uma pessoa ficou mal de saúde e passou a existir um problema de gestão da empresa que não foi resolvido”.

 “Foram-me buscar ao centro de emprego e passados três anos acontece-me a mesma coisa”

O processo de acesso ao subsídio de desemprego tem início amanhã. Trabalhadores e uma equipa do Centro de Emprego de Arganil têm encontro marcado, pelas 10h30, na Casa da Cultura César Oliveira para agilizar os primeiros procedimentos. Para dia 14 de Maio, às 15h00, está marcado novo plenário na empresa.

À saída da reunião desta tarde, os trabalhadores – a maioria mulheres – não conseguiam esconder o desânimo pelo estado a que a empresa chegou, bem como pelas declarações do presidente da Câmara.

“O senhor presidente da Câmara culpa o senhor governador, mas eu gostaria de saber o que é que ele fez pela Carrera, a Infinitum e a Jammo. Ele não pode dizer absolutamente nada. Se ele tem soluções que as apresente”, referiu Conceição Cruz que, depois de 15 anos ao serviço da HBC se depara com uma situação precária a nível laboral.

Com 45 anos de idade, a trabalhadora confessou que o seu maior desejo era que aparecesse um investidor que “salvasse a empresa”.

A passar pelo tormento do desemprego pela segunda vez consecutiva, Ana Monteiro, de 35 anos de idade, disse a este diário digital que a situação é “degradante”.

“Foram-me buscar ao centro de emprego e passados três anos acontece-me a mesma coisa”, referiu a ex trabalhadora da Infinitum, contando que tem passado por momentos “muitos dolorosos”. “As mudanças são complicadas e, com pagamentos em atraso mais complicado é, porque há uma casa para pagar e filhos para governar. Não tenho ajudas de lado nenhum”, desabafou.

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