Haja saúde em Portugal

… as problemáticas da Sociedade e da Enfermagem. A crise financeira mundial, originada pela especulação imobiliária nos EUA e respectivos créditos subprime, teve, e tem, repercussões em quase todos os elementos e dinâmicas do quotidiano social. E como relacionamos esta crise com a Enfermagem?

Primeiro, pensamos no seu impacto directo na capacidade financeira das organizações de saúde e nos próprios recursos do Estado para honrar o compromisso assumido com cada enfermeiro: uma retribuição justa pelo trabalho desenvolvido.

Segundo, reflectimos sobre o funcionamento dos mercados financeiros e qual é a sua possível relação com a Enfermagem. Em vez de analisarmos como é que a instabilidade nestes mercados se repercute na Enfermagem, nos enfermeiros e na qualidade dos cuidados de saúde (e de vida) dos portugueses, procuramos inferir de que forma é que a Enfermagem pode influenciar o comportamento destes.

Na mesma semana da estreia em Portugal do filme “Wall Street: Money Never Sleeps” de Oliver Stone (2010), o Presidente do Tribunal Constitucional, o Primeiro-Ministro e o Líder do PSD, pronunciaram-se sobre a importância e o impacto dos mercados nas políticas económicas e sociais do País. Um País com uma balança comercial cronicamente deficitária; com graves problemas estruturais, no que respeita à criação de riqueza e capacidade para inovar, e onde o endividamento externo é uma inevitabilidade para efeitos de dinamização da economia.

Os mercados têm “especulado”, e muito, sobre a capacidade de um bem ou serviço gerar riqueza no futuro. Definem um custo para o mesmo, com base no valor que crêem que este representa para os potenciais clientes. As empresas operam num país, não obstante a globalização, e a sua consequente internacionalização. A situação da empresa nessa mesma nação é extremamente diferente da vivida pelas sucursais noutros países, dada a cultura imperante, as leis em vigor, ao ambiente geral, para o qual os níveis de saúde da população desempenham um papel de relevo. Uma população saudável é uma população capacitada para trabalhar e gerar riqueza.

Colocamos, então, a questão: qual o impacto da Enfermagem nos níveis de saúde da população? A resposta não é simples! Presentemente, podemos formular com base em… especulações. É imperativo analisar, quanto antes, o que é que a população portuguesa carece e demanda em termos de cuidados de saúde. É essencial reconhecer, politicamente, que a quantidade e a qualidade de Enfermagem são estruturais para os níveis de saúde das populações. É indispensável ver que indicadores utilizam para monitorizar o estado dessa mesma Enfermagem. Partindo destas correlações, os níveis desses indicadores podem servir para estimar a parcela do nível de saúde da população sensível aos cuidados de Enfermagem.

Quando os mercados voltarem a pretender avaliar, em Portugal, o “ambiente” para os negócios, e analisarem para esse efeito o nível de saúde e a qualidade de vida da população, têm que medir também indicadores de estrutura, processo e resultado próprios da Enfermagem, introduzindo a mesma enquanto variável a atender nessas avaliações.

Logo, no panorama actual, são lançados dois tipos de desafios à Enfermagem em Portugal: demonstrar a sua relevância para os níveis de saúde e qualidade de vida dos portugueses, e a importância destes indicadores para a fidedignidade das avaliações feitas pelos mercados financeiros na análise do ambiente para negócios em Portugal. Haja desafios! Haja ambiente para negócios! Haja saúde em Portugal!

Germano Couto
Presidente da Secção Regional Norte da Ordem dos Enfermeiros

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