O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital revelou-se esta manhã profundamente incomodado pelo facto de uma das suas intervenções estar a ser gravada em formato de vídeo. Em reunião pública do executivo camarário, Mário Alves interrompeu a sua explanação – quando dava resposta a uma interpelação feita pelo vereador José Francisco Rolo a propósito do recém editado Boletim Municipal – para se insurgir contra o trabalho que estava a ser desencadeado pela jornalista do Correio da Beira Serra que se encontrava a cerca de um metro de distância.

Gravação em vídeo deixou presidente da Câmara incomodado

 

Como ficou registado em formato de vídeo, o presidente do município oliveirense ao se aperceber da gravação começou a perder a linha de raciocínio até ao ponto de deitar a mão à garrafa de água que tinha à sua frente e se levantar. Por a jornalista julgar que o autarca se levantava para se ausentar da sala onde decorria a reunião, a gravação foi interrompida no momento em que Mário Alves se levantava da cadeira. Mas o que o registo em formato de vídeo não documenta é a forma como o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital se insurgiu contra o trabalho da jornalista: “ Vou-me pôr de pé para que a senhora me possa filmar melhor”, declarou Mário Alves levando à boca a garrafa de água que tinha na mão e acrescentando: “pode-me até filmar a beber água”. “Por vezes anda-se é à procura da agulha no palheiro” rematou. O momento foi de pausa nos trabalhos e de estupefacção dos presentes perante a atitude do responsável máximo pelo poder local numa reunião de câmara que é pública, permitindo a presença dos jornalistas e o exercício da sua profissão. De facto, na reunião realizada esta manhã e, no momento em que ocorreu o sucedido, estavam presentes os jornalistas que representam a totalidade dos órgãos de comunicação social em actividade no concelho: três jornais locais, um regional e a rádio local.

A sala estava cheia e o momento em que Mário Alves se manifestou incomodado foi testemunhado por todos: jornalistas, os sete elementos do município e dois funcionários da autarquia. Contudo, a supremacia de Mário Alves foi suficiente para calar toda a gente ao ponto de ninguém se ter manifestado perante tal atitude. O autarca voltou a sentar-se e retomaram-se os trabalhos que decorriam antes do período da ordem do dia.

No decorrer da reunião, nem mais uma palavra foi pronunciada sobre o episódio que, mais uma vez, marcou a posição do presidente da Câmara que já outrora se tinha manifestado avesso ao trabalho da jornalista estagiária do Correio da Beira Serra.

Note-se contudo, que a atitude de Mário Alves não surpreendeu a jornalista que esta manhã partira rumo à Câmara Municipal convicta de que o presidente do município se insurgisse contra a gravação em vídeo, por na reunião pública de Janeiro ter sido a primeira vez em que foram feitos registos em formato de vídeo. O que realmente foi uma surpresa foi a posição de silêncio assumida pelos três vereadores eleitos pelo Partido Socialista que nem um “ai” disseram sobre o assunto. 

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