HBC: Unidade de confecções forçada à via da liquidação

Chegando ainda a propor a dação do imóvel da HBC, localizado na Zona Industrial de Oliveira do Hospital, como forma de saldar a dívida junto do maior credor daquela unidade de confecções, a representante do Instituto da Segurança Social votou, esta manhã, desfavoravelmente a proposta apresentada pela potencial investidora que, desde Janeiro, vem demonstrando interesse na empresa que, em Abril de 2009, ditou a suspensão dos contratos de cerca de 180 trabalhadores.

Em cima da mesa estava uma proposta que consistia na aquisição – por parte de Eugénia Mendes, através da empresa Mendes e Morais – do estabelecimento industrial pelo montante de 50 mil Euros, assumindo a “transferência ou manutenção de 100 postos de trabalho”.

Anunciada pelo administrador de insolvência, a proposta foi também desde logo colocada pelo próprio num segundo plano, posicionando-se antes em defesa da possibilidade de venda do imóvel e dos bens móveis pelos valores de avaliação e que são respectivamente, 279 mil Euros e 44 mil Euros.

“Que seja ponderada e autorizada a possibilidade de venda, por ser aquela que parece mais adequada à defesa dos trabalhadores, também eles interessados no resultado da liquidação”, sublinhou.

Por unanimidade dos representantes dos credores, resultou a aprovada a proposta apresentada pelo administrador de insolvência da publicitação da venda do estabelecimento na sua totalidade e bens imóveis pelo valor de 323 mil Euros. O valor para venda será reduzido em 20 por cento, se o proponente assegurar a continuidade de todos os postos de trabalho. É ainda possível a apresentação de propostas de valor inferior e distintas, sujeitando-se contudo a não ser aceites. Por decisão da Juíza que presidiu à Assembleia de Credores, ficou definido que o processo tem que estar concluído no prazo de 60 dias.

“Foi com muita tristeza e muita mágoa que vimos aqui hoje a atitude da Segurança Social”

Assistida pela maioria dos trabalhadores que, desde o final de Abril de 2009, se mantém com os contratos suspensos, a posição assumida pela representante da Segurança Social foi geradora de descontentamento entre o segundo maior credor da HBC.

“Foi com muita tristeza e muita mágoa que vimos aqui hoje a atitude da Segurança Social”, afirmou a presidente do Sindicato dos Têxteis e Vestuário do Centro, considerando que os trabalhadores não eram merecedores de tal atitude, já que a Segurança Social “sempre esteve presente” no processo de negociações.

Criticando a atitude de “eu quero, posso e mando” da Segurança Social, Fátima Carvalho denunciou a “contradição” daquilo que é defendido pela ministra do Trabalho e, do que hoje foi protagonizado pela representante da Segurança Social em Assembleia de Credores.

Descontente por a proposta de Eugénia Mendes ter sido votada desfavoravelmente pela Segurança Social, Fátima Carvalho considerou também que a proposta de abertura do processo de liquidação hoje aprovada “não é viável”, já que “ao longo de um ano não apareceu nenhuma proposta”.

“Agora a Segurança Social quer uma proposta por o total”, ironizou a responsável sindical, sublinhando que a decisão aprovada vai apenas servir para “retardar e empatar o processo e fazer sofrer os trabalhadores”.

Frisando que mesmo a proposta avançada pela investidora não é a que mais agrada aos trabalhadores, Fátima Carvalho recordou todo o processo que conduziu ao seu aparecimento. “Foi tirada a ferros e foi um grande esforço do presidente da Câmara, do governador civil, dos trabalhadores e seus representantes”, sustentou Carvalho, sublinhando que uma proposta ideal deveria englobar a totalidade dos trabalhadores.

Reunida com os trabalhadores, a sindicalista criticou ainda a sugestão de dação do imóvel para crédito da segurança social, entendendo estar em face de “um insulto ao crédito dos trabalhadores que estão em primeiro lugar”.

Decidida em não baixar os braços, Fátima Carvalho adiantou ainda aos jornalistas já ter solicitado uma reunião de urgência no Governo Civil de Coimbra, com todas as entidades envolvidas.

Acusando a Segurança Social de “emperrar todo o processo”, a sindicalista avisou a ministra do Trabalho de que “estes trabalhadores são capazes de ir para a Praça de Londres e estar lá os dias que forem precisos, para se encontrar uma solução para Oliveira do Hospital que, está tão sofrida com o problema do emprego”.

Empenhada para que os trabalhadores retomem os seus postos de trabalho, Fátima Carvalho afirmou que “daqui a 60 dias tem que haver uma empresa na HBC”.

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