Gustavo Martins voltou a despertar solidariedade

 

… voltou a atrair potenciais dadores.Ontem foram efetuadas 303 colheitas.

Marco Silva, de 29 anos e residente em Oliveira do Hospital foi um dos potenciais dadores de medula óssea que, ontem, se deslocou ao Hospital da Fundação Aurélio Amaro Diniz para participar na colheita de sangue, destinada a ajudar o filho do jogador da seleção nacional Carlos Martins, a quem foi diagnosticada aplasia medular.

Ainda que tenha sido motivado a participar pela simples vontade de “ajudar”, o jovem oliveirense integra o grupo de pessoas que, um pouco por todo o mundo, já viveu uma experiência semelhante no próprio seio familiar. “A minha irmã faleceu com Leucemia”, contou entristecido Marco Silva, referindo que no caso da irmã não foi preciso procurar muito para encontrar dador, porque uma outra irmã era compatível. Contudo, o transplante não resolveu o problema de saúde da jovem que acabou por falecer.

“Para além de ajudar o Gustavo, podemos estar a ajudar outras pessoas”, teve a oportunidade de referir Vanessa Dinis, de 26 anos que adiantou que caso tivesse filhos na mesma situação, também gostaria que outros tivessem o mesmo gesto. Pai de dois filhos, com 4 e 11 anos, Pedro Garcia de 37 anos confessou ser este o motivo maior que ontem o conduziu a fazer parte da lista de dadores de medula óssea. “Tal como aconteceu com o Gustavo pode acontecer com cada um de nós e acho que não custa nada”, sublinhou.

Com um número de dadores inscritos próximo dos 20 mil, a campanha de doação de medula óssea para Gustavo Martins tem suscitado verdadeiras ondas de solidariedade. Um facto comprovado aquando da primeira ação realiza em Oliveira do Hospital, no dia 20 de novembro, e em que num só dia foram feitas 1300 colheitas, sendo que a média diária ronda as 1000 doações.

De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Fundação Aurélio Amaro Diniz, do grupo de 1300 colheitas realizadas em Oliveira do hospital não resultou um dador compatível. Contudo, o clínico sublinhou a mais valia da participação em massa por ter possibilitado o despiste de doenças infecciosas junto de pessoas que se julgavam saudáveis.

“Das 1300 colheitas feitas, apareceram casos de doenças infecciosas”, contou o conhecido médico oliveirense, explicando que as pessoas referenciadas foram informadas da sua situação clínica e foram automaticamente excluídas da base de dados de potenciais dadores.

As ações de colheita de sangue para resolver o problema de saúde de Gustavo Martins têm decorrido um pouco por todo o país e até no estrangeiro. Contudo, até ao momento, não há registo de que tenha sido encontrado dador compatível.

Álvaro Herdade explica que a aplasia medular que foi diagnosticada ao filho mais velho do jogador de Oliveira do Hospital, Carlos Martins, só é curável com transplante, mas também esclarece que em caso de não ser encontrado um dador compatível – a probabilidade é de um em 100 mil – há sempre a possibilidade de tratamento por via de quimioterapia, que deve ser contudo evitado.

O clínico chegou a dar o exemplo de um utente da freguesia de Seixo da Beira a quem foi diagnosticada a mesma doença e que tem um dador compatível identificado – a irmã – mas que “ainda não foi necessário fazer o transplante”. Herdade sublinha que cada caso é um caso e que é sempre preferível que seja encontrado, antecipadamente, um dador compatível.

Num olhar pela ação que ontem decorreu no Hospital da FAAD – as inscrições voltaram a decorrer nas instalações da Arcial – Álvaro Herdade não se revelou desanimado com os números da adesão (foram realizadas 303 colheitas) chegando a justificar a reduzida afluência com o facto de estarem a decorrer campanhas semelhantes um pouco por todo lado e nos concelhos limítrofes.

Quem não voltou a arredar pé do hospital foram os avós paternos do pequeno Gustavo Martins que, presencialmente, fazem questão de mostrar a sua gratidão pela solidariedade dos dadores. “Eles dão-nos força e dão-nos fé”, contou Fátima Martins a este diário digital, confiante de que no final a família vai alcançar a “vitória” que merece.

Ainda que esperançada, a avó do pequeno Gustavo não esconde a “angústia” por que está a passar e que “nunca” imaginou vir a sentir. “Nunca ninguém pensa passar por isto”, confidenciou, contando porém que o neto de apenas 3 anos, com quem fala todos os dias pelo telefone, se encontra “estável” e “bem disposto”.

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