Gouveia: Coca-Cola quer comprar fábrica da Unicer para produzir água nacional

A ambição está prestes a concretizar-se com a aquisição de uma fábrica da Unicer, líder do sector de bebidas, em Gouveia. Já foi assinado um contrato-promessa de compra e venda, mas ainda falta assegurar condições essenciais à compra. Nomeadamente, um aumento da capacidade de produção e do número de trabalhadores.

De acordo com a Autoridade da Concorrência (AdC), a operação consiste na “aquisição por parte da Refecon [sociedade controlada pela Refrige] do controlo exclusivo de um conjunto de activos que integram o Centro de Produção de Gouveia, detido pela Unicer”. Contactada pelo PÚBLICO, a empresa que produz e comrcializa as marcas da The Coca-Cola Company em Portugal não se mostrou disponível para prestar esclarecimentos.

Já a própria Coca-Cola Portugal confirmou que “foi assinado um contratopromessa de aquisição de 100 por cento da fábrica há duas semanas”. Tiago Lima, director de relações externas da multinacional, acrescentou que a concretização do negócio está agora “dependente das autorizações da AdC, bem como das autoridades locais”, escusando- se a fazer mais comentários sobre o processo.

O PÚBLICO apurou que o objectivo desta aquisição é criar uma marca de águas portuguesa, com base na fonte mineromedicinal que existe em Gouveia. Uma intenção que a Refrige já tinha admitido no passado. Em 2004, o director-geral da empresa na altura, Arnaldo Murta Ladeira, afirmou que a empresa estava a estudar a hipótese de aquisição e justificou o facto de procurarem especificamente uma água nacional com a tentativa de responder melhor aos hábitos de consumo e paladares portugueses.

Para a Unicer, o interesse da Coca- Cola é bem-vindo. “Há um jogo de interesses em que todos saem a ganhar”, sublinhou fonte oficial da empresa nortenha, que lidera o mercado nacional de bebidas.

“A produção que hoje é feita na fábrica de Gouveia [enchimento de garrafas da marca Vitalis] pode perfeitamente ser passado para outra fábrica”, acrescentou. É, por isso, vantajoso alienar a unidade, tal como já aconteceu anteriormente, com a fábrica de Loulé, no Algarve.

Actualmente, a fábrica de Gouveia emprega menos de uma dezena de pessoas. Número que tem vindo a descer ao longo dos anos. A ideia da Refrige, detida por capitais espanhóis através da Lusobega (95 por cento) e da Norbega (cinco por cento), é aumentar o número de postos de trabalho e, com isso, a capacidade de produção. Essa é, de acordo com Tiago Lima, uma “condição essencial”.

O negócio é principalmente aplaudido pelo presidente da Câmara Municipal de Gouveia. Álvaro dos Santos Amaro avança que “tem havido conversas entre a Refrige, a Coca-Cola, a Unicer e a autarquia” e mostra-se “confiante” em relação à concretização da compra. Diz mesmo que o projecto será “fantástico para Gouveia” e que é “uma honra estar envolvido”.

In Público

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